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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
The Timor Experience; Parte 3 - Fun Facts - Pulsa
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Cinema "nos antípodas" - I
Tron: O Legado
Não é a primeira vez que aqui falo do meu entusiasmo juvenil com o mais recente filme de ficção científica da Disney. Aproveitando a bagagem de Jeff Bridges e a sua vitória nos Óscars do ano passado, a Disney achou por bem ir buscar um seu filme de culto, de modesto sucesso dos anos 80, filmá-lo com as mais recentes tecnologias 3D e os efeitos especiais mais caros do mercado. Qualquer fã de ficção científica que se preze, ao ver o trailer há quase um ano atrás, ficou em pulgas. Mesmo sabendo que não podíamos esperar algo na linha de Blade Runner ou Minority Report, o frenesim visual e sonoro bem como o factor guilty pleasure estaria assegurado.
O objectivo a que se propôs tinha tudo para correr mal; mas felizmente tudo correu bem. Enquanto filme de serão cinematográfico tardio, é do melhor que o género nos tem dado nos últimos tempos. O desconhecido Joseph Kosinsky revela um apurado sentido visual, tomando um melhor partido de um argumento raquítico e confuso e transformando-o numa aventura eficaz, divertida e imparável. Além da irrepreensível produção visual o que mais aqui se destaca é, obviamente, a banda sonora do duo francês Daft Punk. Já falei dos merecidos e insuficientes méritos dessa composição no post anterior, mas não é demais reiterar. Como qualquer filme de grande produção na Hollywood dos dias de hoje, os produtores começam imediatamente a pensar em trilogias, veja-se o caso da saga de os Piratas das Caraíbas ou da prequela de Alien que Ridley Scott está a preparar. Se é disso que Hollywood precisa, é duvidoso, atendendo à crise de ideias que actualmente corre, mas se é bem-vindo do ponto de vista financeiro e de entretenimento leve, isso já é outra história. Tron, o Legado foi, sem dúvida.
The A-Team – Esquadrão Classe A

A história, a série e os personagens dispensam de qualquer tipo de apresentação. A A-Team foi um dos maiores ícones que a década de 80 trouxe para a cultura mundial. Numa altura em que famílias inteiras se sentavam à frente da televisão para, semanalmente, assistirem a um novo episódio de séries como MacGyver ou Quem Sai aos Seus, o Esquadrão Classe A tinha uma igual fama e legião de seguidores. A adaptação ao cinema com um robusto orçamento tardou (por disputas legais e de calendário), mas não falhou, tendo chegado esta, pela mão do serviçal Joe Carnahan.
Se tinha algumas reservas a propósito do projecto, a leveza e a despreocupação da abordagem neste caso resultaram na perfeição. Um casting perfeito, um elenco robusto e consistente, um pulso firme e eficaz na realização e uma constante sensação de divertimento era exactamente aquilo que se pedia. Longe de ser o filme mais perfeito de sempre, e também não sendo o melhor do género, funciona muito bem enquanto distracção e respeito pelo produto original. Nunca, na corrente de adaptações de séries de culto dos últimos tempos, se pode ser absolutamente idêntico na abordagem ao material de base, mas sendo-se concordante ou respeitador, é já um grande passo, ainda que saibamos, de antemão, que não é possível agradar a gregos e a troianos.
Chloe

Chegado ao terceiro filme que vi, e que agora analiso, reparo que todos eles têm por base material já publicado pela mão de outros cineastas. No caso de Chloe, estamos perante um remake do filme francês de 2004 Nathalie, que conheceu uma limitada distribuição nos Estados Unidos, cuja receita em pré-reservas de bilhetes pagou o orçamento de 10 milhões de dólares. Mais importante que qualificá-lo como thriller psicológico ou drama familiar, do ponto de vista cinematográfico, Chloe é um filme de autor. Atom Egoyan, é daqueles realizadores cuja fama o precede. Além de uma fortíssima componente estilística, que vai desde o significado de certos planos visuais ao uso de certas cores ou objectos, as acções, expressões e maneirismos dos seus personagens dizem mais que os seus diálogos. Um trio de actores que exemplarmente encarna as personagens dando-lhes a necessária projecção sentimental e fundo dramático, confere uma completude a um projecto que assenta nos seus intérpretes.
Chloe atraiu-me, imediatamente com o seu trailer. Em vez das montagens habituais, um excerto de dois minutos de uma complexa cena, publicitava o filme. Se este é um projecto autoral e intimista, então a coerência do projecto partiu logo da maneira como foi vendido. Durante o filme, os acontecimentos vão desencadeando-se de forma mais ou menos, chamemos-lhe, “crível”, mas uma vez terminado, é daqueles filmes que permanece na memória, dando azo a discussões ainda que a história fique plenamente resolvida.
Não é a primeira vez que aqui falo do meu entusiasmo juvenil com o mais recente filme de ficção científica da Disney. Aproveitando a bagagem de Jeff Bridges e a sua vitória nos Óscars do ano passado, a Disney achou por bem ir buscar um seu filme de culto, de modesto sucesso dos anos 80, filmá-lo com as mais recentes tecnologias 3D e os efeitos especiais mais caros do mercado. Qualquer fã de ficção científica que se preze, ao ver o trailer há quase um ano atrás, ficou em pulgas. Mesmo sabendo que não podíamos esperar algo na linha de Blade Runner ou Minority Report, o frenesim visual e sonoro bem como o factor guilty pleasure estaria assegurado.O objectivo a que se propôs tinha tudo para correr mal; mas felizmente tudo correu bem. Enquanto filme de serão cinematográfico tardio, é do melhor que o género nos tem dado nos últimos tempos. O desconhecido Joseph Kosinsky revela um apurado sentido visual, tomando um melhor partido de um argumento raquítico e confuso e transformando-o numa aventura eficaz, divertida e imparável. Além da irrepreensível produção visual o que mais aqui se destaca é, obviamente, a banda sonora do duo francês Daft Punk. Já falei dos merecidos e insuficientes méritos dessa composição no post anterior, mas não é demais reiterar. Como qualquer filme de grande produção na Hollywood dos dias de hoje, os produtores começam imediatamente a pensar em trilogias, veja-se o caso da saga de os Piratas das Caraíbas ou da prequela de Alien que Ridley Scott está a preparar. Se é disso que Hollywood precisa, é duvidoso, atendendo à crise de ideias que actualmente corre, mas se é bem-vindo do ponto de vista financeiro e de entretenimento leve, isso já é outra história. Tron, o Legado foi, sem dúvida.
The A-Team – Esquadrão Classe A

A história, a série e os personagens dispensam de qualquer tipo de apresentação. A A-Team foi um dos maiores ícones que a década de 80 trouxe para a cultura mundial. Numa altura em que famílias inteiras se sentavam à frente da televisão para, semanalmente, assistirem a um novo episódio de séries como MacGyver ou Quem Sai aos Seus, o Esquadrão Classe A tinha uma igual fama e legião de seguidores. A adaptação ao cinema com um robusto orçamento tardou (por disputas legais e de calendário), mas não falhou, tendo chegado esta, pela mão do serviçal Joe Carnahan.
Se tinha algumas reservas a propósito do projecto, a leveza e a despreocupação da abordagem neste caso resultaram na perfeição. Um casting perfeito, um elenco robusto e consistente, um pulso firme e eficaz na realização e uma constante sensação de divertimento era exactamente aquilo que se pedia. Longe de ser o filme mais perfeito de sempre, e também não sendo o melhor do género, funciona muito bem enquanto distracção e respeito pelo produto original. Nunca, na corrente de adaptações de séries de culto dos últimos tempos, se pode ser absolutamente idêntico na abordagem ao material de base, mas sendo-se concordante ou respeitador, é já um grande passo, ainda que saibamos, de antemão, que não é possível agradar a gregos e a troianos.
Chloe

Chegado ao terceiro filme que vi, e que agora analiso, reparo que todos eles têm por base material já publicado pela mão de outros cineastas. No caso de Chloe, estamos perante um remake do filme francês de 2004 Nathalie, que conheceu uma limitada distribuição nos Estados Unidos, cuja receita em pré-reservas de bilhetes pagou o orçamento de 10 milhões de dólares. Mais importante que qualificá-lo como thriller psicológico ou drama familiar, do ponto de vista cinematográfico, Chloe é um filme de autor. Atom Egoyan, é daqueles realizadores cuja fama o precede. Além de uma fortíssima componente estilística, que vai desde o significado de certos planos visuais ao uso de certas cores ou objectos, as acções, expressões e maneirismos dos seus personagens dizem mais que os seus diálogos. Um trio de actores que exemplarmente encarna as personagens dando-lhes a necessária projecção sentimental e fundo dramático, confere uma completude a um projecto que assenta nos seus intérpretes.
Chloe atraiu-me, imediatamente com o seu trailer. Em vez das montagens habituais, um excerto de dois minutos de uma complexa cena, publicitava o filme. Se este é um projecto autoral e intimista, então a coerência do projecto partiu logo da maneira como foi vendido. Durante o filme, os acontecimentos vão desencadeando-se de forma mais ou menos, chamemos-lhe, “crível”, mas uma vez terminado, é daqueles filmes que permanece na memória, dando azo a discussões ainda que a história fique plenamente resolvida.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Adagio a D - Punk - Tron Legacy OST
Tinha uma série de posts alinhavados para hoje. Filmes que trouxe e já vi desde a minha chegada a Timor. Ficam para amanhã. Hoje, sinto-me forçado a escrever sobre uma das melhores descobertas a nível de bandas sonoras dos últimos tempos.
O meu lado infantil estava numa enorme antecipação para ver Tron: O Legado, sequela a um filme B de culto dos anos 80, que a Disney resolveu investir como grande proposta de Inverno. Foi anunciado, logo de início, que a dupla francesa Daft Punk iria compor a banda sonora para este filme; escolha óbvia e agora plenamente justificada.
Os Daft Punk criaram mais do que um simbiótico ambiente tecnológico para este filme, criaram uma obra, suficientemente autónoma e adulta que lhes rendeu os mais unânimes elogios da crítica especializada. Mais do que as influências electrónicas necessárias dada a temática, há marcados traços e influências de Hans Zimmer, Vangelis e Maurice Jarre que encaixam que nem uma luva no material de destino e conferem um cariz épico e inesquecível ao projecto.
Como exemplo máximo da eficácia deste trabalho, está a forma como o filme foi montado. Em cinema, a música é composta ou adaptada conforme a montagem final do filme. Aqui, esses cortes foram feitos de acordo com o material composto pelos Daft Punk. Práctica nada comum, mas uma vez ouvidas as peças, justifica-se inteiramente. Faixas como The Fall, Recognizer, C.L.U. e Adagio For Tron destacam-se num trabalho sem partes fracas.
Como exemplo último e final, é este Encom, Part II que, não obstante a curta duração, é de uma riqueza invulgar e viciante por isso mesmo.
O meu lado infantil estava numa enorme antecipação para ver Tron: O Legado, sequela a um filme B de culto dos anos 80, que a Disney resolveu investir como grande proposta de Inverno. Foi anunciado, logo de início, que a dupla francesa Daft Punk iria compor a banda sonora para este filme; escolha óbvia e agora plenamente justificada.
Os Daft Punk criaram mais do que um simbiótico ambiente tecnológico para este filme, criaram uma obra, suficientemente autónoma e adulta que lhes rendeu os mais unânimes elogios da crítica especializada. Mais do que as influências electrónicas necessárias dada a temática, há marcados traços e influências de Hans Zimmer, Vangelis e Maurice Jarre que encaixam que nem uma luva no material de destino e conferem um cariz épico e inesquecível ao projecto.
Como exemplo máximo da eficácia deste trabalho, está a forma como o filme foi montado. Em cinema, a música é composta ou adaptada conforme a montagem final do filme. Aqui, esses cortes foram feitos de acordo com o material composto pelos Daft Punk. Práctica nada comum, mas uma vez ouvidas as peças, justifica-se inteiramente. Faixas como The Fall, Recognizer, C.L.U. e Adagio For Tron destacam-se num trabalho sem partes fracas.
Como exemplo último e final, é este Encom, Part II que, não obstante a curta duração, é de uma riqueza invulgar e viciante por isso mesmo.
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
The Timor Experience; Parte 2 - A Partida
Chegado o dia da antecipada partida, lá agarrei nas minhas tralhas e fui direito à minha próxima casa. Depois de uma muito rápida paragem em Paris, segui para Singapura, onde ficaria uma noite. Uma vez com 11 horas de escala pela frente, achámos por bem ir dar uma volta pela cidade, pois podíamos não voltar a ter esta oportunidade. De mapa na mão e esquecendo o cansaço acumulado, saímos do hotel perguntando a locais qual o melhor caminho para o centro, ou quais os sítios indispensáveis para visitar, já que só tínhamos essas 11 horas.A primeira pessoa que nos ajudou, uma senhora que acabava de estacionar o carro em que trazia toda a família, imediatamente chamou o filho para dizer quais os sítios ideias para ir. Como percebeu que tínhamos pouco tempo para ter uma ideia da cidade, convidou-nos, primeiro, para jantar e depois convenceu o filho a fazer de cicerone, numa rápida mas completa excursão. Singapura é uma cidade como nunca tinha visto; de uma organização e civilização gritantes, em que o mais simples dos habitantes está disposto a ajudar. É pouco vulgar chegar a um sítio tão estrangeiro e imediatamente sentir uma empatia pelo local, pela arquitectura e pela originalidade de tudo o que nos rodeia. À falta de melhor palavra, Singapura é isso mesmo, uma cidade original.
Depois de uma visita guiada que durou até às 2 da manhã, tivemos que voltar ao hotel para dormir um par de horas, tomar um duche e preparar para mais 4 horas de voo direito ao destino final.
Se tive e tenho dificuldades em descrever, no seu todo, a rápida mas esmagadora impressão que tive da minha anterior paragem, não me sinto mais inspirado para descrever a última. Dili não foi o destino desejado se me fosse dada a escolha, tão pouco era um destino hipotético. Foi uma surpresa que obrigou a 3 semanas de mentalização até à partida. Aterrado no outro lado do mundo, a quase meio dia de distância de todos e tudo o que me é próximo, não podia estar numa apatia maior. Não obstante a enorme comunidade portuguesa, a diversidade de nacionalidades e uma cultura que ainda mostra muitos sinais da nossa influência, o encaixe num destino longínquo e tropical como este é (não redundantemente) estrangeiro.
Timor, na boca dos que já o viveram, é um país que constitui uma experiência de vida única, com uma energia e uma vida singulares que supera qualquer expectativa que se possa ter formulado. É uma experiência cuja energia e vida estou à espera de receber.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
The Timor Experience; Parte 1 - Inov?

Pela segunda vez na vida, achei por bem investir na internacionalização. Cada vez mais me convenço que, mais do que uma vontade de viver uma realidade diferente e viajar facilitadamente, é uma predisposição ou inclinação para ir viver no estrangeiro.
Nos tempos idos de Erasmus, tinha como critério que o lugar que escolhesse para estudar por seis meses fosse o mais longe ou diferente de Portugal possível; evitei, por isso, Espanhas e Franças. Depois de 6 meses na Áustria, a missão a que me tinha proposto, estava plenamente cumprida. Uma experiência única, amigos com quem mantenho contacto regular e um arrepio na espinha a cada vez que penso voltar. Foi um sítio que me disse muito, que me obrigou a crescer e onde criei hábitos que hoje, 4 anos depois, vejo-me a manter.
A faculdade acabou, a vida de trabalhador começou, a vontade de voltar para o estrangeiro não morreu. Além da vontade, nem os motivos são os mesmos. Assim, increvi-me no prgrama Inov-Contacto, para tentar, uma segunda vez e em moldes não tão diferentes, vir para o estrangeiro. Sabia que, profissionalmente, os destinos para os quais pudesse ser "enviado", não coincidiriam com os que pessoalmente eram os eleitos.
A cerimónia de informação dos destinos foi absolutamente única pois estava tudo em aberto; as nossas escolhas não contavam nada para a ponderação e ali, em pouco mais de uma hora e meia, comunicaram a 560 pessoas qual o seu destino para os seis meses seguintes.
O anúncio foi feito, por países, alfabeticamente. Quando acabaram a letra S e as esmagadora maioria das zonas do mundo já estava coberta, não conseguia já imaginar onde seria colocado; só me passava pela cabeça "Zimbabwe"
Quando anunciaram o meu nome, associado a Timor-Leste, fiquei num estado de abstracção total e absoluta. Estava longe de o considerar como um destino possível, longe de o considerar como um destino apetecível e em 10 segundos que pareceram dez horas, tudo me passou pela cabeça.
Quando alguém se candidata a um programa como estes, tem que haver a mentalização de que podemos ser colocados em qualquer parte do mundo, mais do que isso, temos que nos conformar com esse destacamento e acatá-lo. Agora, já chegado ao destino, e iniciada a adaptação, resta aproveitar, ou tirar o melhor partido, desta experiência.
Ditto.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
The Results of Micromanaging - Os Miúdos Estão Bem
Desde que vemos, pela primeia vez, o trailer deste "Os Miúdos Estão Bem", de Lisa Cholodenko, é despertada em nós a curiosidade do tom leve com que é abordado o tema central. Implacável a escrever diálogos mordazes e inteligentes e a dirigir histórias com relações complexas e cruzadas, Cholodenko voltou ao registo de Atracção Acidental - Laurel Canyon, onde se nota o à vontade. Tal como naquele filme, temos aqui uma mistura de actores conceituados, com outros que estão a crescer para papéis de relevo. Além da certeira e habitualmente implacável mão de Cholodenko, o filme é uma ode a Annette Bening (a chamar pelo Óscar) e a Mia Wasikowska, que com apenas 21 anos já conseguiu, merecidamente, encaranar no cinema duas personagens do conhecimento geral - Alice no País das Maravilhas e Jane Eyre.
Say So
domingo, 21 de novembro de 2010
Obra Inacabada - Harry Potter e os Talismãs da Morte, Parte 1
Qual a melhor das adaptações cinematográficas de Harry Potter? Não vamos nunca encontrar uma uma resposta que seja, obviamente líquida. Contamos já 7 filmes de 8, com abordagens, realizadores e equipas técnicas diferentes que vieram trazer adaptações mais ou menos fiéis e mais ou menos negras ao material de base.
O que é facto é que a saga de Harry Potter há muito que deixou de ser dirigida ao público infantil. Se há 9 anos atrás, altura da primeira adaptação, a temática e o público alvo enquadravam-na no género infantil, o crescimento da personagem, os desenvolvimentos da história e a necessidade de adaptação da temática afastaram-na desse género inicial. O público alvo de Potter é já adulto, assim como o restante público que, sendo mais velho, acabou por viciar-se no universo criado por J.K. Rowling.
Esta primeira parte d'Os Talismãs da Morte não está, pela primeira vez na série, absolutamente restringida pelo forçoso corte de enredos na adaptação cinematográfica. O último livro da série é necessária e obviamente o mais complexo e exigia um tratamento mais cuidado. A adaptação em duas partes, não era por isso, e contrariamente às opiniões destrutivas, uma manobra para auferir mais uns cobres; é uma necessidade - condensar-se toda a história num só filme, fragilizaria uma história, que por estar a terminar, não pode deixar àqueles que não a leram, pontas soltas ou partes inacabadas.
Desde que o desconhecido David Yates ingressou na série, esta tomou um rumo mais intimista, mantendo o tom negro (introduzido por Cuarón em O Prisioneiro de Azkaban) que era inevitável, dados os conflitos internos da personagem principal, e a conjuntura da história criada por um medo generalizado a uma personagem, poucas vezes vista, mas cuja fama está sempre presente. Esta primeira parte d'Os Talismãs da Morte será por isso a mais intimista e parada das adaptações, não sendo isso, de todo, um defeito, antes pelo contrário. Para que se percebam, de facto, as motivações de cada um, é necessária que seja criada essa atmosfera envolvente.
Visualmente, e como tem sido apanágio da série, o filme é irrepreensível; a direcção artistica do veterano Stuart Craig é irreprensível, bem como a fotografia do português Eduardo Serra. Mas o ponto alto do filme, sem qualquer tipo de dúvida, é uma sequência de cerca de 5 minutos, em que é contada uma lenda do mundo da magia, não em acção real, mas numa animação de computador gótica, muito ao estilo de Tim Burton e Henry Selick, que destoando do mundo de Potter, destaca-se por essa característica.
À semelhança de qualquer dos outros filmes de Potter, este não é um filme autónomo. Está inserido numa sequência que não acompanharão os estranhos a este universo, e é o mais inacabado dos filmes por terminar a meio de uma história.
Que seria uma tortura para todos (nós) os fãs da saga, não era propriamente uma novidade, mas esperar até Julho pela continuidade desta magnífica conclusão é um exercício a que o cinema não nos punha à prova há muito tempo.
The Oblivation
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Máquina do Tempo
Alguém, cada vez mais incerto quem, resolveu criar um efeito onda no Facebook: convencer toda a gente a mudar a fotografia de perfil para uma personagem de banda desenhada de infância. Depois de Farmvilles, Mafia Wars, entrevistas e outras aplicações que cansam a paciência que qualquer comum mortal, finalmente uma ideia simples, eficaz e contagiante.
Dartacão
Dartacão
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Fenómeno ou "The" ´Fenómeno? - "A Rede Social"
Pode ser uma palavra usada à exaustão sempre que se queira caracterizar ou rotular um movimento de massas, mas em nenhum outro encaixa mais do que com o Facebook. Dispensando apresentações e aparentemente inabalável ao decurso do tempo, não estranha que, passado pouco tempo desde a sua implementação, que Hollywood fosse buscar a história dos seus criadores para lucrar uns milhões, conferir mais mística ao instituto e dar a conhecer de forma dramatizada (?) o seu percurso. Numa verdadeira roda viva desde que assinou, há dois anos, o superior "O Estranho Caso de Benjamin Button", David Fincher não seria uma escolha óbvia ou previsível para conduzir esta adaptação ao cinema. Nomes como Chris Columbus, Ron Howard, os costumeiros "adaptadores" de projectos de massa, não deitaram as mãos a um projecto que benificiou por isso mesmo. O toque negro, cru e inteligente de Fincher encaixou que nem uma luva numa história cujos intervenientes são movidos pela ganância misturada com frustrações pessoais e gosto pelo voyeurismo, que, não acaba por diferir muito das personagens por si dirigidas em obras primas anteriores.Quanto de verdade estará numa história verídica, primeiramente transposta para o livro "The Accidental Billionaires" de Ben Mezrich e depois adaptada para o cinema, está obviamente aberta a discussão e é alvo de especulações, mas enquanto exercício de análise ao fenómeno actual, the Social Network é um pequeno grande filme, inteligente, voraz e crítico a um vício de massas que não mostra sinais de abrandamento.
Creep
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
O Regresso à "Casa"
É certamente impossível definirmos o sítio onde mais nos sentimos completos, onde somos ou fomos mais felizes; mas é seguro que vários são os lugares que nos completam. Aqueles lugares que, em determinados momentos da nossa vida nos acolheram, nos serviram de tecto, onde vivemos experiências únicas e que por isso mesmo não podemos revisitar, senão fisicamente.Esta semana, regressei a um desses sítios. Onde durante seis meses vivi, longe de tudo o que me era familiar, embrenhado num desconhecimento geográfico, perdido numa tradução verbal, mas concentrado num salto transicional abrindo um novo capítulo da minha vida. O salto, que tive a sorte de conseguir dar, devido a esta experiência que sabia ser temporária, pelas mais variadas razões que a muitos serão compreensíveis, só ao próprio é significativo na sua plenitude.
Quatro anos depois, o choque emocional foi maior do que o imaginado. Sabendo já de antemão que o encanto não poderia ser o mesmo, a energia que prespassva do ar consumiu de tal forma que as consequências não se fizeram sentir de imediato, mas só quando o momento da partida se aproximou. A vontade de partir era nenhuma, as saudades eram indescritíveis, o regresso era inevitável. Feliz ou infelizmente, não podemos viver ad eternum num sonho que teve o seu momento. Talvez seja essa mesma a razão de ser deste capítulo que se fechou. Uma história que, com a duração de seis meses, englobou um crescimento cultural, linguístico e emocional, até à data, sem paralelo. O gosto que dá voltar a esse lugar e explorá-lo como se fosse a primeira vez, cimentando e até aumentando um fascínio que a distância proporcionou; assistir à reacção esmagadora daqueles que ainda não tinham visto uma cidade cuja extrema beleza física esconde uma química inevitável. O que vivi pode não ser recuperável, mas o que adquiri é impossível ser devolvido. Este é, lá está, um daqueles fragmentos de que não me volto a separar, não só porque não posso, como também porque não quero.
Hoppipolla
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terça-feira, 19 de outubro de 2010
A Rede do Social
Há uma curiosa interligação de três fenómenos a nível nacional e internacional.
O Facebook é um fenómeno que dispensa apresentações. Sorrateiramente introduziu-se no dia-a-dia de uma assustadora maioria que, em maior ou menor escala, partilha a sua vida, comenta a alheia, segue eventos, "gosta" de páginas e acompanha tudo, desde a vida do vizinho do lado (se ele assim quiser) ou dos acontecimentos mundiais, bastando para isso juntar-se aos sites que instantaneamente lançam as notícias.
Prestes a ser lançado no mercado internacional, está o nascimento e crescimento deste fenómeno, que David Fincher filmou sobre os seus criadores, que não deixará ninguém indiferente, quer pela obsessão global pelo Facebook, quer pelo crescente número de críticas que o qualificam como um dos melhores filmes deste ano. Não que um filme sobre o Facebook tivesse que estar condenado, mas o facto de estar a ser tão bem recebido é também por si só insólito.
O outro fenómeno, desta vez a nível nacional, é a página dos chamados Magos do Social. Surgiu do nada como um relato perspicaz e certeiro, que num ápice contou um número esmagador de seguidores que rebolam a rir e correm a comentar os hábitos dos Magos e das Magas, que fora do Facebook, ou cada vez mais por causa dele, tornam tão fácil comentar esses hábitos e estilos de vida, colectivos ou individuais.
O denominador comum aqui, o Facebook, impulsiona o sucesso de outros produtos que, por falarem daquele fenómeno, ou servirem-se dele, acabam por propagar a sua fama de uma forma que não seria tão fácil ou eficaz há uns tempos atrás. Não que seja de reprovar, quem não se serviu do Facebook para um fim análogo, que atire a primeira pedra.
Bird Song Intro - Bird Song
O Facebook é um fenómeno que dispensa apresentações. Sorrateiramente introduziu-se no dia-a-dia de uma assustadora maioria que, em maior ou menor escala, partilha a sua vida, comenta a alheia, segue eventos, "gosta" de páginas e acompanha tudo, desde a vida do vizinho do lado (se ele assim quiser) ou dos acontecimentos mundiais, bastando para isso juntar-se aos sites que instantaneamente lançam as notícias.
Prestes a ser lançado no mercado internacional, está o nascimento e crescimento deste fenómeno, que David Fincher filmou sobre os seus criadores, que não deixará ninguém indiferente, quer pela obsessão global pelo Facebook, quer pelo crescente número de críticas que o qualificam como um dos melhores filmes deste ano. Não que um filme sobre o Facebook tivesse que estar condenado, mas o facto de estar a ser tão bem recebido é também por si só insólito.
O outro fenómeno, desta vez a nível nacional, é a página dos chamados Magos do Social. Surgiu do nada como um relato perspicaz e certeiro, que num ápice contou um número esmagador de seguidores que rebolam a rir e correm a comentar os hábitos dos Magos e das Magas, que fora do Facebook, ou cada vez mais por causa dele, tornam tão fácil comentar esses hábitos e estilos de vida, colectivos ou individuais.O denominador comum aqui, o Facebook, impulsiona o sucesso de outros produtos que, por falarem daquele fenómeno, ou servirem-se dele, acabam por propagar a sua fama de uma forma que não seria tão fácil ou eficaz há uns tempos atrás. Não que seja de reprovar, quem não se serviu do Facebook para um fim análogo, que atire a primeira pedra.
Bird Song Intro - Bird Song
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
L'amore accade in Italia - Io Sono L'amore e Eat Pray Love
Está de moda, ao que parece, o amor acontecer em Itália. O cinema, pelo menos, assim o tem entendido, porque nos últimos tempos, os filmes que estão em exibição que abordam esta temática, têm Itália como mais do que um pano de fundo, mas como uma personagem. Na semana que passou, tive a oportunidade de ver dois desses filmes que, tendo como temática central a mesma, têm uma abordagem diametralmente oposta, seja na língua, no elenco, na estética ou na qualidade.
Io Sono l'Amore - Eu Sou o Amor
Ambientado na década passada, a história desenrola-se no seio de uma família milanesa da alta burguesia, que além de uma fachada de perfeição, esconde intrigas familiares, invejas e mentiras que contribuem para uma inevitável ruptura. A nível de marketing, o facto de Tilda Swintom estar envolvida ajudou, tendo participado não só como actriz, mas também como produtora de um filme totalmente em italiano, idioma que não falava por completo antes das filmagens. Mais do que o mediatismo da oscarizada actriz principal, Eu Sou o Amor destaca-se pela marcada solidez da narrativa, a (in)segurança das personagens e a abordagem adulta do tema da aparente família perfeita. Esteticamente, o filme é irrepreensível, criando um paralelismo necessário com uma história claustrofóbica numa aparente imensidão; se bem que esta é simultâneamente uma fraqueza do filme, por Guadagnino, a dada altura, se perder demasiado em tiques estilísticos que em nada adiantam a narrativa.
Ainda assim, é bom ver que não raras vezes, pequenos grandes filmes como este estão acessíveis a todos aqueles que estejam na predisposição de analisar uma história pesada, que permanece no pensamento horas depois de ter acabado.
Eat Pray Love - Comer, Orar, Amar
Aqui está um filme que torna injusta a generalização que fazemos à sua história. Baseado no Bestseller auto biográfico de Elizabeth Gilbert, Eat Pray Love, segue a história de uma mulher desiludida com a sua vida, que decide largar tudo, para ir para Itália, Índia e Bali para Comer, Orar e Amar. Com Julia Roberts à cabeça, Ryan Murphy ao leme e uma história com uma reputação que a precede, este tinha tudo para ser um filme que definia o exemplo do seu género. Não define; apenas faz pensar que o talento envolvido não se terá apercebido que havia aqui muita coisa que não estava a funcionar. As personagens são de uma funcionalidade constrangedora, os eventos são desconfortavelmente previsíveis e o esquematismo de toda a história faz-nos questionar, por um lado, a dose de ficção floreada contida no livro supostamente autobiográfico, ou por outro, o porquê de tanto êxito de uma história tão vazia.
Terminar o filme com o segmento de Roma seria uma contradição ao objectivo da personagem, bem como ao propósito do livro; mas arrasta-la fez perder o suportável interesse da primeira parte. Ryan Murphy continua a demonstrar os seus rasgos de genialidade na maneira como filma (também ajudado pela soberba fotografia de Robert Richardson) e em alguns diálogos, tal como já fazia na sua singular e imperdível série Nip/Tuck. Se a empatia que temos pelos envolvidos é considerável, essa nem sempre se traduz em sucesso garantido - este filme mostra exactamente isso: não basta a boa vontade e a predisposição para passar por cima dos chavões do costume, era necessário que estes não abundassem e desafiassem a nossa paciência.
Dog Days are Over
Io Sono l'Amore - Eu Sou o AmorAmbientado na década passada, a história desenrola-se no seio de uma família milanesa da alta burguesia, que além de uma fachada de perfeição, esconde intrigas familiares, invejas e mentiras que contribuem para uma inevitável ruptura. A nível de marketing, o facto de Tilda Swintom estar envolvida ajudou, tendo participado não só como actriz, mas também como produtora de um filme totalmente em italiano, idioma que não falava por completo antes das filmagens. Mais do que o mediatismo da oscarizada actriz principal, Eu Sou o Amor destaca-se pela marcada solidez da narrativa, a (in)segurança das personagens e a abordagem adulta do tema da aparente família perfeita. Esteticamente, o filme é irrepreensível, criando um paralelismo necessário com uma história claustrofóbica numa aparente imensidão; se bem que esta é simultâneamente uma fraqueza do filme, por Guadagnino, a dada altura, se perder demasiado em tiques estilísticos que em nada adiantam a narrativa.
Ainda assim, é bom ver que não raras vezes, pequenos grandes filmes como este estão acessíveis a todos aqueles que estejam na predisposição de analisar uma história pesada, que permanece no pensamento horas depois de ter acabado.
Eat Pray Love - Comer, Orar, AmarAqui está um filme que torna injusta a generalização que fazemos à sua história. Baseado no Bestseller auto biográfico de Elizabeth Gilbert, Eat Pray Love, segue a história de uma mulher desiludida com a sua vida, que decide largar tudo, para ir para Itália, Índia e Bali para Comer, Orar e Amar. Com Julia Roberts à cabeça, Ryan Murphy ao leme e uma história com uma reputação que a precede, este tinha tudo para ser um filme que definia o exemplo do seu género. Não define; apenas faz pensar que o talento envolvido não se terá apercebido que havia aqui muita coisa que não estava a funcionar. As personagens são de uma funcionalidade constrangedora, os eventos são desconfortavelmente previsíveis e o esquematismo de toda a história faz-nos questionar, por um lado, a dose de ficção floreada contida no livro supostamente autobiográfico, ou por outro, o porquê de tanto êxito de uma história tão vazia.
Terminar o filme com o segmento de Roma seria uma contradição ao objectivo da personagem, bem como ao propósito do livro; mas arrasta-la fez perder o suportável interesse da primeira parte. Ryan Murphy continua a demonstrar os seus rasgos de genialidade na maneira como filma (também ajudado pela soberba fotografia de Robert Richardson) e em alguns diálogos, tal como já fazia na sua singular e imperdível série Nip/Tuck. Se a empatia que temos pelos envolvidos é considerável, essa nem sempre se traduz em sucesso garantido - este filme mostra exactamente isso: não basta a boa vontade e a predisposição para passar por cima dos chavões do costume, era necessário que estes não abundassem e desafiassem a nossa paciência.
Dog Days are Over
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Ciência e Religião postas em Contacto.
A ideia de que não estaremos sozinhos no Universo, divide opinões e crenças. Os cientistas, por um lado, mais pragmáticos e "racionais", que só veem como possível a eventual certeza de haver vida inteligente lá fora; os religiosos, por outro, que tendencialmente crêem que aquela eventualidade ou não é possível ou não querem que o seja. A discussão deste tema tem ramificações várias, e implicações que não serão, obviamente, liquidas para todos. Consequente a esta discussão é o inevitável tema da religião e da crença amplamente considerada.
Tudo isto a propósito do filme Contacto, de 1997, que ontem revi, e que uma vez mais me pôs a pensar. A discussão que põe em cima da mesa, é exactamente esta: confrontados com uma mensagem misteriosa captada pela cientista Ellie Arroway, e confirmada por outros cientistas pelo mundo fora, a forma como todos lidaremos com essa eventualidade acaba por reduzir-se ao medo, à crença, à religião e à coragem. Como tal, cada personagem incorpora um esteriótipo, move-se e age como tal, numa história que evolui de uma forma alegórica para nos pôr, de facto, a discutir os exactos temas que aqui são abordados e que todos se batem por resolver.
Os referidos temas do medo, crença, religião e coragem são debatidos à exaustão pelas personagens de Jodie Foster e Matthew McConaughey, cuja química e empatia abunda, não obstante estarem nos extremos opostos da opinião. Ela, cientista, não cede na busca de sinais de vida inteligente e a completa descrença em Deus, ele, um padre, que não consegue apoiá-la.
O que Contacto faz, e bem, é não oferecer uma resposta ou uma certeza relativamente a nada; não toma o partido de nenhuma das facções, nem as afasta. Ambas são válidas, pois não há uma certeza, e apesar de divergentes, não as aborda como incompatíveis.
Acabamos o filme exactamente na mesma posição que o começámos: a levantar as questões que interessam, mas agora motivados pelo que vimos tão impecávelmente exposto. É esta a razão pela qual o cinema ainda nos apaixona; por duas horas vemos uma dissertação que diz tudo e não diz nada, que nos deixa na interrogação, que é suficientemente audaz para tocar em assuntos de natureza susceptível sem os reduzir a troça.
Tudo isto a propósito do filme Contacto, de 1997, que ontem revi, e que uma vez mais me pôs a pensar. A discussão que põe em cima da mesa, é exactamente esta: confrontados com uma mensagem misteriosa captada pela cientista Ellie Arroway, e confirmada por outros cientistas pelo mundo fora, a forma como todos lidaremos com essa eventualidade acaba por reduzir-se ao medo, à crença, à religião e à coragem. Como tal, cada personagem incorpora um esteriótipo, move-se e age como tal, numa história que evolui de uma forma alegórica para nos pôr, de facto, a discutir os exactos temas que aqui são abordados e que todos se batem por resolver.
Os referidos temas do medo, crença, religião e coragem são debatidos à exaustão pelas personagens de Jodie Foster e Matthew McConaughey, cuja química e empatia abunda, não obstante estarem nos extremos opostos da opinião. Ela, cientista, não cede na busca de sinais de vida inteligente e a completa descrença em Deus, ele, um padre, que não consegue apoiá-la.
O que Contacto faz, e bem, é não oferecer uma resposta ou uma certeza relativamente a nada; não toma o partido de nenhuma das facções, nem as afasta. Ambas são válidas, pois não há uma certeza, e apesar de divergentes, não as aborda como incompatíveis.
Acabamos o filme exactamente na mesma posição que o começámos: a levantar as questões que interessam, mas agora motivados pelo que vimos tão impecávelmente exposto. É esta a razão pela qual o cinema ainda nos apaixona; por duas horas vemos uma dissertação que diz tudo e não diz nada, que nos deixa na interrogação, que é suficientemente audaz para tocar em assuntos de natureza susceptível sem os reduzir a troça.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Vício Absoluto
Um belo fim de semana no Cercal do Alentejo deu para descobrir o meu mais recente vício. Grande música!
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Reorganização da Vida
Portugal tem a fama de ter um dos melhores sistemas de Multibanco da Europa. Rápido, eficaz e versátil. Há pouca coisa que não possamos fazer em pouco tempo numa caixa Multibanco; e só nos apercebemos dessa comodidade quando chegamos ao estrangeiro e, por comparação, o serviço lá é mais restritivo. É normal que estejamos, portanto, habituados a poder fazer um sem número de coisas cada vez que vamos a uma caixa Multibanco; tão habituados que há pessoas que resolvem reorganizar toda a sua vida à nossa frente. Pagam a água, a luz, o telemóvel, fazem transferências para os pais, para os amigos, para os primos e levantam dinheiro, duas a três vezes de seguida do mesmo cartão. Tudo isto, na hora de almoço, quando há uma fila de gente com vontade de fazer o mesmo e outros que querem levantar uns míseros 10 Euros, mas que se vêm obrigados a levantar logo 40 ou 50, para não terem que passar por aquela experiência tão depressa.O netbanking serve para alguma coisa, e se muitos já o usam, outros parecem evitá-lo ou ignorá-lo. Por isso, e até podermos levantar dinheiro de outra forma - que assim de repente não estou a ver qual, a menos que seja fora de horas de ponta - cá estaremos a ver as finanças dos outros reorganizadas.
At My Most Beautiful
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Devaneios,
Para Encher
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Mood for my Stereo
Está encontrado o melhor site dos últimos tempos. Uma ideia tão simples e eficaz como escolher um estado de espírito e automaticamente ser-nos dada uma playlist que encaixe nessa escolha. O Stereo Mood é mais do que uma boa escolha, é um vício e uma paragem obrigatória.www.stereomood.com
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Poção Bruckheimer
Jerry Bruckheimer é o rei do Verão. Numa carreira que conta já com 40 anos, é considerado um dos produtores mais bem sucedidos da indústria do cinema, com filmes que são uma máquina de fazer dinheiro, e cujos fracassos contam-se pelos dedos. Filmes como A Trilogia de Os Piratas das Caraíbas, O Tesouro, O Rochedo, Armageddon, Pearl Harbor, Inimigo Público, Caça ao Outubro Vermelho, Top Gun, Rei Artur, entre outros, mostram bem que não obstante as possibilidades de fracasso ou o desconhecimento do público quanto ao temas, as vendas mais do que pagaram os custos de produção. Nem sempre, porém, o padrão de entretenimento manteve-se, ou o lucro suplantou o mínimo exigível; mas o que destaca e define Bruckheimer é que a fórmula do sucesso, copiada, mas não igualada por outros no ramo, assenta nos mesmos critérios que se revelam por isso mesmo eficazes. Para isso basta ver a maneira como Bruckheimer conduziu a adaptação ao cinema de Piratas das Caraíbas - um género que não atraía público há mais de 20 anos e uma história baseada numa atracção da Disney que tinha tudo para ser um flop, mas que se revelou um êxito estrondoso que teve duas sequelas e outra a caminho. E como se o cinema já não bastasse para estabelecer um nome e ter sucesso, CSI, também produção sua, dispensa apresentações.
Questão seguinte: como é que se explica que todas as suas intervenções têm um automaticamente um selo autoral maior que o dos próprios realizadores? Será a sua posição enquanto produtor mais infléxivel que os restantes? Imporá um estilo a obedecer na maneira de adaptar, escrever e realizar os projectos que escolhe produzir? Sem dúvida. Talvez seja esse o segredo do toque de midas do actual gigante produtor de Hollywood que está para o mercado dos Blockbusters como os irmãos Weinstein estão para os mercados dos Óscars.
BMBBO
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
O problema é Sal(t) a Mais ou sal a menos?
Restava dúvidas a alguém que o entertenimento de Hollywood está caído em desgraça? Na mesma semana fui ver o mais recente desvaire M Night Shyamalan, O Último Arbender, e a omnipotência de Angelina Jolie em Salt. Se a desgraça de Shyamalan não veio sem anúncio, com uma carreira que está pelas ruas da amargura, Jolie, que está em pleno pico da sua carreira, faria crer que teria um pouco mais de cuidado nas suas aventuras.
The Last Airbender
É um filme péssimo. Não há outra forma de o definir; nada aqui resulta, uma história desinteressante, uma adaptação desnecessária e descuidada, uma direcção e escolha de actores indescritível e um esquematismo desconfortável. Custa-nos acreditar que o mesmo homem que escreveu e dirigiu filmes como o Sexto Sentido e A Vila, tenha sido capaz de adaptar de forma tão rídicula e infantil uma história que já o era. Se até a Senhora da Água ou o Acontecimento, os seus últimos fracassos, já demonstravam uma falta de noção do sentido de ridículo, pelo menos mostravam um cuidado estético e formal mais apurado; Last Airbender parece um telefilme barato da Nickelodeon que passa dobrado em português ao sábado de manhã. Shyamalan parece não se rebaixar à esmagadora crítica que arrasa o filme, defendendo-se com um "só o tempo me irá dar razão". Presunção e água benta, cada um toma a que quer...
Salt
Salt passou de realizador em realizador, foi escrito para Tom Cruise que desistiu, e reescrito para Angelina Jolie. Se um filme de acção em que a personagem principal é um agente fugitivo e que passa para umA agente fugitiva não cheira a esturro, a concretização confirma. Não que a história não tivesse potencial para funcionar, tinha, só que mais uma vez o barulho e os efeitos especiais falaram mais alto, a bolha foi crescendo e explodiu. Jolie leva mais porrada que Jason Bourne, faz mais acrobacias que James Bond e sobrevive a mais do que qualquer um dos dois. Nem sequer a revivalista realização de Philip Noyce ou a fotografia de Robert Elswitt trazem mais dignidade a um filme que pede a troça do espectador quer seja pelas cenas de acção indescritíveis quer pela pseudo intriga política infantil.
Salt é um filme mau? É. O Último Airbender é pior.
Se já nos queixamos da falta de filmes para ir ver ao cinema, já nem os típicos filmes de entertenimento são uma escolha segura. Nem sequer encaixam naquela categoria de guilty pleasures de filmes que são tão maus que se tornam objecto de culto; fazem pior: em vez de contarem uma história que se aguente sozinha, deixam-na a precisar de uma imediata continuação que ninguém quer ver, mas, a julgar pela exigência do público americano, já nem sei.
Prisoner Exchange
The Last AirbenderÉ um filme péssimo. Não há outra forma de o definir; nada aqui resulta, uma história desinteressante, uma adaptação desnecessária e descuidada, uma direcção e escolha de actores indescritível e um esquematismo desconfortável. Custa-nos acreditar que o mesmo homem que escreveu e dirigiu filmes como o Sexto Sentido e A Vila, tenha sido capaz de adaptar de forma tão rídicula e infantil uma história que já o era. Se até a Senhora da Água ou o Acontecimento, os seus últimos fracassos, já demonstravam uma falta de noção do sentido de ridículo, pelo menos mostravam um cuidado estético e formal mais apurado; Last Airbender parece um telefilme barato da Nickelodeon que passa dobrado em português ao sábado de manhã. Shyamalan parece não se rebaixar à esmagadora crítica que arrasa o filme, defendendo-se com um "só o tempo me irá dar razão". Presunção e água benta, cada um toma a que quer...
SaltSalt passou de realizador em realizador, foi escrito para Tom Cruise que desistiu, e reescrito para Angelina Jolie. Se um filme de acção em que a personagem principal é um agente fugitivo e que passa para umA agente fugitiva não cheira a esturro, a concretização confirma. Não que a história não tivesse potencial para funcionar, tinha, só que mais uma vez o barulho e os efeitos especiais falaram mais alto, a bolha foi crescendo e explodiu. Jolie leva mais porrada que Jason Bourne, faz mais acrobacias que James Bond e sobrevive a mais do que qualquer um dos dois. Nem sequer a revivalista realização de Philip Noyce ou a fotografia de Robert Elswitt trazem mais dignidade a um filme que pede a troça do espectador quer seja pelas cenas de acção indescritíveis quer pela pseudo intriga política infantil.
Salt é um filme mau? É. O Último Airbender é pior.
Se já nos queixamos da falta de filmes para ir ver ao cinema, já nem os típicos filmes de entertenimento são uma escolha segura. Nem sequer encaixam naquela categoria de guilty pleasures de filmes que são tão maus que se tornam objecto de culto; fazem pior: em vez de contarem uma história que se aguente sozinha, deixam-na a precisar de uma imediata continuação que ninguém quer ver, mas, a julgar pela exigência do público americano, já nem sei.
Prisoner Exchange
terça-feira, 24 de agosto de 2010
A Few Days Of Summer
O que me leva a escrever pela primeira vez, pós-férias de Verão, não é, como habitualmente, a música ou o cinema. Passado quase um mês desde a última vez que aqui vim, foram vários os tópicos que me foram passando pela cabeça que tive vontade de passar a palavras. As músicas que ouvi pela primeira vez e as que revisitei pela milionésima. Os filmes que vi e revi e as cenas que me marcaram. Os lugares onde fui e aqueles onde regressei.
Fazer um relatório está longe de ser aquilo que quero ou devo fazer, mas ignorar tudo o que tenho feito, não me é possível. Se por um lado há momentos e sítios e sítios que nos sentimos na obrigatoriedade de partilhar e espalhar, por outro há situações em que não o fazemos por não querermos ou por não caberem em palavras. A minha viagem ao outro lado do mundo não pode ser documentada em imagens a que qualquer um tem acesso, nem por descrições que nem a todos fazem sentido ou têm interesse; da mesma forma que o meu regresso às origens com tudo o que isso implica, só a mim faz sentido.
O que é que me fez sentido? Londres, Bangkok, Patpong Market, Tuc Tuc Ride, Scirocco, Lebua, Phi Phi Leh,I~, Bamboo Island, Maya Beach, Massage, Bird Song Intro, Drumming Song, 528491, S. Martinho, Família, Sono, Mini, Minis, Sol, Praia e todas aquelas pequenas coisas (mais ainda) que uniram todas estas e que marcaram, sem sombra de dúvida, o meu Agosto de 2010.
528491
Fazer um relatório está longe de ser aquilo que quero ou devo fazer, mas ignorar tudo o que tenho feito, não me é possível. Se por um lado há momentos e sítios e sítios que nos sentimos na obrigatoriedade de partilhar e espalhar, por outro há situações em que não o fazemos por não querermos ou por não caberem em palavras. A minha viagem ao outro lado do mundo não pode ser documentada em imagens a que qualquer um tem acesso, nem por descrições que nem a todos fazem sentido ou têm interesse; da mesma forma que o meu regresso às origens com tudo o que isso implica, só a mim faz sentido.
O que é que me fez sentido? Londres, Bangkok, Patpong Market, Tuc Tuc Ride, Scirocco, Lebua, Phi Phi Leh,I~, Bamboo Island, Maya Beach, Massage, Bird Song Intro, Drumming Song, 528491, S. Martinho, Família, Sono, Mini, Minis, Sol, Praia e todas aquelas pequenas coisas (mais ainda) que uniram todas estas e que marcaram, sem sombra de dúvida, o meu Agosto de 2010.
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
Mr. & Mrs. Falhanço - Knight and Day
Comparar Knight and Day a Mr. and Mrs. Smith não só é, por um lado, inevitável, como por outro, um insulto; não que o filme de Angelina Jolie e Brad Pitt seja uma obra-prima, mas enquanto Blockbuster de comédia/acção cumpriu inteiramente a sua missão, enquanto que Knight and Day falha em toda a linha. Não só é grave que com tantos exemplos falhados neste género, não haja um mínimo cuidado aparente de preocupação em não cometer os mesmos erros, como aumenta-os. As cenas de acção, para além de completamente desprovidas de garra, são inverosímeis e risíveis; o argumento, se é que podemos dizer que há é esquemático e sensaborão e as cenas de comédia são ineficazes com Cruise a tentar explorar um dom que claramente não tem.
O filme consegue até desperdiçar os locais onde foi filmado; Salzburgo, Sevilha, Nova Iorque e a Jamaica (que numa cena rídicula faz-se passar pelos Açores).
Se no papel e até pelo elenco envolvido este parecia um bom projecto, na prática revelam-se as fragilidades passados dez minutos, porque o interesse que o espectador tem pelas personagens e pelo enredo é nulo. Tom Cruise chegou àquele estágio em que Knight and Day seria o tira teimas da sua viabilidade enquanto estrela de acção. Considerou-se, inclusivé, não o chamarem para o quarto filme de Missão Impossível. Acho que não devemos ser tão extremistas; que Knight and Day é um filme mau, é. Daí a inviabilizar a carreira dos envolvidos é tão descabido como o filme em si.
Bull Run
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Incepção da Perfeição - Inception
Inception - A Origem é uma obra prima. Christopher Nolan faz aquilo que qualquer cineasta com uma temática inverosimil entre mãos deve fazer: cria um interesse generalizado na história que vai além da história central. Inception é não só um filme estilisticamente irrepereensível, como intelectualmente desafiador - a natureza dos sonhos, o poder de criação do subconsciente e o impacto que têm no universo real.Para quem não viu o filme a descrição pode ser feita em poucas frases, ou mesmo em nenhuma. Esquematizar o enredo retira o próprio objectivo do filme, da mesma forma que saber o final de antemão não serve de nada, pois não há um elemento-chave que lhe retire o interesse. Inception aborda a natureza inexplicável dos sonhos, o elemento que por vezes nos distancia da percepção da realidade.
Antes de ser uma historia individualmente original e inovadora, não a podemos dissociar do contexto da obra de Nolan em que se insere. Tendo em mente que Nolan fez renascer o universo de Batman, não explicando aquela atmosfera, mas humanizando as personagens, dotando-as de sentimentos, raízes e motivações. Com Memento, Prestige e Inception, Nolan fez às personagens exactamente o mesmo criando-lhes um universo emocional próprio, autónomo da história em que se inserem.
O eficaz e interessante tema do passado, presente e futuro, embora omnipresente, não é usado como manobra cronológica na história; as personagens vivem no agora, ainda que paralelo. Se a ideia de "A Origem" foi concebida há dez anos, e desenvolvida desde então, só mostra a complexidade do tema e a quantidade de detalhe necessário. Não acho que demoraremos outros dez anos a arranjar uma explicação consensual para o filme, porque não a há. O cliffhanger em que Nolan nos deixa serve exactamente para isso: para ficarmos no mesmo ponto que estamos num sonho, um estado de dúvida permanente, com laivos de realidade e fantasia que, em doses variáveis, nos dá maior ou menor certeza.
Mombasa
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O Realizado Fantasma - The Ghost Writer
A claustrofobia patente neste Ghost Writer é apropriadamente encenada para um conjunto de personagens que têm a sua autonomia, movimentos e até pensamentos condicionados. Não soubessemos nós já, de antemão, que o talento de Polanski é mais do que suficiente para nos inserir nesse ambiente claustrofóbico, seria justo, senão mesmo inevitável pensar que tal eficácia só podia espelhar os problemas reais dele próprio, tão paralelos como os do ex-Primeiro Ministro da história.Os problemas legais de Polanski correram as bocas do mundos nos últimos anos, atingindo o seu pico com a detenção do realizador em Zurique, e a sua recentíssima libertação, que veio lançar mais achas a uma fogueira, de si só desmesuradamente ateada. Polémicas à parte, o que é complicado, não posso deixar de apontar que Ghost Writer foi um Óasis num deserto cinematográfico que não mostra muitos sinais de mudança. Temos saudades de um enredo que nos cative, de personagens que nos intriguem e de desenvolvimentos que nos obriguem a pensar ajudados por uma mise en scéne cada vez mais rara nos dias que correm, e um pulso firme na câmara, que Polanski mostra continuar a ter, não se deixando seduzir pelas maravilhas da tecnologia, apenas munindo-se delas para criar um filme esteticamente irrepreensível, para um conteúdo que exigia tal tratamento.
Temos pena que Pompeii, o afamado e pretensioso projecto de Polanski tenha sido posto na prateleira indefinidamente, mas se Ghost Writer foi a obra que nos deu em substituição, não podemos nem devemos ficar desiludidos,seja de que modo fôr.
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Let Go
Adoro quando isto acontece. Redescobri, por acaso, uma música que associo ao meu Verão de há 3 anos.
A razão porque não me tenho lembrado dela ultimamente, ultrapassa-me, mas este Let Go dos Frou Frou, não pode continuar esquecido.
A razão porque não me tenho lembrado dela ultimamente, ultrapassa-me, mas este Let Go dos Frou Frou, não pode continuar esquecido.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Florence ex Machina
O concerto da Aula Magna foi um presságio mais que evidente. Florence Welch começava a criar em Portugal um pequeno culto. Agora, no seguimento da edição de 2010 do Optimus Alive, da qual Florence fez parte no primeiro dia, restam poucas dúvidas que foi uma das presenças mais fortes, e dos concertos que mais atraiu e conquistou.Honestamente, por ser um reconhecido fanático do seu primeiro álbum, Lungs, tive medo que o concerto viesse a desiludir. Quase não havia razão para isso: a opinião de quem esteve no concerto da Aula Magna foi unânime e positiva.
De facto não tinha eu fundamento. Quase nenhuma das músicas resultou em palco da mesma maneira que no CD, mas a presença e a qualidade de Welch, a superioridade do material e a rendição absoluta do público fez deste um concerto à parte. Num dia em que o programa era o mais forte e coeso do festival (apesar de XX ser muito, muito bom não se enquadrava num seguimento destes) Não foi díficil eleger o concerto mais completo, forte e satisfatório que este.
Florence + The Machine claramente aumentou o número de seguidores a 8 de Julho, com merecido fundamento que justifica quer a passagem para palcos maiores, quer eventos isolados.
Florence + The Machine - Cosmic Love
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sexta-feira, 2 de julho de 2010
Os Dias de Cão Acabaram
Há momentos em que paramos para avaliar se as paixões às quais dedicamos todo o nosso interesse, fulgor e paixão estão a desvanecer. Como tudo, é variável. Alturas há em que a obsessão é tanta que não achamos possível transmitir o quanto gostamos ou admiramos qualquer espécie de arte. Noutras, damos por nós a diminuir o entusiasmo, ainda que inconscientemente. O Cinema não está a desaparecer dos meus interesses, nem tão pouco a afastar-se das minhas prioridades; mas num ano em que a vontade de ir ao cinema é pouca porque quase nada lá nos chama, dou por mim a realizar que passaram quase 3 semanas desde a última vez que fui. Numa semana em que estou em anttecipação para ir ver Florence + The Machine ao Optimus Alive, vejo, pela primeira vez, o trailer do novo filme de Julia Roberts, Eat, Pray, Love. Se a história não parece tão fora do vulgar, já o trailer é. Dog Days Are Over, segundo single de Florence + The Machine serve de acompanhamento às imagens e assenta que nem uma luva. Nesta época pré férias de verão, e com a excepção de Inception e Knight and Day, este é o único filme mainstream que tenho vontade de ir a correr ver.
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