A ideia de que não estaremos sozinhos no Universo, divide opinões e crenças. Os cientistas, por um lado, mais pragmáticos e "racionais", que só veem como possível a eventual certeza de haver vida inteligente lá fora; os religiosos, por outro, que tendencialmente crêem que aquela eventualidade ou não é possível ou não querem que o seja. A discussão deste tema tem ramificações várias, e implicações que não serão, obviamente, liquidas para todos. Consequente a esta discussão é o inevitável tema da religião e da crença amplamente considerada.
Tudo isto a propósito do filme Contacto, de 1997, que ontem revi, e que uma vez mais me pôs a pensar. A discussão que põe em cima da mesa, é exactamente esta: confrontados com uma mensagem misteriosa captada pela cientista Ellie Arroway, e confirmada por outros cientistas pelo mundo fora, a forma como todos lidaremos com essa eventualidade acaba por reduzir-se ao medo, à crença, à religião e à coragem. Como tal, cada personagem incorpora um esteriótipo, move-se e age como tal, numa história que evolui de uma forma alegórica para nos pôr, de facto, a discutir os exactos temas que aqui são abordados e que todos se batem por resolver.
Os referidos temas do medo, crença, religião e coragem são debatidos à exaustão pelas personagens de Jodie Foster e Matthew McConaughey, cuja química e empatia abunda, não obstante estarem nos extremos opostos da opinião. Ela, cientista, não cede na busca de sinais de vida inteligente e a completa descrença em Deus, ele, um padre, que não consegue apoiá-la.
O que Contacto faz, e bem, é não oferecer uma resposta ou uma certeza relativamente a nada; não toma o partido de nenhuma das facções, nem as afasta. Ambas são válidas, pois não há uma certeza, e apesar de divergentes, não as aborda como incompatíveis.
Acabamos o filme exactamente na mesma posição que o começámos: a levantar as questões que interessam, mas agora motivados pelo que vimos tão impecávelmente exposto. É esta a razão pela qual o cinema ainda nos apaixona; por duas horas vemos uma dissertação que diz tudo e não diz nada, que nos deixa na interrogação, que é suficientemente audaz para tocar em assuntos de natureza susceptível sem os reduzir a troça.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
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