O Dialecto está de cara lavada. Quer dizer, primeiro que tudo, não tem cara para lavar, tem uma imagem a renovar. Talvez não tenha passado tempo suficiente para justificar esta alteração, mas achei que, em todo o caso, o devia fazer. Fiel ao seu nome, e à minha missão, o dialecto continua a palrar as suas baboseiras, sujeitas e ansiosas de críticas, por crescer ser o mais importante. A linguagem é a mesma(não cedo ao acordo), os assuntos são os do costume, os leitores esperam-se ser os mesmos, e com sorte outros tantos que consiga entusiasmar.
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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Como prever o cancelamento - Flashforward

Quando falamos de séries, toda a gente acha que Flashforward ou ainda está activa ou que vai na segunda série. Infelizmente, ou felizmente, ficou-se pela primeira. Infelizmente porque era uma das melhores séries de 2010 - uma corrida contra o tempo, bem estruturada e executada ao estilo de 24 - felizmente, porque se tivesse continuado, poderia ter perdido grande parte da sua força, como aconteceu com Prison Break.

A história gira em torno de um apagão global de cerca de dois minutos, em que toda a gente no mundo viu o seu futuro daí a seis meses. Quando acordam, o caos é geral. Contam-se milhões de mortos e de imediato todos os que conseguiram ver o seu futuro (sim, houve quem não visse nada) entram num estado de apatia total por o futuro que viram ser-lhes completamente inconcebível, passando depois, para um esforço para tentar contrariar ou concretizar esse futuro.
Implausibilidades e improbabilidades à parte, Flashforward acaba por ser mais um ensaio à natureza humana e às diferentes formas de encarar um futuro distante mas agora conhecido.

A meio da temporada, a série perde alguma força, retomando-a nos episódios finais, com a aproximação do "Dia D". Flashforward ficará recordada, principalmente, por ter acabado totalmente em aberto; algumas respostas foram dadas, mas muitas ficaram por revelar. O problema é que nada disto foi intencional, dada a imprevisível decisão da ABC em cancelar a série por não ter o número esperado de telespectadores. Se séries com menos audiências e de muito menor qualidade se mantêm no ar há anos sem fim e sem qualquer razão aparente, o cancelamento desta, ironicamente não foi previsto.

The Surface of the Sun

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Idade da Indecência

Já estamos todos fartinhos de saber que séries só vendem com gente bonitinha à frente. Cai um avião numa ilha deserta, cheia de desconhecidos talhados para sex symbols; uma sociedade de advogados com dramas amorosos que mais parecem backstage de um desfile; vivos, mortos, presos, livres, ricos pobres, todos estão convenientemente deslavados num arranjo pouco natural. O mesmo podemos dizer das supostas idades das personagens que alguns actores encarnam. Basta olhar para todos as séries (e filmes, claro está) onde as colegiais parecem saídas de uma fraternidade de veteranos de faculdade, e os pais parecem poucos anos mais velhos. Para isso vejamos um exemplo paradigmático: na genial série Nip/Tuck veja-se as personagens de Joely Richardson e John Hensley, que faziam de mãe e filho, quando na realidade tinham 12 anos de diferença. A explicação desta pequena curiosidade pode prender-se mesmo até com a própria mensagem da série: o conceito de beleza e perfeição em que a sociedade se afoga, faz recorrer a estériotipos que no ecran resultam, mas cá fora não. Nunca a velha suspension of disbelief fez tanto sentido.

Rock The Casbah

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Perdido

Enquanto não estão (se é que chegarão a estar) dias de praia à séria, emprestaram-me hoje a Quarta Sério do Lost - Perdidos. Significa isto que vou hibernar a vê-la. Lost é um caso curioso. Comprei a primeira série, que odiei; a segunda vi porque me emprestaram, e não estava a ver nada de especial na altura: a terceira vi porque me viciei. A série é um daqueles casos em que o enredo se vai revelando tão estúpido, tão estúpido, que acaba por ser bom. Vou guardar o resto dos comentários até acabar de ver esta quarta temporada.





Parting Words

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Prescrição Sabe Sempre a Azedo?

A época das grandes sitcoms morreu. A comédia de situação é um formato que está em extinção, não pela falta de qualidade, mas pela necessidade de mudança. Quando antigamente falávamos de séries de televisão, pensávamos logo no Friends, Seinfeld, Fawlty Towers, All in The Family, Soap, Will & Grace, Family Ties, Frasier, etc. cujo marco estava não só na qualidade dos textos como na forma em que as víamos. Um episódio por semana era a dose ideal para manter o interesse, pelo facto de não assentarem numa continuidade específica; cada episódio valia por si próprio, e poderia ser, na maioria das vezes, visto fora de sequência. Antigamente, víamos nas séries de televisão escapatórias mais levezinhas e curtas para o que tínhamos no cinema. Hoje, já não é uma escapatória, mas uma clara alternativa. Já deve ter acontecido a todos olhar para os filmes que estão em cartaz e não apetecer ver nenhum.
Se é verdade que nos apercebemos que, cada vez mais, a televisão está na vanguarda da qualidade (mas se ela não for bem gerida, pode estragar a matéria-prima), também sabemos que muito importante é também saber que nem todas as séries podem durar mais do que umas tantas temporadas. Veja-se o caso de Prison Break: uma premissa extraordinária, uma primeira série soberba, mas que a partir da terceira tornou-se repetitiva, aborrecida e desnecessária. Também 24, da qual confesso que não sou fã, tem uma premissa muito boa, mas que acusa um cansaço, porque já não há história que aguente, ou verosimilhança que valha. Lá está uma vez mais: as séries cuja continuidade está mais justificada são aquelas que novelizam a história. Grey’s Anatomy é um claro exemplo, dramazecos e sub enredos podem continuar a surgir até o público se fartar, o que parece não estar para acontecer… e voltando agora ao princípio, a forma como vemos as séries, pelo menos deste lado do atlântico, é uma quebra com a tradição e com o intuito das mesmas: preferimos esperar uns meses e ver uma temporada toda de seguida, em vez de a acompanharmos semanalmente. Significa isto que vemos cada temporada como um filme numa saga, que tem entre 500 a 600 minutos em vez de 100-120.
Como tudo, isto é cíclico, acredito que daqui a uns anos, as sitcoms voltarão (em força) e que mesmo num formato de reciclagem de ideias e actores, nos irão agarrar como dantes. Se esse dia não chegar, sempre o podemos recordar nas séries que teremos em VHS, DVD, Blu-Ray ou que estiver para vir a seguir.

Up Is Down

terça-feira, 19 de maio de 2009

"Séries de televisão levam jovens a procurar cursos de criminologia"

Parece que as séries de Televisão estão, cada vez mais, a influenciar as escolhas de carreira. Segundo esta notícia, há uma cada vez maior afluência aos cursos de criminologia, não sendo as saídas profissionais, obviamente, as esperadas. Não é de todo uma conclusão inesperada, já que a forma como Hollywood vende e noveliza as séries baseadas no dia-a-dia dos criminólogos, há de iludir muitos ao fazer crer que é tudo parecido com um episódio do CSI. De facto, o material de base não poderia ser vendido de outra forma, não seduziria o público como faz.
Por estranho que pareça, quem é estranho ao mundo do direito pergunta-me que mestrado estou a tirar. Quando respondo "Forense", já houve quem me perguntasse se ia trabalhar para o Departamento Jurídico de Investigação Criminal"; houve quem não perguntasse, mas esperava por essa explicação. Lamento imenso, mas não! À laia de gozo, na altura que entrei no Mestrado, e me fizeram a pergunta, tratei de andar na macacada com um primo meu a tirar fotografias a la Horatio do CSI. Just In Case.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Lupitaaaaaa

É oficial: tenho um novo vício. De há uns anos para cá que as séries nos invadem as televisões e DVD's, por cada vez mais haver uma originalidade, inteligência e esforço que escasseia no cinema. Tenho algumas preferências, como é lógico: ao fim de 5 anos, Nip/Tuck ainda mantém alguma da pujança e arrojo dos primeiros episódios, ao contrário de Prison Break que teve um início genial, e descambou numa série previsível, desinteressante e vulgar.

Mas afinal de contas que série é que me conquistou? Weeds-Erva. Só este mês é que vi pela primeira vez, esta já há muito falada incursão na vida dos suburbios. Teve o seu lado positivo e o seu negativo. Negativo porque já a devia ter descoberto há muito tempo; positivo porque assim posso deverorar o que já está desponível em DVD, que é o que tenho feito nestes últimos dias. Quem está à espera de uma série de humor fácil, desengane-se porque não o é. É corrosivo, é gozão e inteligente. A qualidade dos textos é igualada pelos desempenhos de um elenco quase desconhecido que nos agarra, mesmo aqueles com papéis mais secundários ou esteriotipados.
Já várias vezes aqui disse que o facto de um enredo se poder resumir numa ou duas frases, não é indicativo de falta de ideias. Weeds prova isso mesmo. Quem não viu, descubra urgentemente a história de Nancy Botwin/ Lacy Laplante, uma víuva que não querendo abdicar da vida a que se acostumou num suburbio de classe média, resolve contrabandear droga na vizinhança.

Little Boxes

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Reviver O Tal Canal!

Após várias reposições e pedidos, finalmente houve o bom senso de editar em DVD o Tal Canal. Salta à vista de todos que Herman José, já não é o que era, e o Tal Canal é a prova mais óbvia. Pode ser um cliché dizer que ele é o maior comediante do nosso país, mas é verdade que o é; se nos formos a lembrar de grandes momentos cómicos de Televisão, o Herman esteve presente na esmagadora maioria deles. Eu próprio sou daqueles que foge a sete pés de ficção portuguesa, mas o que é verdade é que o Tal Canal tinha actores extraordinários, capazes do melhor quando bem dirigidos.

O que faz do Tanal assim tão bom é que acima de tudo era uma sátira da televisão portuguesa dos anos 80 e tinha muita comédia non-sense. Informação 3, O Tempo dos Mais pequenos, Jaquina Jaquina Jaquina, Cozinho Para o Povo e especialmente o Diário de Marilú, eram todos eles irrepreensíveis. Agora que já revisitei a série, sou um fã ainda maior. Aconselho todos a fazer o mesmo, para ver o humor português na sua melhor forma.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

............A Perfect.........lie.


Nip/Tuck voltou. Ao mercado de DVD em Portugal pelo menos. Este não é um daqueles casos de séries de grande sucesso do outro lado do oceano, e cá passam completamente indiferentes. É sim o caso de uma série que não admite um meio termo: ou se adora, ou se odeia. Quem odeia, lança-se à alternativa fácil de vão de escada chamada Grey's Anatomy ou outras (tantas) que tais dentro do mesmo género. Quem adora, devora. Eu sou um desses; e o que me entretém em casa agora é esta quinta série, que apesar dos seus (poucos) 14 episódios, para mim, vão ser vistos em dois dias.