O Dialecto está de cara lavada. Quer dizer, primeiro que tudo, não tem cara para lavar, tem uma imagem a renovar. Talvez não tenha passado tempo suficiente para justificar esta alteração, mas achei que, em todo o caso, o devia fazer. Fiel ao seu nome, e à minha missão, o dialecto continua a palrar as suas baboseiras, sujeitas e ansiosas de críticas, por crescer ser o mais importante. A linguagem é a mesma(não cedo ao acordo), os assuntos são os do costume, os leitores esperam-se ser os mesmos, e com sorte outros tantos que consiga entusiasmar.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

sábado, 2 de julho de 2011

quinta-feira, 30 de junho de 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Como prever o cancelamento - Flashforward

Quando falamos de séries, toda a gente acha que Flashforward ou ainda está activa ou que vai na segunda série. Infelizmente, ou felizmente, ficou-se pela primeira. Infelizmente porque era uma das melhores séries de 2010 - uma corrida contra o tempo, bem estruturada e executada ao estilo de 24 - felizmente, porque se tivesse continuado, poderia ter perdido grande parte da sua força, como aconteceu com Prison Break.

A história gira em torno de um apagão global de cerca de dois minutos, em que toda a gente no mundo viu o seu futuro daí a seis meses. Quando acordam, o caos é geral. Contam-se milhões de mortos e de imediato todos os que conseguiram ver o seu futuro (sim, houve quem não visse nada) entram num estado de apatia total por o futuro que viram ser-lhes completamente inconcebível, passando depois, para um esforço para tentar contrariar ou concretizar esse futuro.
Implausibilidades e improbabilidades à parte, Flashforward acaba por ser mais um ensaio à natureza humana e às diferentes formas de encarar um futuro distante mas agora conhecido.

A meio da temporada, a série perde alguma força, retomando-a nos episódios finais, com a aproximação do "Dia D". Flashforward ficará recordada, principalmente, por ter acabado totalmente em aberto; algumas respostas foram dadas, mas muitas ficaram por revelar. O problema é que nada disto foi intencional, dada a imprevisível decisão da ABC em cancelar a série por não ter o número esperado de telespectadores. Se séries com menos audiências e de muito menor qualidade se mantêm no ar há anos sem fim e sem qualquer razão aparente, o cancelamento desta, ironicamente não foi previsto.

The Surface of the Sun

terça-feira, 7 de junho de 2011

Batalha Naval?!

Quando me aventuro nas críticas de cinema, acho que me repito quando falo na crise de ideiais de Hollywood: esse entedintemento global de que as forças criativas parecem estar a migrar para o universo das séries televisivas, resumindo-se o cinema cada vez mais a sequelas, prequelas, revisitações, etc. Até aí tudo bem e parece haver uma razão compreensível.

Há uns tempos vi umas manchetes sobre um filme a lançar em 2012 chamado "Battleship". Não li a notícia em si, esperando para saber mais quando a produção começasse a andar.

Ora bem já anda. "Battleship" SÓ é Batalha Naval em Inglês, mas na minha inocência, não fiz a associação Podemos então esperar por um filme baseado no jogo de tabuleiro clássico que conta no elenco com, adivinhe-se, Rihanna e um orçamento de duzentos milhões de dólares. Tenho dito.


Smoke N' Oakum

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Obras Falhadas? Pt. 1


As adaptações de séries de culto têm sempre um sabor agridoce. Por um lado quer fazer-se homenagem a uma série que cativou um público com a sua história, personagens e diálogos, não podendo, nem devendo, ser excessivamente fiéis; por outro as reacções de todos aqueles que formaram o culto de fãs que, não obstante a curiosidade pela revisitação, acabam por sair desiludidos com a mesma.

Há vários anos em gestação, a produção do recomeço cinematográfico deste fenómeno de culto dos anos 60, Os Vingadores, enfrentou os mais variados contratempos nas suas diferentes fases: diferentes actores e realizadores estiveram associados ao projecto, rumores de falta de química entre Ralph Fiennes e Uma Thurman, uma pós produção que obrigou ao corte de mais de meia hora de filme, entre outros.

O produto final não tardou a ser trucidado pelos críticos e pelo público em geral: gritava-se que o material de origem não era respeitado, que Fiennes e Thurman foram um erro de casting, e que o maior esforço foi feito no espectáculo visual, em detrimento de um argumento coeso.

Por mais que discorde da unanimidade da crítica (especializada e leiga), reconheço que não é o melhor filme sempre, tão pouco a melhor adaptação de um material mítico. Mas essa não poderia nunca ser a intenção desta adaptação: pelo menos no primeiro caso. Ainda que ausente o carisma de Sir Patrick McNee e alguns dos diálogos incisivos da série, devo confessar que este é, sem dúvida, o primeiro filme em que penso quando se fala de guilty pleasures. Gozem, espantem-se, apontem o dedo à vontade mas este continua a ser um daqueles filmes que revejo, de tempos a tempos, ignorando em absoluto que se trata de um dos filmes mainstream mais carinhosamente odiados da última década. Os diálogos, os cenários, a música e os actores (sim, até Uma Thurman, americana com sotaque britânico irrepreensível) encarnam a chamada über britishness na perfeição.

Se a Warner Brothers foi a primeira a saltar do barco quando as críticas primeiro surgiram, que se retenha que as cada vez mais habituais decisões de última hora dar uma nova montagem a filmes nunca resulta. A versão original deste filme está num limbo há 12 anos, independentemente das petições nesse sentido. É pena. Até que essa versão veja a luz do dia, vou continuar a rever este mal-amado filme da mesma forma “culpada”(?).

Main Theme

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Nós

Sou patriota e patriota convicto. Não sei se é pelo facto de estar a viver a 15 mil kilómetros de distância ou se é por Portugal estar a passar pela sua maior crise de identidade, que este meu sentimento está especialmente acentuado. Custa ver que neste último ano nada mais parece vir de Portugal que o profundo dramatismo, inércia absoluta e vitimização sem precedentes. Não é novidade para mim nem para ninguém que estas são características do comum português que mais facilmente se deixa mergulhar no pior, quando pode tentar lutar pelo melhor.
Não se pede, sensatamente, que haja coesão política, mas que haja coesão de bom senso. É mais do que decidir o que está certo e o que está errado, é mais do que escolher Norte ou Sul, é ter um diariamente renovado sentimento de orgulho pelo lugar onde nascemos, crescemos e que nos deu as características que por mais que queiramos, não abandonamos. Se as características se tornam, na maior das vezes, tradições, não há como não ter orgulho desse nosso país. Na crise estamos emaranhados e não a podemos contornar; há que mentalizar que é um caminho que temos que fazer e que os mesmos erros não podemos repetir.
Se o “se” parece ser um ponto de partida para um qualquer raciocínio, então usemo-lo para propor um Portugal mais brioso, mais vaidoso das suas características, que venda o que tem de bom e que esse seja um processo individual. Se já era patriota, agora sou mais.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Incovenient Much?


Sensacionalismo é uma coisa, isto é tétrico.


Tram At Dawn

Muhly

É oficial, aos 29 anos, Nico Muhly é um génio do gabarito de Philip Glass.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Bale ou não?

Valerá a pena atravessar metade do mundo para vir da Europa para Bali? Os europeus que lá se encontram chegam por ser mais um ponto na sua "Backpacking Trip", outros passam lá lua de mel, outros vêm motivados pelo quão exóticos os roteiros turísticos ou os filmes fazem parecer.
Segundo a Wikipédia, a Indonésia é composta por cerca de 17.500 ilhas. O que é que faz de Bali tão especial que quase ninguém saiba sequer dizer o nome de outra ilha do país? Não há opinião unânime quanto a isto, mas é inegável que é uma concentração turística massiva, uma mistura de raças e povos impressionante sem por isso perder a sua identidade.

Numa ilha tão pequena podem satisfazer-se os gostos dos mais cosmopolitas ou dos mais zens; se bem que os primeiros saem a ganhar pela cada vez maior ocidentalização da ilha.
Valerá, por isso, a pena o preço do bilhete e o tempo da viagem? É subjectivo. Quanto a mim, não vale. Ainda assim tenho um especial carinho por aquela pequena ilha que, no espaço de dois meses, me relembrou o que é a civilização que desde Janeiro desconheço. Se é com este pano de fundo que se chega a Bali, então nada melhor. O dinheiro que já lá deixei e aquele que gastei nas viagens foi, podendo roçar a contradição, inegavelmente bem empregue. Resta saber se até Julho farei jus ao ditado popular de que "não há duas sem três".
Everything In Its Right Place - Radiohead

domingo, 10 de abril de 2011

A Árvore da Vida


O conceito da árvore da vida vem fascinando desde os primórdios da civilização. Não há religião que não tenha qualquer tipo de simbolismo associado à existência de uma árvore da qual tenha nascido a vida ou da qual emanem características regeneradoras. Crenças religiosas à parte, é facto que o tema, pelo seu claro misticismo, é um motivo que conduz a devaneios filosóficos, elaborações artísticas ou por outro lado, descrenças absolutas.

Darren Aronofsky e Terrence Mallick, cada um representante de uma geração diferente de Hollywood, abordaram este tema. Aronosky em 2006 com o sublime The Foutain – O Último Capítulo, e Mallick este ano com o muito aguardado The Tree of Life.
Aronofsky está na crista da onda por ter evoluído de realizador/autor independente com filmes como Pi ou Requiem for a Dream – A Vida não é um Sonho, para o mainstream com a sensação do ano passado Black Swan. Compreensivelmente, The Fountain terá sido, dos seus filmes, aquele que foi recebido com mais cepticismo. A complexa história contada em três sequências paralelas, com os mesmos actores, Hugh Jackman e Rachel Weisz, a encarnarem diferentes ou as mesmas (?) personagens, dividiu o público por não ser clara a abordagem a temas como a morte, o isolamento, a luta e o egoísmo. The Fountain tem aquela característica singular e obrigatória de qualquer filme com uma temática ambígua: é um filme aberto a discussões, passível de diferentes interpretações e tão arrebatador como a luta das personagens. Fiel à sua temática, o realizador concentra-se mais nas personagens e nas suas motivações, do que propriamente no meio onde se movem. Tem sido assim em todas as suas obras, não deixou de o ser em The Fountain, talvez o mais complexo e abstracto filme de Aronofsky, mas é uma verdadeira tese sobre tema, não oferecendo mais explicações do que aquelas que pode dar. De notar especialmente, a superior e reconhecida banda sonora de Clint Mansell, que ao contrário do filme, foi universalmente reconhecida como uma das melhores de 2006.

Cinco anos passados, foi a vez de Mallick, renomado realizador que apenas conta com 5 filmes em 40 anos de carreira, enveredar pelo tema. Brad Pitt, que inicialmente esteve vinculado a The Fountain, mas que desistiu por conflitos de agenda com Tróia, lidera agora o elenco deste novo filme que deixa ver, mais uma vez, o apurado sentido visual de Mallick, aliado à abordagem intimista que também lhe é característica. Pouco se sabe da história, mas Mallick quer mostrar algo completamente novo. O Trailer já lançado é um dos mais complexos e visualmente ricos de que há memória; se isso se vai reflectir em sucesso garantido é obviamente difícil de dizer, mas é esperado que como é comum à obra de Mallick e a este tema em concreto, que as opiniões sejam divididas e o produto final, controverso.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

The Timor Experience; Parte 4 - Oscars


Depois de um mês cujas entradas no blog foram inexistentes, não por falta de assunto ou oportunidade, mas por esquecimento absoluto, um dos acontecimentos do ano levou-me a querer voltar a este espaço e desbobinar sobre uma das minhas paixões: o cinema.
Há já 13 anos que a madrugada dos Óscars é uma directa obrigatória que não dispenso. Não se trata de subscrever inteiramente as escolhas Academia, tão pouco concordar com os lobbys que todos os anos, e cada vez mais, se estabelecem, mas sim fazer parte, de forma distante, da noite que celebra o Cinema. Dada a crise de ideias ou a falta de interesse que cada vez mais é patente no Cinema, há anos que, invariavelmente, pecam pela previsibilidade dos vencedores ou pela falta de entusiasmo nos nomeados. O que fez do alinhamento deste ano mais sumarento foi exactamente o oposto; a variedade de filmes de qualidade nomeados e uma maior incerteza nos vencedores. Num ano em que na linha da frente dos nomeados estavam filmes como A Rede Social, Inception, O Discurso do Rei, Os Miúdos Estão Bem, Black Swan, Indomável ou The Fighter, apesar de haver claros favoritos em categorias específicas, (quase) não haviam certezas absolutas. Prova disso é que muitos apontavam para a vitória indubitável d'A Rede Social, que acabou por ir parar, merecidamente, às mãos d' O Discurso do Rei. Mas o que me deu especial gozo este ano, foi saber que se ao invés da vitória deste tivesse ganho A Rede Social, Os Miúdos estão Bem ou (o meu favorito) Inception, seria igualmente justo.
Claro que a parte dos lobbys entra com a vitória, discutível, de Trent Razznor e Atticus Ross para melhor banda sonora por A Rede Social, numa clara compensação pelos prémios principais perdidos. Mas é lugar-comum e certeza absoluta aquela velha máxima de que pela subjectividade, os vencedores não se traduzem nos melhores.

Mais sui generis do que isto, só o ter, pela primeira vez nos ditos 13 anos, "visto" os Óscars por actualizações na net durante o horário de trabalho. É verdade. Estar quase nos antípodas do local da cerimónia tem destas coisas: ainda que sabendo os vencedores na mesma altura, em bom rigor, só os soube na manhã seguinte como a maioria dos portugueses!

Mombasa

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

The Timor Experience; Parte 3 - Fun Facts - Pulsa

Em Timor, a electricidade(pulsa), tal como os telefones, tem de ser pré-paga. Se nos distraímos com o que vamos gastando em luz e ar condicionado pode acontecer, como se passou esta semana, que fiquemos sem luz a meio do jantar. A única forma de resolver, é ir comprar electricidade, inserir uns códigos que nos dão no contador (geralmente há dois em casa), e voilá! Pulsa por créditos! Como desconhecíamos este facto divertido, e já não podíamos ir comprá-la, xixi cama.




Arena

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cinema "nos antípodas" - I

Tron: O Legado

Não é a primeira vez que aqui falo do meu entusiasmo juvenil com o mais recente filme de ficção científica da Disney. Aproveitando a bagagem de Jeff Bridges e a sua vitória nos Óscars do ano passado, a Disney achou por bem ir buscar um seu filme de culto, de modesto sucesso dos anos 80, filmá-lo com as mais recentes tecnologias 3D e os efeitos especiais mais caros do mercado. Qualquer fã de ficção científica que se preze, ao ver o trailer há quase um ano atrás, ficou em pulgas. Mesmo sabendo que não podíamos esperar algo na linha de Blade Runner ou Minority Report, o frenesim visual e sonoro bem como o factor guilty pleasure estaria assegurado.
O objectivo a que se propôs tinha tudo para correr mal; mas felizmente tudo correu bem. Enquanto filme de serão cinematográfico tardio, é do melhor que o género nos tem dado nos últimos tempos. O desconhecido Joseph Kosinsky revela um apurado sentido visual, tomando um melhor partido de um argumento raquítico e confuso e transformando-o numa aventura eficaz, divertida e imparável. Além da irrepreensível produção visual o que mais aqui se destaca é, obviamente, a banda sonora do duo francês Daft Punk. Já falei dos merecidos e insuficientes méritos dessa composição no post anterior, mas não é demais reiterar. Como qualquer filme de grande produção na Hollywood dos dias de hoje, os produtores começam imediatamente a pensar em trilogias, veja-se o caso da saga de os Piratas das Caraíbas ou da prequela de Alien que Ridley Scott está a preparar. Se é disso que Hollywood precisa, é duvidoso, atendendo à crise de ideias que actualmente corre, mas se é bem-vindo do ponto de vista financeiro e de entretenimento leve, isso já é outra história. Tron, o Legado foi, sem dúvida.



The A-Team – Esquadrão Classe A


A história, a série e os personagens dispensam de qualquer tipo de apresentação. A A-Team foi um dos maiores ícones que a década de 80 trouxe para a cultura mundial. Numa altura em que famílias inteiras se sentavam à frente da televisão para, semanalmente, assistirem a um novo episódio de séries como MacGyver ou Quem Sai aos Seus, o Esquadrão Classe A tinha uma igual fama e legião de seguidores. A adaptação ao cinema com um robusto orçamento tardou (por disputas legais e de calendário), mas não falhou, tendo chegado esta, pela mão do serviçal Joe Carnahan.
Se tinha algumas reservas a propósito do projecto, a leveza e a despreocupação da abordagem neste caso resultaram na perfeição. Um casting perfeito, um elenco robusto e consistente, um pulso firme e eficaz na realização e uma constante sensação de divertimento era exactamente aquilo que se pedia. Longe de ser o filme mais perfeito de sempre, e também não sendo o melhor do género, funciona muito bem enquanto distracção e respeito pelo produto original. Nunca, na corrente de adaptações de séries de culto dos últimos tempos, se pode ser absolutamente idêntico na abordagem ao material de base, mas sendo-se concordante ou respeitador, é já um grande passo, ainda que saibamos, de antemão, que não é possível agradar a gregos e a troianos.



Chloe


Chegado ao terceiro filme que vi, e que agora analiso, reparo que todos eles têm por base material já publicado pela mão de outros cineastas. No caso de Chloe, estamos perante um remake do filme francês de 2004 Nathalie, que conheceu uma limitada distribuição nos Estados Unidos, cuja receita em pré-reservas de bilhetes pagou o orçamento de 10 milhões de dólares. Mais importante que qualificá-lo como thriller psicológico ou drama familiar, do ponto de vista cinematográfico, Chloe é um filme de autor. Atom Egoyan, é daqueles realizadores cuja fama o precede. Além de uma fortíssima componente estilística, que vai desde o significado de certos planos visuais ao uso de certas cores ou objectos, as acções, expressões e maneirismos dos seus personagens dizem mais que os seus diálogos. Um trio de actores que exemplarmente encarna as personagens dando-lhes a necessária projecção sentimental e fundo dramático, confere uma completude a um projecto que assenta nos seus intérpretes.
Chloe atraiu-me, imediatamente com o seu trailer. Em vez das montagens habituais, um excerto de dois minutos de uma complexa cena, publicitava o filme. Se este é um projecto autoral e intimista, então a coerência do projecto partiu logo da maneira como foi vendido. Durante o filme, os acontecimentos vão desencadeando-se de forma mais ou menos, chamemos-lhe, “crível”, mas uma vez terminado, é daqueles filmes que permanece na memória, dando azo a discussões ainda que a história fique plenamente resolvida.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Adagio a D - Punk - Tron Legacy OST

Tinha uma série de posts alinhavados para hoje. Filmes que trouxe e já vi desde a minha chegada a Timor. Ficam para amanhã. Hoje, sinto-me forçado a escrever sobre uma das melhores descobertas a nível de bandas sonoras dos últimos tempos.

O meu lado infantil estava numa enorme antecipação para ver Tron: O Legado, sequela a um filme B de culto dos anos 80, que a Disney resolveu investir como grande proposta de Inverno. Foi anunciado, logo de início, que a dupla francesa Daft Punk iria compor a banda sonora para este filme; escolha óbvia e agora plenamente justificada.

Os Daft Punk criaram mais do que um simbiótico ambiente tecnológico para este filme, criaram uma obra, suficientemente autónoma e adulta que lhes rendeu os mais unânimes elogios da crítica especializada. Mais do que as influências electrónicas necessárias dada a temática, há marcados traços e influências de Hans Zimmer, Vangelis e Maurice Jarre que encaixam que nem uma luva no material de destino e conferem um cariz épico e inesquecível ao projecto.
Como exemplo máximo da eficácia deste trabalho, está a forma como o filme foi montado. Em cinema, a música é composta ou adaptada conforme a montagem final do filme. Aqui, esses cortes foram feitos de acordo com o material composto pelos Daft Punk. Práctica nada comum, mas uma vez ouvidas as peças, justifica-se inteiramente. Faixas como The Fall, Recognizer, C.L.U. e Adagio For Tron destacam-se num trabalho sem partes fracas.

Como exemplo último e final, é este Encom, Part II que, não obstante a curta duração, é de uma riqueza invulgar e viciante por isso mesmo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

The Timor Experience; Parte 2 - A Partida

Chegado o dia da antecipada partida, lá agarrei nas minhas tralhas e fui direito à minha próxima casa. Depois de uma muito rápida paragem em Paris, segui para Singapura, onde ficaria uma noite. Uma vez com 11 horas de escala pela frente, achámos por bem ir dar uma volta pela cidade, pois podíamos não voltar a ter esta oportunidade. De mapa na mão e esquecendo o cansaço acumulado, saímos do hotel perguntando a locais qual o melhor caminho para o centro, ou quais os sítios indispensáveis para visitar, já que só tínhamos essas 11 horas.
A primeira pessoa que nos ajudou, uma senhora que acabava de estacionar o carro em que trazia toda a família, imediatamente chamou o filho para dizer quais os sítios ideias para ir. Como percebeu que tínhamos pouco tempo para ter uma ideia da cidade, convidou-nos, primeiro, para jantar e depois convenceu o filho a fazer de cicerone, numa rápida mas completa excursão. Singapura é uma cidade como nunca tinha visto; de uma organização e civilização gritantes, em que o mais simples dos habitantes está disposto a ajudar. É pouco vulgar chegar a um sítio tão estrangeiro e imediatamente sentir uma empatia pelo local, pela arquitectura e pela originalidade de tudo o que nos rodeia. À falta de melhor palavra, Singapura é isso mesmo, uma cidade original.
Depois de uma visita guiada que durou até às 2 da manhã, tivemos que voltar ao hotel para dormir um par de horas, tomar um duche e preparar para mais 4 horas de voo direito ao destino final.
Se tive e tenho dificuldades em descrever, no seu todo, a rápida mas esmagadora impressão que tive da minha anterior paragem, não me sinto mais inspirado para descrever a última. Dili não foi o destino desejado se me fosse dada a escolha, tão pouco era um destino hipotético. Foi uma surpresa que obrigou a 3 semanas de mentalização até à partida. Aterrado no outro lado do mundo, a quase meio dia de distância de todos e tudo o que me é próximo, não podia estar numa apatia maior. Não obstante a enorme comunidade portuguesa, a diversidade de nacionalidades e uma cultura que ainda mostra muitos sinais da nossa influência, o encaixe num destino longínquo e tropical como este é (não redundantemente) estrangeiro.
Timor, na boca dos que já o viveram, é um país que constitui uma experiência de vida única, com uma energia e uma vida singulares que supera qualquer expectativa que se possa ter formulado. É uma experiência cuja energia e vida estou à espera de receber.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

The Timor Experience; Parte 1 - Inov?


Pela segunda vez na vida, achei por bem investir na internacionalização. Cada vez mais me convenço que, mais do que uma vontade de viver uma realidade diferente e viajar facilitadamente, é uma predisposição ou inclinação para ir viver no estrangeiro.

Nos tempos idos de Erasmus, tinha como critério que o lugar que escolhesse para estudar por seis meses fosse o mais longe ou diferente de Portugal possível; evitei, por isso, Espanhas e Franças. Depois de 6 meses na Áustria, a missão a que me tinha proposto, estava plenamente cumprida. Uma experiência única, amigos com quem mantenho contacto regular e um arrepio na espinha a cada vez que penso voltar. Foi um sítio que me disse muito, que me obrigou a crescer e onde criei hábitos que hoje, 4 anos depois, vejo-me a manter.

A faculdade acabou, a vida de trabalhador começou, a vontade de voltar para o estrangeiro não morreu. Além da vontade, nem os motivos são os mesmos. Assim, increvi-me no prgrama Inov-Contacto, para tentar, uma segunda vez e em moldes não tão diferentes, vir para o estrangeiro. Sabia que, profissionalmente, os destinos para os quais pudesse ser "enviado", não coincidiriam com os que pessoalmente eram os eleitos.
A cerimónia de informação dos destinos foi absolutamente única pois estava tudo em aberto; as nossas escolhas não contavam nada para a ponderação e ali, em pouco mais de uma hora e meia, comunicaram a 560 pessoas qual o seu destino para os seis meses seguintes.
O anúncio foi feito, por países, alfabeticamente. Quando acabaram a letra S e as esmagadora maioria das zonas do mundo já estava coberta, não conseguia já imaginar onde seria colocado; só me passava pela cabeça "Zimbabwe"
Quando anunciaram o meu nome, associado a Timor-Leste, fiquei num estado de abstracção total e absoluta. Estava longe de o considerar como um destino possível, longe de o considerar como um destino apetecível e em 10 segundos que pareceram dez horas, tudo me passou pela cabeça.

Quando alguém se candidata a um programa como estes, tem que haver a mentalização de que podemos ser colocados em qualquer parte do mundo, mais do que isso, temos que nos conformar com esse destacamento e acatá-lo. Agora, já chegado ao destino, e iniciada a adaptação, resta aproveitar, ou tirar o melhor partido, desta experiência.

Ditto.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

The Results of Micromanaging - Os Miúdos Estão Bem

Desde que vemos, pela primeia vez, o trailer deste "Os Miúdos Estão Bem", de Lisa Cholodenko, é despertada em nós a curiosidade do tom leve com que é abordado o tema central. Implacável a escrever diálogos mordazes e inteligentes e a dirigir histórias com relações complexas e cruzadas, Cholodenko voltou ao registo de Atracção Acidental - Laurel Canyon, onde se nota o à vontade. Tal como naquele filme, temos aqui uma mistura de actores conceituados, com outros que estão a crescer para papéis de relevo. Além da certeira e habitualmente implacável mão de Cholodenko, o filme é uma ode a Annette Bening (a chamar pelo Óscar) e a Mia Wasikowska, que com apenas 21 anos já conseguiu, merecidamente, encaranar no cinema duas personagens do conhecimento geral - Alice no País das Maravilhas e Jane Eyre.

Say So

domingo, 21 de novembro de 2010

Obra Inacabada - Harry Potter e os Talismãs da Morte, Parte 1

Qual a melhor das adaptações cinematográficas de Harry Potter?
Não vamos nunca encontrar uma uma resposta que seja, obviamente líquida. Contamos já 7 filmes de 8, com abordagens, realizadores e equipas técnicas diferentes que vieram trazer adaptações mais ou menos fiéis e mais ou menos negras ao material de base.
O que é facto é que a saga de Harry Potter há muito que deixou de ser dirigida ao público infantil. Se há 9 anos atrás, altura da primeira adaptação, a temática e o público alvo enquadravam-na no género infantil, o crescimento da personagem, os desenvolvimentos da história e a necessidade de adaptação da temática afastaram-na desse género inicial. O público alvo de Potter é já adulto, assim como o restante público que, sendo mais velho, acabou por viciar-se no universo criado por J.K. Rowling.

Esta primeira parte d'Os Talismãs da Morte não está, pela primeira vez na série, absolutamente restringida pelo forçoso corte de enredos na adaptação cinematográfica. O último livro da série é necessária e obviamente o mais complexo e exigia um tratamento mais cuidado. A adaptação em duas partes, não era por isso, e contrariamente às opiniões destrutivas, uma manobra para auferir mais uns cobres; é uma necessidade - condensar-se toda a história num só filme, fragilizaria uma história, que por estar a terminar, não pode deixar àqueles que não a leram, pontas soltas ou partes inacabadas.
Desde que o desconhecido David Yates ingressou na série, esta tomou um rumo mais intimista, mantendo o tom negro (introduzido por Cuarón em O Prisioneiro de Azkaban) que era inevitável, dados os conflitos internos da personagem principal, e a conjuntura da história criada por um medo generalizado a uma personagem, poucas vezes vista, mas cuja fama está sempre presente. Esta primeira parte d'Os Talismãs da Morte será por isso a mais intimista e parada das adaptações, não sendo isso, de todo, um defeito, antes pelo contrário. Para que se percebam, de facto, as motivações de cada um, é necessária que seja criada essa atmosfera envolvente.
Visualmente, e como tem sido apanágio da série, o filme é irrepreensível; a direcção artistica do veterano Stuart Craig é irreprensível, bem como a fotografia do português Eduardo Serra. Mas o ponto alto do filme, sem qualquer tipo de dúvida, é uma sequência de cerca de 5 minutos, em que é contada uma lenda do mundo da magia, não em acção real, mas numa animação de computador gótica, muito ao estilo de Tim Burton e Henry Selick, que destoando do mundo de Potter, destaca-se por essa característica.

À semelhança de qualquer dos outros filmes de Potter, este não é um filme autónomo. Está inserido numa sequência que não acompanharão os estranhos a este universo, e é o mais inacabado dos filmes por terminar a meio de uma história.

Que seria uma tortura para todos (nós) os fãs da saga, não era propriamente uma novidade, mas esperar até Julho pela continuidade desta magnífica conclusão é um exercício a que o cinema não nos punha à prova há muito tempo.

The Oblivation

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Máquina do Tempo

Alguém, cada vez mais incerto quem, resolveu criar um efeito onda no Facebook: convencer toda a gente a mudar a fotografia de perfil para uma personagem de banda desenhada de infância. Depois de Farmvilles, Mafia Wars, entrevistas e outras aplicações que cansam a paciência que qualquer comum mortal, finalmente uma ideia simples, eficaz e contagiante.

Dartacão

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fenómeno ou "The" ´Fenómeno? - "A Rede Social"

Pode ser uma palavra usada à exaustão sempre que se queira caracterizar ou rotular um movimento de massas, mas em nenhum outro encaixa mais do que com o Facebook. Dispensando apresentações e aparentemente inabalável ao decurso do tempo, não estranha que, passado pouco tempo desde a sua implementação, que Hollywood fosse buscar a história dos seus criadores para lucrar uns milhões, conferir mais mística ao instituto e dar a conhecer de forma dramatizada (?) o seu percurso. Numa verdadeira roda viva desde que assinou, há dois anos, o superior "O Estranho Caso de Benjamin Button", David Fincher não seria uma escolha óbvia ou previsível para conduzir esta adaptação ao cinema. Nomes como Chris Columbus, Ron Howard, os costumeiros "adaptadores" de projectos de massa, não deitaram as mãos a um projecto que benificiou por isso mesmo. O toque negro, cru e inteligente de Fincher encaixou que nem uma luva numa história cujos intervenientes são movidos pela ganância misturada com frustrações pessoais e gosto pelo voyeurismo, que, não acaba por diferir muito das personagens por si dirigidas em obras primas anteriores.
Quanto de verdade estará numa história verídica, primeiramente transposta para o livro "The Accidental Billionaires" de Ben Mezrich e depois adaptada para o cinema, está obviamente aberta a discussão e é alvo de especulações, mas enquanto exercício de análise ao fenómeno actual, the Social Network é um pequeno grande filme, inteligente, voraz e crítico a um vício de massas que não mostra sinais de abrandamento.

Creep

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Regresso à "Casa"

É certamente impossível definirmos o sítio onde mais nos sentimos completos, onde somos ou fomos mais felizes; mas é seguro que vários são os lugares que nos completam. Aqueles lugares que, em determinados momentos da nossa vida nos acolheram, nos serviram de tecto, onde vivemos experiências únicas e que por isso mesmo não podemos revisitar, senão fisicamente.

Esta semana, regressei a um desses sítios. Onde durante seis meses vivi, longe de tudo o que me era familiar, embrenhado num desconhecimento geográfico, perdido numa tradução verbal, mas concentrado num salto transicional abrindo um novo capítulo da minha vida. O salto, que tive a sorte de conseguir dar, devido a esta experiência que sabia ser temporária, pelas mais variadas razões que a muitos serão compreensíveis, só ao próprio é significativo na sua plenitude.
Quatro anos depois, o choque emocional foi maior do que o imaginado. Sabendo já de antemão que o encanto não poderia ser o mesmo, a energia que prespassva do ar consumiu de tal forma que as consequências não se fizeram sentir de imediato, mas só quando o momento da partida se aproximou. A vontade de partir era nenhuma, as saudades eram indescritíveis, o regresso era inevitável. Feliz ou infelizmente, não podemos viver ad eternum num sonho que teve o seu momento. Talvez seja essa mesma a razão de ser deste capítulo que se fechou. Uma história que, com a duração de seis meses, englobou um crescimento cultural, linguístico e emocional, até à data, sem paralelo. O gosto que dá voltar a esse lugar e explorá-lo como se fosse a primeira vez, cimentando e até aumentando um fascínio que a distância proporcionou; assistir à reacção esmagadora daqueles que ainda não tinham visto uma cidade cuja extrema beleza física esconde uma química inevitável. O que vivi pode não ser recuperável, mas o que adquiri é impossível ser devolvido. Este é, lá está, um daqueles fragmentos de que não me volto a separar, não só porque não posso, como também porque não quero.


Hoppipolla