O Dialecto está de cara lavada. Quer dizer, primeiro que tudo, não tem cara para lavar, tem uma imagem a renovar. Talvez não tenha passado tempo suficiente para justificar esta alteração, mas achei que, em todo o caso, o devia fazer. Fiel ao seu nome, e à minha missão, o dialecto continua a palrar as suas baboseiras, sujeitas e ansiosas de críticas, por crescer ser o mais importante. A linguagem é a mesma(não cedo ao acordo), os assuntos são os do costume, os leitores esperam-se ser os mesmos, e com sorte outros tantos que consiga entusiasmar.
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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Cenas a Rever, Parte II


Meet Joe Black - Conhece Joe Black? é um filme subvalorizado. O ponto de partida do filme parece estapafúrdio e destinado ao esquecimento. O que é verdade é que este é mais um daqueles filmes cuja reacções são extremas: ou se adora ou se detesta. Eu, adoro.
Martin Brest faz 3 horas de filme passarem a voar, num filme que de movimentado tem pouco, mas de mensagem tem muito.
A cena mais brutal, literalmente, acontece no início do filme. Depois de um pequeno-almoço improvável, as personagens principais tomam caminhos opostos olhando para trás desencontradamente. Antes de virar a esquina final, Claire Forlani olha para trás uma última vez; como não encontra o que quer, dobra a esquina. Brad Pitt tenta voltar para trás. Já não pôde.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Em Terra de Cego, Quem Tem Olho é Rei


Os meios de comunicação social acabaram de anunciar a morte de José Saramago. Num pequeno país como o nosso, em que as figuras de renome intrenacional são escassas, o desaparecimento do nosso único prémio Nobel vai ser amplamente noticiado. Pela polémica das suas obras e pelo extremismo das suas posições os mais variados comentários começam, desde já a surgir, não deixando de ser ouvidos alguns totalmente desnecessários.

O que me leva a escrever sobre a morte de Saramago não se prende com qualquer espécie de concordância com as suas posições nem pela sua ncessidade de polémica que parecia aumentar quantas mais fossem as reacções de protesto. Não concordo em nada com as posições políticas de Saramago, muito menos tolerava a forma detractora e arrogante como atacava aquilo com que não concordava e de que não fazia parte. Não gosto dos livros que escreveu que fui forçado a ler, nem daqueles que tentei e desisti. Com a excepção d' O Ensaio Sobre a Cegueira. Admito que não o li de forma contínua, mas a metáfora criada pelo autor é soberba e a escrita, a espaços quase imperceptível, só aprofunda a confusão e o pânico dos personagens desta história. A empatia que tinha por Saramago fica-se por aqui.

Sacrifice

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Vi pela primeira vez este vídeo no ginásio, sem som. Fiquei imediatamente estático a olhar para a sua simplicidade e surpreendente eficácia. Memorizei que era da nova música dos Temper Trap, chamada Love Lost. Felizmente, a música é do mesmo calibre do videoclip.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Empate Não Anunciado


Num dia em que previsivelmente o país iria parar, a antecipação foi crescendo um pouco por todo o lado até que em plena tarde de verão, as ruas esvaziaram-se para ver o primeiro jogo de Portugal neste Mundial de 2010. Aquele que seria um adversário fácil não permitiu que dessemos o primeiro passo de confiança e embasbacou todos os que tinham já como certa a vitória de Portugal. Face a este pouco auspicioso começo, o jogo contra o Brasil parece não só mais importante como previsivelmente perdido.

Aqueles que, como eu, não puderam ver o jogo e apenas segui-lo pelos relatos, quase não conseguiam ouvir outra coisa senão as irritantes vuvuzelas que de repente tornaram-se omnipresentess, mas não por isso mais suportáveis. As actualizações que os sites de informação generalista iam fazendo roçavam o ridículo e o obsessivo como se se contasse já com a vitória anunciada. Vitória que não chegou. Agora, o I Gotta Feeling vai piar bais baixinho (Portugal agradece) e a euforia irá abrandar (os superscticiosos agradecem também).

Swimming

domingo, 13 de junho de 2010

Cristiano Ronaldo, o Poeta

“Não estou nada preocupado. Os golos são o como ketchup: quando aparecem, é tudo de uma vez”.
Por esta não esperava

Kiwi

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A vontade não falta e as intenções são as melhores, mas a razão de ter escrito tão pouco nos últimos tempos não teve - infelizmente - a ver com uma ausência física que me impossibilitasse de vir ao blog, mas com razões de outra ordem.

Além do que venho comentando de cinema, as coisas que achava que podia partilhar, transformavam-se em textos dos quais desistia por falta de entusiasmo. Publicar vídeos sem os comentar ou explicar a sua razão de ser não me fazia sentido, porque seria um pretexto preguiçoso de manter o blog activo - não querendo com isto dizer que, mais cedo ou mais tarde, o venha a fazer; mas por agora, ou até agora não me fez sentido.

Quis, ao contornar essa ideia, começar com o vídeo de um dos excertos dessa grande obra-prima do cinema, Beleza Americana, que é uma das cenas pesadas, filosófico-existencialistas chamem-lhe, que mais gosto. Depois pensei: se acho necessário escrever críticas aos filmes que vou vendo, porque não evocar os que já vi, através de cenas que os representem, mas não substituem, de forma a reviver momentos que me disseram tanto. Com sorte, e repetindo o meu lema do título, muitos mais gostarão.

Não nego que tenho vontade e intenção de tornar mais diversos os assuntos de que escrevo, mas não os vou forçar. Apenas deixa-los surgir, quando ache que justifique. Até lá, vou chagar a paciência, com a humilde admiração ao cinema, a rendição absoluta à música e a vontade de pôr em palavras, imgens ou sons aquilo que vai marcando a minha e a nossa actualidade.

Einstein's Wrong

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Cenas a Rever, Parte I


Não posso repetir vezes demais o quão superior é Beleza Americana.
Em 1999, Alan Ball e Sam Mendes (respectivamente) escreveram e filmaram uma dramática, precisa e sobera sátira não só ao povo americano, como ao ser humano. A premissa é vaga e aparentemente simples, o resultado é um filme profundo, perene e pesado que tem nesta cena um dos seus mais característicos momentos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Roubar aos Ricos e ficar-se por aí... - Robin Hood

Pareceu óbvio, não pelas melhores razões, que quando surgiram as primeiras imagens de Robin Hood, realizado por Ridley Scott e com Russell Crowe, que estávamos à espera de um Gladiador II.

Revisitar aquele enredo com a mesma equipa, foi amplamente falado; houve quem achasse que era uma óptima ideia (fãs ferrenhos e o próprio estúdio, prevendo já um novo retorno financeiro colossal) outros acharam que Gladiador é um filme perfeitamente autónomo sem qualquer necessidade sequelas ou prequelas.

Antes que fosse tomada um decisão definitiva, e quase 10 anos passados, Scott e Crowe voltaram a juntar-se (pela quarta vez) para abordar a já gasta lenda de Robin Hood, com os ingredientes e as manobras eficazes para produzir um filme que agradasse as massas. Questionabilidade da necessidade à parte, as intenções foram as melhores, as consequências não foram assim tão felizes. O problema que se avizinhava mais óbvio, foi o menos patente: a lenda não é nova, desconhecida, tão pouco não-abordada; o contributo de Scott é que se revelou o mais fraco. 15 minutos depois de começado o filme, já notamos que alguma coisa não está bem. Os personagens (salvo raras excepções, como Mark Strong e especialmente Eileen Atkins, estão a gritar por outro filme) estão perdidos, os diálogos desinteressam-nos, a química é inexistente e fio condutor da história vai perdendo-se com quebras de ritmo constantes, motivadas pela obsessão visual (essa bastante conseguida). Se esses problemas iam sendo suportáveis no princípio, quando chegamos ao último acto, o descalabro é total a história torna-se inconsequente e a verosimilhança desaparece.

Não é revoltante que tratem mal este material, é uma desilusão ver que quem o fez foi o mestre Ridley Scott, que da última vez que ingressou no género épico, foi com o desenxabido Reino dos Céus, filme que, por coincidência acaba, cronologicamente, quando este começa.

Trailer Music

terça-feira, 18 de maio de 2010

Growing Anticipation

Não podia ter recebido melhor presente. Confirmação de que os Florence + The Machine voltam a Portugal no Optimus Alive. Dado que em poucos dias esgotaram a Aula Magna, não espanta que estejam de volta para mais, 3 meses depois.
Hoje, já com bilhete na mão e não me importando com o preço do mesmo, dou por mim a ouvir uma e outra vez cada uma das músicas que me têm viciado nestes últimos meses.

Exemplo disso, The Drumming Song, uma das melhores músicas que tenho ouvido nos últimos tempos: coerente com o estilo de Florence Welch, musicalmente riquíssima e devorada por mim e por ávidos fãs.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

13 de Maio de Ascensão


Estou dentro de 4 paredes a perder a 5ª feira de Ascensão com corrida e largada de toiros. FORCAAAAAAAAA Shellshock - Another Day, Another Dollar

terça-feira, 11 de maio de 2010

"Uma Questão de Fé"


É com o título "Uma Questão de Fé" que o site do Sapo define a cobertura da visita do Sumo Pontífice a Portugal. Não podia ser mais acertada. A abordagem da temática da Fé, complicada por si só, separa por um lado aqueles que em nada acreditam, daqueles que se recusam a conceber uma vida sem a existência de Deus. Extremismos positivos ou negativos à parte, a Fé que move milhões, mobilizou hoje Lisboa, de uma forma que há muito não se via. Foi impressionante, esmagador e poderoso.

Assistir à Missa de Domingo no Vaticano, foi uma experiência única pelas razões óbvias: a cidade, a beleza natural, a diversidade de povos e línguas e a dimensão magnânime que a fé assume naquela circunstancia é indiscritível. 3 anos depois tive a sorte de poder assistir à Missa do mesmo Papa em Lisboa. Escusado será dizer que foi um momento mais marcante e mais poderoso do que aquele a que assisti no Vaticano. A Lisboa que conhecemos estava cheia e mobilizada com um sentimento de união que não há memória. Mais de 80 mil pessoas encheram o renovado Terreiro do Paço e rezaram por Portugal e pelo Mundo. O dia de hoje fez crescer nuns e nascer noutros a paixão que há por este país e acima de tudo por esta cidade. A crise da Igreja e a aparente crise da Fé é patente e amplamente debatida, mas por mais que se tente arranjar explicação para uma tão colossal afluência, é para mim inconcebível achar que não haja outra explicação que não a de fé. O esforço para a reaproximação tem que partir não só da Igreja como também dos cristãos; vendo que o dia de hoje mostrou que apesar das dúvidas, muitos regressaram, só podemos ser optimistas ao achar que se fomos capazes do mais, vamos ser capazes do menos. Se afluímos no extremo máximo, não temos como nem porquê não afluir no dia-a-dia. Não é discurso de evangelização ou conversão, mas sim de reflexão. Reflexão que muitos hoje fizeram, que muitos hoje cumpriram em nome de uma fé que mobilizou um país, que parou uma cidade que por de uma maioria manifesta se tratar justificou essa mobilização. A questão da fé parou Lisboa e estarreceu todos aqueles que como eu estiveram hoje em pleno Terreiro do Paço a assistir a um momento marcante da nossa História, da nossa humanidade e da nossa grandeza.

Science and Religion

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Delírio de Inception

Se do imaginário de Christopher Nolan é expectável que surjam ideias e conceitos únicos e que se materializam em material de qualidade, eis que o seu último projecto parece o mais sui generis de todos. Falo de Inception. Com Leonardo DiCapriio, Ellen Page, Marion Cotillard e Michael Caine, este novo filme foi filmado e mantido no maior secretismo, até à vinda a público do trailer e sinopse.
Sabe-se apenas que é ambientado no campo dos sonhos e na capacidade de os manipular. O trailer fala por si próprio, tendo já criado em mim uma enorme expectativa num ano que de antecipações se está a revelar pobre.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Estás Bem?

domingo, 18 de abril de 2010

A Deformidade de Um Retrato - Dorian Gray

O Retrato de Dorian Gray, única obra publicada do controverso e renomado autor Oscar Wilde tem agora mais uma, mas não definitiva, adaptação. Em jeito de superprodução independente britânica, o já gráfico romance de Wilde é adaptado ao ecrã com a escala e sumptuosidade que as produtoras conseguem comprar sem parecer estar a ficar, porém, na memória do público internacional - nem do nacional, a avaliar pelo que o Expresso descreve como um filme "medonho". Assentando a temática do filme na beleza e na imortalidade, esta adaptação parece ter tido o resultado extremo oposto.

Bem vistas as coisas, a unânime reacção de repugna ao filme não se prende com a fealdade deste tecnicamente considerado - a cuidada reconstituição de época, aliada aos sempre soberbos planos e paletes de Roger Pratt mostram-nos uma Londres Victoriana que tantas vezes já vimos impecavelmente retratada. A fealdade está na forma como Oliver Parker dirige uma história difícil (que ainda hoje tem defensores e detratctores) sem mão, sem ideia de ritmo ou de género, cedendo aos mais fáceis e reprováveis engenhos de assustar o público. A formação teatral de Parker mostra-nos alguns bons momentos e planos, nunca escondendo as óbvias fragilidades de um argumento pedestre que perde definitavamente as estribeiras no final. Até que uma adaptação, se é que haverá alguma que o saiba fazer, transponha dignamente o que Wilde escreveu, convém que esta fique fechada a sete chaves, tal como o Retrato de Dorian Gray.

3055

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Titan's smashed... - Duelo de Titãs

O Duelo de Titãs não atrai público ao engano. Quem esteja minimamente familiarizado com a história, não pode estar à espera de ver um filme verosímil, "sério" ou profundo. Se a história do choque entre Zeus e Hades, deuses rivais, que disputam a posição de supremacia da Terra, jogando os humanos como peões não for conhecida de todos, então o próprio poster do filme avisa que só lá deve entrar quem estiver disposto a deixar-se divertir. Não posso dizer que gostei do Choque de Titãs pela profundidade da história, que é nenhuma, pela verosimilhança, que também é inexistente, ou pela qualidade das actuações que é bastante duvidosa; gostei de Choque de Titãs por ser exactamente aquilo que promete e deve ser. Gostei da parvoíce, da energia, da diversão. O esquematismo da história e dos eventos não estorvam, os clichés são inevitáveis e inofensivos e a sensação de tongue-in-cheek é uma mais valia.

Por outro lado, O Duelo de Titãs é o mais recente caso em que os produtores resolveram, à ultima da hora, optar por um novo compositor (a 1 mês da estreia mundial) Ramin Djawadi foi chamado para compor uma partitura funcional e pipoqueira, em cima do joelho, quando Craig Armstrong, que trabalhava há meses nela juntamente com Matt Bellamy e os Massive Attack viu o seu trabalho ir por água abaixo. Se os exemplos de Timeline e Tróia serviram de alguma coisa, é que esta decisão, na maior das vezes não é benéfica. Até ouvir o trabalho rejeitado de Armstrong, não posso tomar posição, mas a julgar pelo serviçal trabalho de Djawadi, não me parece que venha estar enganado.

Scorpiox

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Jason Bourne no Iraque - Green Zone

Fazer filmes sobre a guerra do Iraque não é fácil. Abordar um tema actual com repercussões no mundo inteiro e passível de ferir susceptibilidades manifesta as óbvias dificuldades, razão pela qual com a excepção (discutível) de Estado de Guerra, nenhum filme de guerra ambientado no medio oriente ficou na memória pelas melhores razões.
A abordagem de Paul Greengrass, proveniente de documentários de guerra, catapultado para a fama por ter dirigido os dois últimos capítulos da saga de Jason Bourne, foi fiel ao seu estilo contando a história de um tenente americano determinado a desmascarar um tráfico de influências, uma teia de mentiras e uma iminente insurgência. O facto de Greengrass trazer atrás grande parte da equipa com que trabalhou na saga de Bourne, é simultâneamente a maior força e a maior fraqueza do filme: o talento, o estilo e o ritmo são irrepreensíveis, mas a manutenção desse estilo faz-nos inevitavelmente concluir que Green Zone é um filme que não se aguenta sozinho. Parece, por um lado, a parte 4 da referida saga e, por outro, mais um no filão de filmes ambientados na guerra do Iraque, por não fugir aos traiçoeiros clichés do género, como por não trazer nada de novo. Para se abordar uma temática que não tem resolução definitiva, ou se propõe um desfecho utópico/hipotético, ou cai-se no mesmo lugar-comum que todos os outros já caíram.
Green Zone fazendo um pouco de ambos, não se esquiva, porém, do esquecimento em que vai cair; vale não tanto pelo conteúdo, mas pela forma como Greengrass o filma e nos cativa e, especialmente, ao som da frenética e soberba banda sonora de John Powell.

Opening Book

terça-feira, 6 de abril de 2010

Concertos?

Tenho notado que as minhas reservas quanto a concertos têm mudado ultimamente. Como viciado e devoto bandas sonoras que sou, e pelo que tinha ouvido em vídeos, sempre achei que uma actuação ao vivo não iria fazer justiça a alguma das mais complexas peças que oiço. Até ao ano passado quando fui assistir, por duas vezes, ao concerto da Lisbon Film Orchestra, que contrariou a minha posição.

O problema que tinha não era com concertos em geral, era com os artistas em específico - estrelas de renome, de popularidade colossal que dão concertos de qualidade bastante duvidosa. As músicas trabalhadas em estúdio resultam bem, ao vivo perdem o encanto. Esta posição não pode, obviamente ser generalista - mais uma vez os melhores são capazes do pior, e vice versa.

Pela segunda vez, no espaço de um ano, perdi a oportunidade de assistir a um concerto de alguém por só tardiamente os ter descoberto. Aconteceu no final de 2009 quando descobri que o compositor clássico Ludovico Einaudi, tinha dado um concerto em Lisboa 3 dias antes de ter ficado viciado. Voltou a acontecer hoje quando, me perguntaram se tinha ido ao concerto dos Florence + The Machine que esgotou a Aula Magna no dia 16 Março , quando só há 1 semana os conheço e oiço sem parar. Não duvido que mais cedo ou mais tarde voltem, mas espero que a o ditado do "não há duas sem três" não se aplique aqui outra vez.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Conta é a Notoriedade do Resto

Desconcerta-me o facciosismo dos pseudo-entendidos que estão por detrás da selecção de nomeados e prémios. Se um filme agradou desmesuradamente a crítica, há a inevitável tendêncida de premiar, ou pelo menos nomear todas as partes do mesmo - basta olhar para as categorias técnicas que o gigante do ano passado, Slumdog Millionaire, arrecadou, por ser o filme indicado a levar tudo. Como não se pode justificar atribuir o prémio máximo a um filme com uma ou duas nomeações, há que indicá-lo para 4 ou 5 mais, para fazer peso. É uma verdadeira injustiça, pois não se reconhece o que de melhor se fez no ano que passou, passando tudo por um jogo de interesses e políticas de facciosismo.

Tudo isto a propósito da banda sonora de Anjos e Demónios. Hans Zimmer dispensa apresentações; é um compositor de renome e com provas dadas. Se bem que isso não é sempre líquido, pois os melhores são capazes, por vezes, do mais desenxabido; o seu trabalho para a sequela d'O Código Da Vinci superou as expectativas. É um trabalho complexo, dinâmico e eficaz, que tem a mais valia de funcionar tão bem com ou sem imagens. Independentemente das críticas associadas ao filme de que faz parte (à semelhança do que aconteceu com o seu antecessor) o feedback que teve foi extraordinário. Zimmer fez o melhor uso de coros, cordas e percussão criando uma sólida partitura que convida à revisitação. Nomeação aos Óscars? Não. Zimmer foi nomeado por Sherlock Holmes, que não retirando as qualidades (é de facto muito boa e inovadora quando poderia não ter sido), mas viu a sua nomeação por Anjos e Demónios açambarcada pelo fenómeno the Hurt Locker de Marco Beltrami.
Não morro de amores por Marco Beltrami, não acho que os seus trabalhos sejam propriamente ricos melodicamente e, não obstante contar já duas nomeações, a falta de interesse dos seus trabalhos, na minha opinião, atinge com Hurt Locker o seu exemplo último. Compare-se a diferença entre ambos e logo se conclua.


Não quero com isto dar a entender que venho tentar boicotar a popularidade de Hurt Locker (que poderia fazê-lo) por ser um incondicional fã das adaptações de Dan Brown (que não sou), mas na minha óptica, ser devoto da arte da composição instrumental é saber separar as águas e reconhecer as mais valias ou superioridades de certas partituras, ainda que estejam associadas a filmes menores. Mais uma vez é de reter: gostos não se discutem e a subjectividade é isso mesmo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Sécondieme

Não tenho noção de qual é o número estimado de leitores mensais da revista Premiere, única e fiável revista de cinema em Portugal. Desde 1999 (com uma interrupção de quase um ano) que sou assíduo leitor desta revista, tendo guardado e lido cada número, como reconhecido vício de um vício.
Este mês, porém, a revista tardou em ser publicada; muitos, inevitavelmente pensaram, que tinha sido cancelada, ou então o atraso seria devido à cerimónia dos Óscares, que por razões de formatação, impressão e distribuição nunca é acompanhada no mesmo mês. Contrariando esse medo, as boas notícias chegaram: a revista não foi cancelada e a publicação tardia deveu-se, também, ao acompanhamento dos prémios da Academia.

Porém, essa razão não foi a única. Com um novo design, um novo alinhamento e uma nova equipa, este recomeço não descurou a paixão pelo Cinema. Estas são as boas notícias. As más, é que absolutamente nada estava errado com o formato antigo e, "entre secções que foram transformadas, outras que foram descontinuadas e outras que são inteiramente novas", nasceu uma revista que abdicou de tudo o que dava força à antiga edição e introduziu rúbricas que, não sendo desnecessárias, estão longe de superar ou mesmo compensar, as antigas.

Pelo que venho lendo, a opinião não é singular. Imagens desproporcionadamente grandes, textos comparativamente pequenos e vagos, poucas notícias, pouco entusiasmo. Acima de tudo, há aquela sensação de chegar ao fim da revista e perguntar "onde é que está o resto?". Sei que pode ser a minha década de habituação a um formato brilhante e internacionalmente harmonizado a falar, mas mesmo que se quisesse mudar ou refazer, então que se inovasse. O balanço final é exactamente o contrário.

Não perdendo, imagino, leitores, arrisca-se a que estes se sintam menos entusiasmados a correr para as bancas todos meses. Além do que noticiava e documentava, analisava com graça e inteligência, através de rúbricas bem pensadas e eficazes, a história, os factos e as notícias do cinema que todos os que compravam, adoravam.

Melhores dias virão, acredito, porque a expressão do público através da opinião ou da adesão, irá falar mais alto, para que ao menos a única publicação nacional concentre, como dantes o que mensalmente queremos e ansiamos ler.

The Painted Veil

domingo, 21 de março de 2010

O Primeiro Bom Sabor de Verão - Wolf Gang - The King and All Of His Men


Desesperados que estamos todos por um raiozinho de sol, ou um bocadinho de calor, basta um domingo como hoje, com um pôr do sol como há muitos meses não via, para utópicamente achar que o bom tempo chegou de vez. Como é óbvio que não chegou, ouço à exaustão o equivalente musical à boa disposição do tempo quente: Wolf Gang - The King and All Of His Men.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Videoclip do Limbo - The Lovely Bones


Como tomar posição face a um filme que tecnincamente é irrepreensível, tem um mestro do suspense a dirigi-lo, mas tem uma história tão banal e previsível que dava para contar em metade do tempo? Qualquer apreciador de cinema, à medida que vê este The Lovely Bones - Visto do Céu, tem perfeita noção que as qualidades do filme se devem unica e exclusivamente a Peter Jackson. Visualmente é um filme soberbo, numa versão Alice No País das Maravilhas com partes impróprias a menores de 16 anos. O limbo de Susie é extraordinário e encaixava soberbamente num videoclip; num filme de duas horas e meia acusa o cansaço e o alienamento.Digna de nota é a sequência da irmã da personagem principal a invadir a casa do assassino.
Não tendo a originalidade como móbil, a trunfo só podia estar mesmo na mensagem. Nem aí a vejo. The Lovely Bones é um filme excessiva e infundadamente pretencioso que nem um culto conseguiu reunir.

Alice - Cocteau Twins

segunda-feira, 15 de março de 2010

"Off With Her Heeeead" - Alice No País das Maravilhas

Era uma questão de tempo até Tim Burton deitar as mãos à obra de Lewis Carroll, "Alice No País das Maravilhas". Pode parecer cliché dizer isto, ou então falta de candidatos ao lugar, mas nos dias de hoje, qualquer história ou livro de temática fantasiosa ou gótica a "necessitar" de adaptação ao cinema, espera pelo incentivo de Tim Burton ou Terry Gilliam.
A história de Alice No País das Maravilhas faz parte do imaginário infantil de qualquer um, porque o insano mundo criado por Lewis Carroll é suficientemente eclético para angariar crianças pela sua componente infantil, e adultos que o encaram como um elaborado estudo psicológico.
A adaptação de Burton não é um remake, nem uma sequela, mas antes uma revisitação do mundo, que pela sua estrutura acaba por ser ambos. Mas a maior característica deste Alice é que Burton conseguiu a proeza de fazer o espectador sair do cinema sem saber se gostou ou não, tal como um sonho. As falas, o humor, os eventos e as personagens são de tal maneira non-sense que só num filme em que a própria personagem constantemente se pergunta se está num sonho ou não, fazem sentido. Mas feitas contas, Alice é um filme que vale a pena pelo que se vê, e não pelo que se ouve. O desvaire é típico de Burton e, portanto, irrepreensível (se bem que as suas antigas colaborações com Rick Heinrichs, eram bem melhores) tudo o resto é uma diversão adequada, numa linha pouco fiel à história original que tem no seu centro a apagada Mia Wasikowska no papel de Alice, e a irrepreensível Helena Bonham Carter como a rainha DE COPAS.

Alice and Bayard's Journey

sexta-feira, 12 de março de 2010

Every Fan Has His Day - John Powell - Green Zone


Ao contrário do que à primeira vista possa parecer, não é o quarto filme de Jason Bourne. O que muda é o cenário, e o nome da personagem principal. De resto, Matt Damon e Paul Greengrass, voltaram a fazer o mesmo. É esperar pela estreia desta semana de Green Zone, thriller de acção ambientado no Iraque.
Por enquanto, fico com o presente que John Powell tão raramente nos dá. Um desvaire de orquestração dominado por percussão e violino que hoje chegou "à minha mão" e que vou devorar sem parar.

terça-feira, 9 de março de 2010

Oscar Breakdown

"Longa" e "Sem Surpresas" foi a reacção quase unânime do público à entrega de Óscars de domingo à noite. A 82ª cerimónia era já à partida um evento de vencedores pré anunciados, à espera de um evento para oficializar o favoritismo. Com 6 Óscars, Hurt Locker - Estado de Guerra, dominou a noite em detrimento de Avatar que partindo com 9 nomeações, levou apenas 3 em categorias secundárias. Sem qualquer espécie de dúvida, esta edição ficou marcada pelo confronto entre estes dois filmes, mas no final, o que aconteceu foi uma batalha de David e Golias: Hurt Locker, filme independente e de baixo orçamento levou a melhor sobre a produção mais cara e rentável da história. Até na categoria de melhor realizador, Kathyn Bigelow, venceu levando a melhor sobre o ex-marido, James Cameron, que sentado no lugar imediatamente atrás, assistia à sua crecente derrota.

Se a cerimónia do ano passado chamou atenção de todos pela inovação, humor e entertenimento, a deste foi marcada pela longa duração, previsibilidade e falta de espectáculo. Ao contrário das opiniões que tenho lido, achei o humor da apresentação de Alec Baldwin e Steve Martin bastante adequada, se bem que por vezes retraída. O segmento de apresentação dos nomeados ao Óscar de melhor banda sonora foi realmente espectacular.
Por outro lado, ninguém consegue muito bem explicar a razão do segmento sobre os filmes de terror, a rapidez de Tom Hanks a anunciar o Óscar de Melhor Filme, o desastre do segmento in memoriam, a ineficaz escolha de cenas de filmes, a omissão de Farrah Fawcett e a falta de organização da equipa de produção.
Terminada a espera e anunciados os vencedores, resta-nos (em Portugal), esperar por aqueles filmes que não nos deram oportunidade de ver.

Melhor Filme: The Hurt Locker - Estado de Guerra;
Melhor Actor: Jeff Bridges - Crazy Heart;
Melhor Actriz: Sandra Bullock - The Blind Side;
Melhor Actor Secundário: Christoph Waltz - Inglorious Basterds - Sacanas Sem Lei;
Melhor Realizador: Kathryn Bigelow - The Hurt Locker - Estado de Guerra;
Melhor Argumento Original: The Hurt Locker - Estado de Guerra;
Melhor Argumento Adaptado: Precious;
Melhor Fotografia: Avatar;
Melhor Design de Producção: Avatar;
Melhor Montagem: The Hurt Locker - Estado de Guerra;
Melhor Guarda Roupa: Jovem Victoria;
Melhor Banda Sonora: Up;
Melhor Música: Crazy Heart;
Melhor Caracterização: Star Trek;
Melhores Efeitos Visuais: Avatar;
Melhor Som: The Hurt Locker - Estado de Guerra;
Melhores Efeitos Sonoros: The Hurt Locker - Estado de Guerra;
Melhor Filme de Animação: Up;
Melhor Filme Estrangeiro: El Secreto de Sus Ojos;
Melhor Curto Documentário: Music By Prudence Melhor Documentário: The Cove - A Baía da Vergonha Melhor Curta Metragem: The New Tenants Melhor Curta Metragem Animada: Logorama