

Hoppipolla


Hoppipolla
Sunrise
Nova Iorque. Capital do mundo, aglomerado de povos, mescla de espaços, amálgama de religiões, inevitável e indiscutível centro de fascínios e paixões - nada espanta que tenha um esforço cinematográfico que vá demonstrar, ainda que tardiamente, o amor por esta cidade. Narrativamente inconvencional, o puzzle de curtas histórias e diferentes núcleos cruza-se quando assim tem de ser, ou quando a sorte assim o determina. De homenagens, declarações e postais está a cidade farta, pelo que serve este esforço não como palavra final e definitiva mas como mais uma. A ideia por detrás deste projecto não poderia ser mais inteligente ou racional: a cada realizador de cada uma das 11 curtas, foram dadas 3 linhas de orientação, filmar em 24 horas, montar numa semana e introduzir um sentimento de um determinado bairro. O que todos mais sabemos, repetimos e aqui ouvimos é que o que mais se gosta em Nova Iorque, é o facto de nunca se saber quem se encontra e onde se encontra; todos são estranhos e por esse afastamento compelem a aproximar-se. Esse fio condutor está presente numa hora e meia de filme que numa sucessão de estilos e histórias, filmados com uma fotografia penosamente desinteressante é suficiente em cada segmento, mas insuficiente num todo. Além de um factor importantíssimo e estranhamente ausente: a falta do lado cosmopolita, atraente e quente pelo qual a cidade é conhecida.
Let's Do It, Let's Fall In Love
Master Of Shadows
É impressionante o quanto um bom marketing consegue vender um produto por pior que seja. Todos estamos habituados a ver anúncios na rua, na televisão, em revistas e jornais, que nos chamam a atenção quer seja pelo mediatismo, quer pela eficiência (e em alguns casos, até ambos). Sendo o marketing, essencial e literalmente, um estudo de mercado, o objectivo final é o de vender ao público um determinado produto de forma eficaz e não distanciada, obviamente, desse objecto. A eficácia final seria dar ao público alvo exactamente aquilo que quer para que o proveito fosse mútuo.
Tudo isto a propósito de Surrogates - Os Substitutos, o mais recente veículo de Bruce Willis. A falta de originalidade patente no projecto faz com que se tenha que investir tudo o que se pode no marketing. A ideia de que as máquinas nos vão substituir cada vez mais, começando no mais trivial até àquele limite razoável, não é uma ideia nova, tão pouco é a ideia de perfeição inerente. O filme entra por aí e há pouco mais a descrever, porque pouco mais se passa; foi aqui que o valioso marketing atacou sem travão. Não sei se por consciente decisão dos produtores, que sabendo que tinham um produto mais do que medíocre nas mãos, resolveram apostar numa manobra de venda da maior qualidade; ou se essa mesma manobra pela qualidade ofusca o produto que vende. Engana-nos esta publicidade porque nos leva a crer que vamos ver algo de bastante melhor do que uma revisitação vulgar de um tema batido.
Kayla
Não será um, mas ao que tudo indica, dois. Fala-se de Steve Martin e Alec Baldwin a apresentarem conjuntamente, fenómeno que não acontecia desde 1929. Já que estão numa de trazer nomes antigos de volta, que tal convidarem Whoopi Goldberg, cujas duas cerimónias atraíram as mais elevadas audiências?
Opening Theme
O Governador da Califórnia, antigo Conan e Exterminador tem uma nova forma de se dirigir aos inimigos. É que agora, num despacho de resposta a um membro da assembleia geral, Schwarzenegger juntou, subtilmente as palavras "fuck you" na vertical, como primeiras letras de cada linha. Claro que face a isto, cada um reage à sua maneira: uns acham que seja propositado, outros, como logicamente o staff do Governador, uma estranha coincidência. Claro que foi uma coincidência; que tinha a probabilidade de 8 mil milhões para uma de acontecer (conclusão das contas do jornal The Independent)!
Charlie Wilson´s War
No Domingo, foi detido em Covas do Barroso o padre Fernando Guerra por supeitas de posse ilegal e tráfico de armas. A detenção foi feita no final da missa, esperando a GNR que o pároco se desparamentasse, para proceder às buscas. Este incidente foi amplamente noticiado, mas devo dizer que o que mais gostei foi o do "i" de terça-feira que noticiava sob o genial título de "O Crime do Padre Armado". Não faltam citações dos locais, que oportunamente desconfiavam há muito tempo, e que sabem que, mais cedo ou mais tarde, o padre voltará.."A população vai aceitar o regresso, vai. É tão natural como a sede. Todos lhe têm medo"... pudera não, há quem não tenha medo agora de não dar no ofertório?
O facebook parece ser obsessão global, melhor companhia de quem trabalha, e óptimo passatempo daqueles que estão mais livres. Grupos surgem ao pontapé com os mais variados temas, grupos de causas e ódios formam-se e há quem obsessivamente cresça nos Mafia Wars e Farmvilles. Parece que agora temos também uma outra boa nova.. A eleição da Miss e Mister facebook 2009! A Miss está escolhida e é portuguesa! Tarefa que a 'obriga' a passar três horas por dia ao computador para dar conta das suas responsabilidades! Mais, há a probabilidade de o Mister ser também português através de sondagens recentes! Qualquer dia temos a Mónica Marques ao lado do Cristiano Ronaldo no Madame Tussaud.
Finalmente o que mais temos visto e especialmente ouvido(!) ultimamente é a nova campanha do Pingo Doce. O anúncio, invulgarmente comprido, e a música assustadoramente ridícula, da-nos que pensar. Foi de propósito, ou é involuntariamente cómico? A propósito deste anúncio, Bruno Nogueira falou na TSF e fez um comentário, no seu habitual modo sarcástico e incisivo que não deixa escapar nada. Cruzamento de histórias: já há no facebook um grupo de gente "que não grama o anúncio", assim como um quizz para saber que cliché do Pingo Doce és tu? Sabe bem gostar tão pouco...
Trial By Fire

Tully's Letter
Está nas salas o novo filme do representante por excelência da Geração X, Brett Easton Ellis, Os Informadores. Fiel ao seu estilo e à sua corrente, esta é mais uma história ambientada nos anos 80, em que a futilidade, as drogas, e a vanidade dominam. Muito ao estilo do superior American Psycho, esta incurssão entra pelos meandros de uma sociedade endinheirada e amoral, que se move à beira do abismo.
Walking On Sunshine
O tempo parece não se decidir. Confrontados com isso, saímos todos de casa e chegamos ao destino com um ar deslavado e desgrenhado; a chuva lava a cidade, mas parece deslavar-nos. Apesar disso gosto de chuva. Não me vejo a viver num ambiente soturno que vive permanentemente num clima de chuva ininterrupta, mas estes dias que hoje começam fazem-me relembrar o quanto já tinha saudades e o quanto realmente gosto deles. Não acredito, mesmo, que seja o único a pensar assim. Por adorar uns bons dias de chuva, não significa, forçosamente, que os prefira. Nada melhor que dias de sol, com calor para neles fazer o que se queira; mas enquanto que esses dias, logicamente, nos obrigam a sair de casa, estes forçam-nos a ficar, o que não é nem pode ser mau. Muitos de nós podemos ter a sorte de em casa nos sentirmos bem, seja sozinho, seja acompanhado para gozar (ainda que inconscientemente) da casa onde vivemos e onde nos afeiçoamos. Quanto ao que me diz respeito, sim gosto deste tempo.
Kissing In The Rain
Pouco depois de Stieg Larsson entregar à sua editora o terceiro volume da trilogia Millenium, morreu subitamente sem saber o êxito que teria a sua obra. Não tardou a adaptação cinematográfica desta, que agora está a dar um novo impulso à história. Este primeiro capítulo da história, agora adaptado ao cinema, (Män som hatar kvinnor) O Homem Que Odiava As Mulheres, centra-se na peronagem de Mickael Blomkvist, jornalista sueco que é contratado por um magnata para que investigue a morte de uma sua sobrinha, sucedida há 40 anos, e que até ao presente continuava um mistério. O que torna este primeiro capítulo interessante é um regresso ao bom velho género do whodunnit, mas dentro de uma família. O crime só pode ter sido cometido por um dos membros da vasta família; resta agora saber quem e porquê passadas quatro décadas. As duas horas e meias, e o ser falado em sueco, pode e será, sem dúvida um entrave ao grande público. É simultâneamente bom e mau que assim seja. Bom porque o que arruinou a grande parte das adaptações de obras de culto (falo logicamente das americanas) foi a adesão em massas, que provoca uma facilidade em florear, o que não deve ser floreado, reduzir ou cortar o relevante e banalizar o peculiar. Mau porque a probabilidade de, apesar do seu fenómeno de culto, o filme passar despercebido é grande.
Warning Cry
O mundo continua a precisar de comédias românticas. A falta de originalidade é patente e já foi aqui largamente discutida, mas cumpre saber se devemos ou não considerar isso um defeito, ou uma obrigatoriedade. Por mais exigente que o espectador seja, o que é facto é que a originalidade que muitos procuram e exigem, esgota-se - e isto vale para qualquer género de cinema. O objectivo desta crítica não é tanto a de defender a extinção desse género denominado comédias românticas, mas antes mostrar o porquê da minha falta, cada vez maior, de apatia por este tipo de cinema.
James Newton Howard Suite
Roman Polanski foi preso, há 3 dias em Zurique. Para quem não está familiarizado com a história pessoal do realizador polaco, fique sabendo que dava para um filme com tantos ou mais incidentes do que aqueles que filma.
Don't Forget The Rules
The Arctic
Aqui há uns tempos fiz um post dedicado a um novo compositor que tinha redescoberto. Brian Tyler mereceu-o, porque continua a ser presença indispensável nas minhas listas, mas ao ter-lhe feito um post, não poderia, porém descurar outros. Tyler está longe de ser o meu compositor preferido, John Powell, James Newton Howard e Trevor Rabin continuam a ocupar esses lugares. De qualquer forma, nos últimos tempos, cada vez mais me tenho vindo a aperceber que desse topo, senão mesmo na frente deverá estar um artista cujo talento e trabalho tem dado provas mais que provadas. Falo de Craig Armstrong. Este escocês tem a sua formação na Royal Academy of Music, e a sua experiência não se ficou somente pela composição clássica. Colaborou com diversos grupos de electronica, mais concretamente com os Massive Attack. Para o público em geral, é bem capaz de ter sido essa a área em que mais se destacou. Para mim, porém, e previsivelmente, foi na composição clássica.
O filme a que este disco serve de base é dos mais difíceis e peculiares filmes que alguma vez vi. The Fountain - O Último Capítulo, conta a história de um homem, médico, obcecado com a doença terminal da sua mulher, e que faz do seu objectivo procurar uma cura. Paralelamente é-nos contada uma história 500 anos antes, e outra 500 anos depois. Em todas três, o enredo gira à volta da busca da vida eterna, sendo as ilacções tiradas e discutidas pelo espectador.