O Dialecto está de cara lavada. Quer dizer, primeiro que tudo, não tem cara para lavar, tem uma imagem a renovar. Talvez não tenha passado tempo suficiente para justificar esta alteração, mas achei que, em todo o caso, o devia fazer. Fiel ao seu nome, e à minha missão, o dialecto continua a palrar as suas baboseiras, sujeitas e ansiosas de críticas, por crescer ser o mais importante. A linguagem é a mesma(não cedo ao acordo), os assuntos são os do costume, os leitores esperam-se ser os mesmos, e com sorte outros tantos que consiga entusiasmar.
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Porquê Hans Zimmer?

Já foram alguns os compositores aos quais dediquei um espaço especial ou uma menção digna. Hans Zimmer, compositor e artista por excelência que já anda nestas lides há 25 anos, começou a carreira em Londres vindo de Frankfurt. Os seus esforços e o seu talento conferiram-lhe uma reputação de fazer inveja e é hoje, possivelmente, o compositor mais influente da cena internacional. Podendo ser, esta influência, discutida ou afastada pela ainda preponderância de John Williams, o que é facto é que estão ambos os dois no topo da cadeia. São naturalmente poucos aqueles que se podem dar ao luxo de recusar um trabalho, muito menos aqueles que gozam do privilégio de ser a primeira escolha. Zimmer faz mais hoje em dia do que ser um exemplo para os que partilham dos seus gostos e preferem o seu estilo; tendo fundado a empresa Media Ventures, agora Remote Control. Desta escola saíram alguns dos mais emergentes compositores dos últimos anos. Os principais detractores do género, atacam Zimmer pela linearidade das suas composições; mais ainda de formar os seus discípulos como pequenos clones.
Acho que essa opinião não pode nem deve ser atacada por mim, nem por qualquer outro, por mais que dela absolutamente discorde. Não é de bom tom atacar os trabalhos de John Williams e John Barry, por mais que caiam na repetição. Repetição não, desculpem, fidelidade ao estilo. E se a eles essa lhes é permitido tal protecção, então a Zimmer só pode também ser.
Aliás, mesmo que não nos queiramos guiar pelos gostos duvidosos do público, o que é facto é que a crítica, também ela parece ter reconhecido, ao longo destes anos os seus feitos, e as mais valias que as suas obras vieram contribuir para a música em geral.

Rain Man, Driving Miss Daisy, Gladiador, A Barreira Invisível, O Rei Artur, O Último Samurai, Hannibal, O Pacificador, Pearl Harbour, o Código DaVinci, Anjos e Demónios, Batman Begins, O Cavaleiro das Trevas destacam-se, juntamente com as suas Seis Nomeações ao Óscar (com uma vitória, por O Rei Leão). Tudo isto a propósito de nos últimos dias me ter achado viciado no seu "Woad to Ruin"

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

...a giant leap for mankind

Aqui há uns tempos fiz um post dedicado a um novo compositor que tinha redescoberto. Brian Tyler mereceu-o, porque continua a ser presença indispensável nas minhas listas, mas ao ter-lhe feito um post, não poderia, porém descurar outros. Tyler está longe de ser o meu compositor preferido, John Powell, James Newton Howard e Trevor Rabin continuam a ocupar esses lugares. De qualquer forma, nos últimos tempos, cada vez mais me tenho vindo a aperceber que desse topo, senão mesmo na frente deverá estar um artista cujo talento e trabalho tem dado provas mais que provadas. Falo de Craig Armstrong. Este escocês tem a sua formação na Royal Academy of Music, e a sua experiência não se ficou somente pela composição clássica. Colaborou com diversos grupos de electronica, mais concretamente com os Massive Attack. Para o público em geral, é bem capaz de ter sido essa a área em que mais se destacou. Para mim, porém, e previsivelmente, foi na composição clássica.

Todos os compositores têm um óbvio fio condutor, um estilo a que obedecem; estilo por si definido ou em si criado pela formação músical que tiveram. Num texto que há alguns tempos li, falava-se de como cada compositor se tornava identificável por mais eclécticos e díspares que os seus trabalhos fossem, mais longe ainda ia a opinião(que subscrevo) que há um quê da etnia que se mantém. John Williams identifica-se à légua como Americano: as fanfarras que escreve, os instrumentos que usa, são apelativos mas na sua maioria pouco sumarentos. Hans Zimmer, por seu lado tenta fazer o mesmo, mas como a sua influência germânica pesa bastante, existe um cruzamento de vivências e estilos que resulta numa riqueza maior, ainda que mainstream. Armstrong transparece a sua influência britânica em cada nova partitura. Sendo todos os seus trabalhos, maioritariamente intimistas, talvez seja por isso que não estejam tanto no ouvido e no conhecimento de todos.
Armstrong compôs um inacreditável Bolero para o conhecidíssimo Moulin Rouge que passa assim que o filme termina. Em 7 minutos de música, Armstrong compõe a tragicidade que Baz Luhrman filmou. Em Elizabeth: The Golden Age, Armstrong herdou a batuta de David Hirschfelder, nomeado a um Óscar, e tendo umas altíssimas expectativas para igualar, superou-as de longe. Compondo a meias com A.R. Rahman, surgiu aquele que talvez seja o melhor e mais coerente trabalho de ambos: uma soberba obra que mistura os dois estilos, para uma história de época. Opening, Bess and Raleigh Dance, Mary's Beheading, Bess to See Throckmorton, Closing falam por si. Até para um filme de qualidade menor como The Incredible Hulk, Craig criou uma partitura de tal forma superior que convenceu o estúdio a editá-la numa edição de 2 discos e 45 faixas. Em poucas semanas, tornou-se das bandas sonoras mais vendidas da História. Já por duas ocasiões diferentes, publiquei aqui uma das minhas composições preferidas de sempre, precisamente deste filme, chamada Favela Escape. Quase tão boa é The Flower. I Can't, Bruce And Betty, Give Him Everything You Got, são igualmente muito boas.

Se realmente este for um post que lhes faça sentido, não deixem de descobrir ou redescobrir este compositor. Garanto-lhes que vale bastante a pena.

Mãe, muitos parabéns pelo dia de hoje.

domingo, 20 de setembro de 2009

Clint Mansell - The Fountain (O Último Capítulo)

O filme a que este disco serve de base é dos mais difíceis e peculiares filmes que alguma vez vi. The Fountain - O Último Capítulo, conta a história de um homem, médico, obcecado com a doença terminal da sua mulher, e que faz do seu objectivo procurar uma cura. Paralelamente é-nos contada uma história 500 anos antes, e outra 500 anos depois. Em todas três, o enredo gira à volta da busca da vida eterna, sendo as ilacções tiradas e discutidas pelo espectador.
Sendo este um filme obviamente filosófico e intimista, a banda sonora não teria como não o ser. O que Clint Mansell fez, foi criar uma partitura que além de se enquadrar de forma totalmente harmoniosa com as imagens, funciona igualmente bem, se não melhor, sem elas. Veja-se o exemplo de "Together We Will Live Forever", tema principal do filme, e que só é ouvido já nos créditos finais: é de simples execução (só há um piano), mas de pesada descoberta. Honestamente, é das melhores faixas que já ouvi, e a escolha de não a ter a passar durante o filme revelou-se acertada; a mera distracção das imagens poderia tirar força à peça, mas ainda assim, para quem viu o filme, e o perceba, faz de facto todo o sentido ouvi-la tendo a história já sido integralmente contada. Em "Holy Dread!", "Tree Of Life" e "Death Is The Road To Awe", a percussão é mais marcada, assim como os coros, não se afastanto da temática central, especialmente a última, que acompanha o climax do filme, e que tal como ele é um dos pontos altos da obra.
Esta banda sonora, composta por Clint Mansell, teve a particularidade ter sido tocada pelo Kronos Quartet, e pela banda de rock Mogwai que resultou numa simbiose de diferentes estilos. Duma colecção de cerca de 300 bandas sonoras, é complicado eleger alguma como a preferida, porque por melhores que algumas sejam, têm sempre algumas partes menos boas; com The Fountain, isso não acontece. Poderá, para alguns ser preciso mood para a ouvir, mas para os que não fôr e queira descobrir um trabalho soberbo, daqui não sai desiludido.

Track List:
1. The Last Man 2. Holy Dread! 3. Tree Of Life 4. Stay With Me 5. Death Is a Disease 6. Xibalba 7. First Snow 8. Finish It 9. Death Is The Road To Awe 10. Together We Will Live Forever

quinta-feira, 7 de maio de 2009

New Beeswax to Follow: Brian Tyler

Aqui está um caso de implicância em que mordi a língua. Achava os trabalhos de Brian Tyler serviçais e vazios de magnetismo. Salvo raras excepções, não deixa de ser reflexo dos trabalhos para os quais são chamados os compositores em início de carreira.

Agora, e a pouco e pouco, fui ouvindo uma música e outra, até ao momento em que no carro e no iPod, ouço Brian Tyler quase por sistema. Cada vez mais me recuso a pensar nos filmes a que certas bandas sonoras estão associadas, até porque há um número bastante considerável delas associadas a filmes de meter medo. Tyler ainda está nessa fase. São filmes de cada vez maior orçamento, mas ainda assim com uma qualidade claramente inferior. Eagle Eye, War, The Fast and The Furious, Godsend, Bangkok Dangerous, claramente são filmes que não causam boa impressão no curriculo de ninguém, mas tendo ouvido o que Tyler compôs para cada um deles, faço por esquecer-me de que é que fazem parte.

O estilo que Tyler está a estabelecer, é um muito análogo ao do superior John Powell. Mas enquanto que a Powell lhe foram dadas mais oportunidades de expandir a sua criatividade, Tyler está ainda no estádio anterior: em que as batidas rítmicas e ecléticas se destacam além das imagens. Devo dizer que embora gostando e muito dos sonantes e marcantes temas que alguns compositores de primeira linha escrevem como frente dos seus trabalhos, tenho uma queda especial para as chamadas músicas de acção. Percussão, violinos, sintetizador têm uma vida e uma complexidade próprias que podem ser até mais ricas que os temas principais.

Estou a descobrir agora e com atenção os trabalhos de Tyer, estando por isso a descurar alguns outros compositores, mas dado o que tenho ouvido e que me tem viciado, acho que é tempo bem empregue.
(não olhar para as imagens, se faz favor)