O Dialecto está de cara lavada. Quer dizer, primeiro que tudo, não tem cara para lavar, tem uma imagem a renovar. Talvez não tenha passado tempo suficiente para justificar esta alteração, mas achei que, em todo o caso, o devia fazer. Fiel ao seu nome, e à minha missão, o dialecto continua a palrar as suas baboseiras, sujeitas e ansiosas de críticas, por crescer ser o mais importante. A linguagem é a mesma(não cedo ao acordo), os assuntos são os do costume, os leitores esperam-se ser os mesmos, e com sorte outros tantos que consiga entusiasmar.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Óscar Duo

Já se começa a preparar a próxima cerimónia dos Óscars e a busca para o próximo apresentador já começou. Desde que nesta última cerimónia se resolveu, e bem, dar uma cara lavada a uma cerimónia que já começava a acusar algum cansaço, há que manter esse mesmo registo. Como diz o ditado, em equipa que ganha não se mexe, os produtores já foram atrás de Hugh Jackman, apresentador da última cerimónia. Ao ter educadamente recusado o convite, e tendo Ben Stiller depois feito o mesmo, pergunta-se agora qual será o nome que se segue. Não será um, mas ao que tudo indica, dois. Fala-se de Steve Martin e Alec Baldwin a apresentarem conjuntamente, fenómeno que não acontecia desde 1929. Já que estão numa de trazer nomes antigos de volta, que tal convidarem Whoopi Goldberg, cujas duas cerimónias atraíram as mais elevadas audiências?

Opening Theme

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Fák Yu áll Démokrratz

O Governador da Califórnia, antigo Conan e Exterminador tem uma nova forma de se dirigir aos inimigos. É que agora, num despacho de resposta a um membro da assembleia geral, Schwarzenegger juntou, subtilmente as palavras "fuck you" na vertical, como primeiras letras de cada linha. Claro que face a isto, cada um reage à sua maneira: uns acham que seja propositado, outros, como logicamente o staff do Governador, uma estranha coincidência. Claro que foi uma coincidência; que tinha a probabilidade de 8 mil milhões para uma de acontecer (conclusão das contas do jornal The Independent)!

Charlie Wilson´s War

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Armados com Facebook é Doce.

Não relacionadas com cinema, esta semana li algumas das notícias mais estranhas dos últimos tempos. Cada uma delas estranha e polémica à sua maneira, não deixam de fazer parte daqueles fenómenos que esporadicamente surgem e nos põem a falar.

No Domingo, foi detido em Covas do Barroso o padre Fernando Guerra por supeitas de posse ilegal e tráfico de armas. A detenção foi feita no final da missa, esperando a GNR que o pároco se desparamentasse, para proceder às buscas. Este incidente foi amplamente noticiado, mas devo dizer que o que mais gostei foi o do "i" de terça-feira que noticiava sob o genial título de "O Crime do Padre Armado". Não faltam citações dos locais, que oportunamente desconfiavam há muito tempo, e que sabem que, mais cedo ou mais tarde, o padre voltará.."A população vai aceitar o regresso, vai. É tão natural como a sede. Todos lhe têm medo"... pudera não, há quem não tenha medo agora de não dar no ofertório?

O facebook parece ser obsessão global, melhor companhia de quem trabalha, e óptimo passatempo daqueles que estão mais livres. Grupos surgem ao pontapé com os mais variados temas, grupos de causas e ódios formam-se e há quem obsessivamente cresça nos Mafia Wars e Farmvilles. Parece que agora temos também uma outra boa nova.. A eleição da Miss e Mister facebook 2009! A Miss está escolhida e é portuguesa! Tarefa que a 'obriga' a passar três horas por dia ao computador para dar conta das suas responsabilidades! Mais, há a probabilidade de o Mister ser também português através de sondagens recentes! Qualquer dia temos a Mónica Marques ao lado do Cristiano Ronaldo no Madame Tussaud.

Finalmente o que mais temos visto e especialmente ouvido(!) ultimamente é a nova campanha do Pingo Doce. O anúncio, invulgarmente comprido, e a música assustadoramente ridícula, da-nos que pensar. Foi de propósito, ou é involuntariamente cómico? A propósito deste anúncio, Bruno Nogueira falou na TSF e fez um comentário, no seu habitual modo sarcástico e incisivo que não deixa escapar nada. Cruzamento de histórias: já há no facebook um grupo de gente "que não grama o anúncio", assim como um quizz para saber que cliché do Pingo Doce és tu? Sabe bem gostar tão pouco...

Trial By Fire

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Jar Jar Cameron, o Avatar de James

James Cameron está de bico calado há 12 anos desde que fez Titanic, tudo porque tem estado em preparação para o seu próximo filme, este Avatar, que se prevê revolucionário em termos de efeitos visuais. Da história em si pouco se sabe, mas do que nos foi dado a ver, parece que Cameron foi possuído pelo mesmo espírito que fez descambar George Lucas na Ameaça Fantasma de Star Wars. Tudo aqui é digital, e para um hype tão grande, a previsão não é a melhor. Esperemos que nos engane.

sábado, 24 de outubro de 2009

Mr & Mrs Duplicity


É inevitável, ao sabermos da premissa deste filme, não fazermos paralelismos com o primeiro date de Brad Pitt e Angelina Jolie, há quatro anos atrás em Mr. & Mrs. Smith. Onde ali o produto estava mais virado para a pipoca, o barulho e a diversão, aqui está mais virado para a selectividade, o raciocínio e o gozo intelectual. Esclarecido fique que não se deve nunca considerar estes como produtos rivais, porque apesar das aparentes e numerosas semelhanças, igualmente variados são os pequenos detalhes que muito os afastam.

Numa narrativa a transbordar de flashbacks, somos apresentados a Claire Stenwick e Ray Koval, a trabalhar para companhias rivais, que parecem partilhar muito mais do que um passado como agentes secretos. Todos se têm em extrema boa conta, assim como não substimam ninguém; a falta de confiança alheia é algo que está sempre presente, porque como sensatos que são, sabem que podem ser vítimas de algo que eles próprios são capazes de fazer. A maneira como a história nos é contada está nas hábeis mãos de Tony Gilroy que só nos deixa saber aquilo que ele quer que saibamos. Intrigas e reviravoltas a mais podem jogar contra mas também a favor; acho que é tudo uma questão de coerência e de habilidade. Fôra a história desprovida destas reviravoltas em excesso, ser-nos-ia mais fácil descobrir o que não tínhamos (ainda) que saber.

Tony Gilroy tem sido um caso de sucesso, tendo como mais marcantes os seus argumentos para toda a saga de Jason Bourne, O Advogado do Diabo e mais recentemente o seu definitivo salto em Michael Clayton, pelo qual conseguiu uma nomeação ao Óscar de Melhor Realizador. Contidamente deu-nos provas de que os seus trabalhos eram dignos de registo e com óbvias provas de qualidade. Nesta sua segunda incursão pela realização, Gilroy não se afasta do género no qual se mostra à vontade, dando-nos personagens fortes e decidas, porém atípicas que quer num registo mais dramático ou comédico comunicam através de fortes e inteligentes diálogos que as caracterizam e destacam. O que Duplicity tem de bom, é que os ingredientes para que fosse esquecido ou rebaixado estavam lá, mas foram contornados. Regressámos aos antigos capper-movies dos anos 50-60 com espiões que querem enganar tudo e todos. Sabe bem ver que quando as coisas são bem pensadas e inteligentemente executadas, os revivalismos são mais que bem vindos.

Tully's Letter

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Os Informadores são Uns Infames.

Está nas salas o novo filme do representante por excelência da Geração X, Brett Easton Ellis, Os Informadores. Fiel ao seu estilo e à sua corrente, esta é mais uma história ambientada nos anos 80, em que a futilidade, as drogas, e a vanidade dominam. Muito ao estilo do superior American Psycho, esta incurssão entra pelos meandros de uma sociedade endinheirada e amoral, que se move à beira do abismo.

Contrariamente ao que sucedeu com American Psycho, a adaptação aqui não correu tão bem. Corrijo, não correu bem de todo. American Psycho é um filme genial, equilibrado, bem conduzido e concretizado; este Os Informadores peca por ser um mais do mesmo, sem os mesmos recursos, o mesmo orçamento, o mesmo dinheiro. O facto de a história, ou histórias que lhe servem de base serem desprovidas de interesse, não parece ajudar à festa. Nunca nos sentimos verdadeiramente embrenhados, nem agarrados ao filme, porque se por um lado a história nos perde dentro da simplicidade, os seus personagens afastam-nos pela falta de interesse. Não há um mobil, um interesse ou uma característica marcante; há uma sucessão de acontecimentos triviais dentro da anormalidade, e um conjunto de detalhes que, pensaria qualquer um, estariam lá para uma razão mas não.

Mostraram-nos vários flmes com núcleos diversos, e histórias paralelas, que a convergência para um acontecimento final, é não só recomendável, como necessária, mas só quando fôr bem feita (ver Magnolia de Paul Thomas Anderson). Ao fim de 90 minutos (curta duração para um filme normal, mais ainda para um pretensiosamente complexo) parece-nos que passaram 3 horas. Uma coisa há que fazer justiça, se o objectivo do filme é criar no espectador um sentimento de alienação, despreocupação e raiva, como se quer fazer acreditar que sejam as características das personagens, então missão cumprida. Se, por outro lado, o objectivo era o de nos fazer passar uma mensagem (seja ela qual fôr) um moralismo, ou uma crítica social, então tanto pior.

Walking On Sunshine

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Enxurrado para Casa

O tempo parece não se decidir. Confrontados com isso, saímos todos de casa e chegamos ao destino com um ar deslavado e desgrenhado; a chuva lava a cidade, mas parece deslavar-nos. Apesar disso gosto de chuva. Não me vejo a viver num ambiente soturno que vive permanentemente num clima de chuva ininterrupta, mas estes dias que hoje começam fazem-me relembrar o quanto já tinha saudades e o quanto realmente gosto deles. Não acredito, mesmo, que seja o único a pensar assim. Por adorar uns bons dias de chuva, não significa, forçosamente, que os prefira. Nada melhor que dias de sol, com calor para neles fazer o que se queira; mas enquanto que esses dias, logicamente, nos obrigam a sair de casa, estes forçam-nos a ficar, o que não é nem pode ser mau. Muitos de nós podemos ter a sorte de em casa nos sentirmos bem, seja sozinho, seja acompanhado para gozar (ainda que inconscientemente) da casa onde vivemos e onde nos afeiçoamos. Quanto ao que me diz respeito, sim gosto deste tempo.

Kissing In The Rain

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Bela Guerra

James Newton Howard - War

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Not Falcons Millenium, but Larsson's

Pouco depois de Stieg Larsson entregar à sua editora o terceiro volume da trilogia Millenium, morreu subitamente sem saber o êxito que teria a sua obra. Não tardou a adaptação cinematográfica desta, que agora está a dar um novo impulso à história. Este primeiro capítulo da história, agora adaptado ao cinema, (Män som hatar kvinnor) O Homem Que Odiava As Mulheres, centra-se na peronagem de Mickael Blomkvist, jornalista sueco que é contratado por um magnata para que investigue a morte de uma sua sobrinha, sucedida há 40 anos, e que até ao presente continuava um mistério. O que torna este primeiro capítulo interessante é um regresso ao bom velho género do whodunnit, mas dentro de uma família. O crime só pode ter sido cometido por um dos membros da vasta família; resta agora saber quem e porquê passadas quatro décadas. As duas horas e meias, e o ser falado em sueco, pode e será, sem dúvida um entrave ao grande público. É simultâneamente bom e mau que assim seja. Bom porque o que arruinou a grande parte das adaptações de obras de culto (falo logicamente das americanas) foi a adesão em massas, que provoca uma facilidade em florear, o que não deve ser floreado, reduzir ou cortar o relevante e banalizar o peculiar. Mau porque a probabilidade de, apesar do seu fenómeno de culto, o filme passar despercebido é grande.
As quase três horas de duração acabam por ser uma necessidade, a história não poderia ser contada de outra maneira. Se certos detalhes ou subplots fossem omitidos, retirava pujança á história e densidade às personagens. Aliás, uma duração de 158 minutos não é, de todo, um entrave a nada, quando a hstória é bem contada e tudo se desenvolve de forma fluída e natural.
Ficam-nos a faltar mais seis horas de história, nos dois filmes que aí virão. Resta é saber quando...

Warning Cry

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Maitêmjeito?

Por esta hora, poucos devem ter sido os que ainda não viram o vídeo que circula pela net de Maitê Proença a gozar com os Portugueses. O vídeo é de 2007, mas só agora é que estalou a polémica e a fúria. Em 5 minutos, goza abertamente com Sintra, Salazar, com os Jerónimos, e passa-nos um atestado de estupidez com um ar de superioridade e desdém revoltantes. Acho que não é preciso ser-se extremamente patriota para não ficar revoltado ao ver o vídeo. Todos já sabíamos que somos o alvo das anedotas de lá, que a língua que falam é o "brasileiro", que a nossa história e cultura (que lhes serve de génese) lhes é desconhecida; ainda assim, nada nos faria esperar um vídeo tão publicamente escarnoso, tão pouco o podemos encarar como mais uma anedota. O caso é grave. Durante dois anos até à sua ressurreição pelo Youtube, o vídeo por aí andou sem que nenhum feedback tivesse passado do lado de lá do oceano - como interpretar isso senão como um fait-diver? O que se passa no vídeo é indescritível, a reacção das apresentadoras do programa vai pelo mesmo caminho; embarca tudo no mesmo gozo, na mesma falta de profissionalismo e abundante estupidez como a peça em si.
Face a toda esta polémica, surgiram abaixo-assinados online para que a actriz fizesse um formal pedido de desculpas. A minha pergunta é, porquê? Um pedido de desculpas forçado tira-lhe o mérito, além de que aqui nunca o teria - foi um vídeo pensado, aprovado e divulgado.

Confrontada com esta situação, tem a destreza mental para dizer que os livros que escreve vendem muito bem "lá na terrinha" e que "é chato o pessoal que não sabe lidar bem com o humor". Isto não é humor, é estupidez e decadência a toda a prova. Se não sabíamos, ficamos a saber, o cair em desgraça tem destas coisas: envergonhar-se em actos públicos, e defender-se ainda se enterrando mais. É caso para dizer que trouxe a pá, cavou o buraco, tapou-se e lá ficou, tudo sozinha, sem ajuda. Vale a pena desenterrar?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O Karma da Estrutura da Repetição

O mundo continua a precisar de comédias românticas. A falta de originalidade é patente e já foi aqui largamente discutida, mas cumpre saber se devemos ou não considerar isso um defeito, ou uma obrigatoriedade. Por mais exigente que o espectador seja, o que é facto é que a originalidade que muitos procuram e exigem, esgota-se - e isto vale para qualquer género de cinema. O objectivo desta crítica não é tanto a de defender a extinção desse género denominado comédias românticas, mas antes mostrar o porquê da minha falta, cada vez maior, de apatia por este tipo de cinema.

Aos romanticos incuráveis não lhes basta sê-lo apenas no dia-a-dia, em atitudes, julgamentos ou acções; precisam também de uma dose de romantismo ficcionado e exagerado que procuram em livros, filmes, séries ou novelas. O facto de não partilharmos os mesmos gostos, não pode necessariamente defenir-nos como cínicos, só não precisamos daquela dose de açúcar que até para os não diabéticos é demais. Tudo isto, porque ontem, e ao engano, caí numa dessas. Uma pequena coisa chamada The Accidental Husband - Marido Por Acidente. Se a exposição até agora ou o título, por si só, não foram suficientes para dar a entender o que temos em mãos, fiquem só sabendo que tudo gira à volta de um bombeiro que resolve arruinar a vida da bem sucedida locutora de um programa de rádio que acabou com a sua relação. Não é preciso ser propriamente óraculo para adivinhar o fim, nem o resto do enredo que nesta frase não descrevi. A linearidade, a curta duração, as personagens secundárias funcionais e a música de comédiazeca divertida estão todas lá, mas se às vezes podem resultar num produto mais ou menos sofrível, aqui torna-se doloroso. Até que ponto é que é exigível que as comédias romãnticas sigam sempre o mesmo esquema? Quão diferente para o espectador pode ser uma mulher bem sucedida dividida entre o namorado bem sucedido e alguém que começa por odiar, mas com quem acaba por ficar? Não levem a mal se acharem que revelei mais do que devia sobre o Marido Acidental, mas como escrever este post sem o fazer inadvertidamente? Atenção, tal como comecei por explicar acima, não é só este género que é vítima deste mal, acaba por ser a indústria em geral, por a crise de ideias ser mais do que consequente e expectável; consequência disso são as repetições de ideias, revisitações de fórmulas ou mesmo reinvenção das mesmas. Seja como fôr, para quem não se importa com isso, descansem, há happily ever after por muitos e bons anos.

James Newton Howard Suite

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

McBilly

Até recentemente, o Big Mac não era só o menu mais pedido no McDonalds, era também uma referência para comparar o poder de compra em cada país. Se este facto parece estranho, não menos é o novo herdeiro desse indicador: a estante Billy do Ikea.
Através do índice Big Mac, lançado em 1986 pela revista The Economist, Hong Kong era das cidades mais baratas, sendo Zurique, das mais caras (Oslo é a mais cara).
Rídicula achamos esta notícia quando é sugerida uma estante de que nunca ninguém ouviu falar para aferir o poder de compra em cada país, mas se o IKEA é o McDonalds da indústria do mobiliário, não será assim tão descabido. Vamos lá todos marchar para Alfragide ver quanto nos custa uma Billy, ou até à próxima esquina ver a quanto está o Big Mac!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Palavras Mágicas e Nostálgicas

"Eu hoje pareço estar com uma adversativa militante"

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Interpolanski

Roman Polanski foi preso, há 3 dias em Zurique. Para quem não está familiarizado com a história pessoal do realizador polaco, fique sabendo que dava para um filme com tantos ou mais incidentes do que aqueles que filma.

À parte da sua longa e prestigiada carreira que inclui filmes tão conceituados como Rosemary's Baby, Chinatown e mais recentemente, O Pianista, Polanski fora casado com Sharon Tate que, em Agosto de 1969, grávida de 8 meses, foi brutalmente assassinada em Beverly Hills juntamente com quatro amigos, pela "Família" de Charles Manson. 8 anos depois, Polanski viu-se envolvido num escândalo sexual envolvendo Samantha Geimer, na altura de 13 anos. O acto não foi negado pelo próprio, e após se ter dado como culpado, submeteu-se a uma avaliação psicológica que durou 42 dias. Confrontado com a continuação da pena, Polanski fugiu dos Estados Unidos para Londres e um dia depois para Paris; ora, fiel ao tratado de extradição com os Estados Unidos, França pode escusar-se a extraditar os seus cidadãos (Polanski tem dupla nacionalidade - polaca e francesa). Desde então, Polanski manteve a sua residência em França, e evitou viajar para países que pudessem facilitar a sua extradição para os Estados Unidos.
Até agora. Ao chegar a Zurique, para onde viajava para receber um prémio de carreira, Roman foi preso pelas autoridades Suíças. A detenção surgiu no seguimento da descoberta de investigadores americanos, dos planos da referida viagem, o que deu ao governo americano tempo suficiente para negociar com o suíco a apreensão. Apesar do ordem de captura existir desde 1978, e figurar na lista encarnada da Interpol há já alguns anos, só desde 2005 é que os EU requereram, mundialmente, a sua apreensão e extradição.

Pendente fica o extremamente interessante projecto que acabara de filmar na Alemanha, "The Ghost" com Pierce Brosnan, Ewan McGreggor e Kim Catrall. O que se passará daqui para a frente? Não sabemos se este projecto ficará no limbo eterno, já em fase de pós-produção. É de recordar que as "facilidades" que teve após aquele incidente foram mais que muitas. Em 77, no seguimento das acusações, foi-lhe permitido terminar o projecto que tinha em mãos; em 2002 foi-lhe atribuído o Óscar de Melhor Realizador por "O Pianista" e o Ministro da Cultura francês a vir dizer publicamente que esta detenção não faz qualquer sentido, uma vez que as acusações já são tão antigas e sem nexo que não deviam afectar alguém que fez tanto pela arte.
Opiniões formem-nas como quiserem, mas Polanski, übermensch por 30 anos, pode ver essa superioridade ameaçada.

Don't Forget The Rules

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Trabalha, que és lindo

Esteve uma semana com um tempo óptimo, a fazer-nos pensar como verão deveria ter sido e não foi. Quase parece de propósito, não trabalhei dois dias; fiz algo muito mais entusiasmante: estive em casa a curar uma gastroenterite que meteu todas aqueles episódios agradáveis que se conhecem, assim como também hospital. Hoje, já estou de volta! Não à forma física mas ao trabalho(!!).

The Arctic

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

...a giant leap for mankind

Aqui há uns tempos fiz um post dedicado a um novo compositor que tinha redescoberto. Brian Tyler mereceu-o, porque continua a ser presença indispensável nas minhas listas, mas ao ter-lhe feito um post, não poderia, porém descurar outros. Tyler está longe de ser o meu compositor preferido, John Powell, James Newton Howard e Trevor Rabin continuam a ocupar esses lugares. De qualquer forma, nos últimos tempos, cada vez mais me tenho vindo a aperceber que desse topo, senão mesmo na frente deverá estar um artista cujo talento e trabalho tem dado provas mais que provadas. Falo de Craig Armstrong. Este escocês tem a sua formação na Royal Academy of Music, e a sua experiência não se ficou somente pela composição clássica. Colaborou com diversos grupos de electronica, mais concretamente com os Massive Attack. Para o público em geral, é bem capaz de ter sido essa a área em que mais se destacou. Para mim, porém, e previsivelmente, foi na composição clássica.

Todos os compositores têm um óbvio fio condutor, um estilo a que obedecem; estilo por si definido ou em si criado pela formação músical que tiveram. Num texto que há alguns tempos li, falava-se de como cada compositor se tornava identificável por mais eclécticos e díspares que os seus trabalhos fossem, mais longe ainda ia a opinião(que subscrevo) que há um quê da etnia que se mantém. John Williams identifica-se à légua como Americano: as fanfarras que escreve, os instrumentos que usa, são apelativos mas na sua maioria pouco sumarentos. Hans Zimmer, por seu lado tenta fazer o mesmo, mas como a sua influência germânica pesa bastante, existe um cruzamento de vivências e estilos que resulta numa riqueza maior, ainda que mainstream. Armstrong transparece a sua influência britânica em cada nova partitura. Sendo todos os seus trabalhos, maioritariamente intimistas, talvez seja por isso que não estejam tanto no ouvido e no conhecimento de todos.
Armstrong compôs um inacreditável Bolero para o conhecidíssimo Moulin Rouge que passa assim que o filme termina. Em 7 minutos de música, Armstrong compõe a tragicidade que Baz Luhrman filmou. Em Elizabeth: The Golden Age, Armstrong herdou a batuta de David Hirschfelder, nomeado a um Óscar, e tendo umas altíssimas expectativas para igualar, superou-as de longe. Compondo a meias com A.R. Rahman, surgiu aquele que talvez seja o melhor e mais coerente trabalho de ambos: uma soberba obra que mistura os dois estilos, para uma história de época. Opening, Bess and Raleigh Dance, Mary's Beheading, Bess to See Throckmorton, Closing falam por si. Até para um filme de qualidade menor como The Incredible Hulk, Craig criou uma partitura de tal forma superior que convenceu o estúdio a editá-la numa edição de 2 discos e 45 faixas. Em poucas semanas, tornou-se das bandas sonoras mais vendidas da História. Já por duas ocasiões diferentes, publiquei aqui uma das minhas composições preferidas de sempre, precisamente deste filme, chamada Favela Escape. Quase tão boa é The Flower. I Can't, Bruce And Betty, Give Him Everything You Got, são igualmente muito boas.

Se realmente este for um post que lhes faça sentido, não deixem de descobrir ou redescobrir este compositor. Garanto-lhes que vale bastante a pena.

Mãe, muitos parabéns pelo dia de hoje.

domingo, 20 de setembro de 2009

Clint Mansell - The Fountain (O Último Capítulo)

O filme a que este disco serve de base é dos mais difíceis e peculiares filmes que alguma vez vi. The Fountain - O Último Capítulo, conta a história de um homem, médico, obcecado com a doença terminal da sua mulher, e que faz do seu objectivo procurar uma cura. Paralelamente é-nos contada uma história 500 anos antes, e outra 500 anos depois. Em todas três, o enredo gira à volta da busca da vida eterna, sendo as ilacções tiradas e discutidas pelo espectador.
Sendo este um filme obviamente filosófico e intimista, a banda sonora não teria como não o ser. O que Clint Mansell fez, foi criar uma partitura que além de se enquadrar de forma totalmente harmoniosa com as imagens, funciona igualmente bem, se não melhor, sem elas. Veja-se o exemplo de "Together We Will Live Forever", tema principal do filme, e que só é ouvido já nos créditos finais: é de simples execução (só há um piano), mas de pesada descoberta. Honestamente, é das melhores faixas que já ouvi, e a escolha de não a ter a passar durante o filme revelou-se acertada; a mera distracção das imagens poderia tirar força à peça, mas ainda assim, para quem viu o filme, e o perceba, faz de facto todo o sentido ouvi-la tendo a história já sido integralmente contada. Em "Holy Dread!", "Tree Of Life" e "Death Is The Road To Awe", a percussão é mais marcada, assim como os coros, não se afastanto da temática central, especialmente a última, que acompanha o climax do filme, e que tal como ele é um dos pontos altos da obra.
Esta banda sonora, composta por Clint Mansell, teve a particularidade ter sido tocada pelo Kronos Quartet, e pela banda de rock Mogwai que resultou numa simbiose de diferentes estilos. Duma colecção de cerca de 300 bandas sonoras, é complicado eleger alguma como a preferida, porque por melhores que algumas sejam, têm sempre algumas partes menos boas; com The Fountain, isso não acontece. Poderá, para alguns ser preciso mood para a ouvir, mas para os que não fôr e queira descobrir um trabalho soberbo, daqui não sai desiludido.

Track List:
1. The Last Man 2. Holy Dread! 3. Tree Of Life 4. Stay With Me 5. Death Is a Disease 6. Xibalba 7. First Snow 8. Finish It 9. Death Is The Road To Awe 10. Together We Will Live Forever

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Idade da Indecência

Já estamos todos fartinhos de saber que séries só vendem com gente bonitinha à frente. Cai um avião numa ilha deserta, cheia de desconhecidos talhados para sex symbols; uma sociedade de advogados com dramas amorosos que mais parecem backstage de um desfile; vivos, mortos, presos, livres, ricos pobres, todos estão convenientemente deslavados num arranjo pouco natural. O mesmo podemos dizer das supostas idades das personagens que alguns actores encarnam. Basta olhar para todos as séries (e filmes, claro está) onde as colegiais parecem saídas de uma fraternidade de veteranos de faculdade, e os pais parecem poucos anos mais velhos. Para isso vejamos um exemplo paradigmático: na genial série Nip/Tuck veja-se as personagens de Joely Richardson e John Hensley, que faziam de mãe e filho, quando na realidade tinham 12 anos de diferença. A explicação desta pequena curiosidade pode prender-se mesmo até com a própria mensagem da série: o conceito de beleza e perfeição em que a sociedade se afoga, faz recorrer a estériotipos que no ecran resultam, mas cá fora não. Nunca a velha suspension of disbelief fez tanto sentido.

Rock The Casbah

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O Corredor da Morte

No Corredor do Poder desta noite, quando perguntada sobre o desempenho do seu líder, Jerónimo de Sousa, no debate com Sócrates, Margarida Botelho diz, com toda a franqueza: "Lamentavelmente não assisti ao debate do líder do meu partido porque estava na festa do avante!" Brilhante! Melhor, segundos depois, a Ana Drago é-lhe perguntado o mesmo quanto a Francisco Louçã: "Pois...eh..eh.. eu também não vi o debate por estar ausente, nem tive oportunidade de o ver desde então"!

The Hand Of Fate

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Lei dos Sacanas

Tarantino fê-lo outra vez. Poucos são aqueles que se podem dar ao luxo de a cada filme novo criarem uma identidade para a sua década, independentemente do tema ou de mediatismo do mesmo. A obra do realizador, embora pouco numerosa, é suficientemente diversificada, mas coesa pelo não-abandono do estilo.

Estamos em plena Segunda Guerra Mundial quando dois núcleos separados convergem com o intuito de acabar com a vida de Hitler e os seus aliados políticos. Dividido em cinco diferentes capítulos, o filme de Tarantino não obedece à típica norma de pôr todos os intervenientes a falar inglês numa França ocupada; cada personagem fala a sua língua, e desenvolve-se com as possibilidades e limitações que isso comporta. Tarantino foi fidedigno neste ponto específico não o sendo noutros, mais concretamente nas liberdades históricas (não falando nas estilísticas) que toma. Uma vez mais as personagens principais são fortes de carácter, decididas e empenhadas em cumprir o objectivo a que se compremetem quando aparecem, não há surpresas: Tarantino, pura e simplesmente nos surpreende com reviravoltas de história, os objectivos querem-se cumpridos, os vilões punidos e redenção e perdão não devem existir.

Goste-se ou não do estilo, da narrativa e dos filmes de Tarantino, não pudemos é negar que irreverência e talento não lhe faltam por até agora, e ainda bem, não abrandou nem desiludiu. Se é preciso esperarmos 4 a 5 anos por um seu filme, que seja, antes isso e termos uma obra coesa do que vários desnexos como acontece a tantos outros. Este Sacanas Sem Lei já teve o seu devido e merecido reconhecimento no Festival de Cannes, a temporada de prémios no final do ano encarregar-se-á do resto, mas decerto que esta entrada superior não será ignorada.

* * * * *

Il Tramonto

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ao Som da Estação

Depois de um mês de ausência, marquei o regresso por mostrar a imagem e o som do verão. Mas, querendo voltar a escrever regularmente no blog, e não querendo manter-me sempre na mesma área, reparo que é complicado, senão mesmo impossível. Dou por mim a ouvir uma meia dúzia de músicas repetidamente, sabendo que ficaram elas associadas a pessoas, coisas e sítios deste meu último(?) ano de soltura.

Tomb Of The Primes - Steve Jablonsky
Uma vez mais Steve Jablonsky volta a lançar um trabalho em plena época balnear, que teima em manter-se na cabeça (minha e não só). Este é um tema que ao lado de Infinite White, se destacam tanto no tom, como no estilo de um álbum bastante heterogéneo. Cada vez mais em músicas instrumentais, as vozes femeninas têm presença por forma a transmitir a ideia de calma e tranquilidade. Não fugindo esta peça à regra, nem ao pastiche da Media Ventures, vale por si só como uma entrada marcante e significativa.

Alguém Me Ouviu - Mariza e Boss AC
Se este dueto é improvável, mais ainda foi a minha reacção ao produto final. Cantarem simultâneamente, seria impossível, porque os estilos de ambos são diametralmente opostos; a solução foi a óbvia: cantarem alternadamente, num meio caminho entre estilos, palavras e sentimentos. Vejo-me claramente inclinado para as partes de Mariza, não por gostar de fado, (mas não do dela), mas porque é indiscutívelmente a parte mais forte, até a nível musical, os incontornáveis e essencias violinos e a típica e inigualável guitarra portuguesa. Foi, sem sombra de dúvida, a música mais marcante que ouvi nos últimos tempos; é uma rendição total e absoluta que não diminui, e prova que por mais detractor que possa ser da música comercial portuguesa, sei ceder e render quando a qualidade fala por si.

Favela Escape - Craig Armstrong
Quanto à música anterior falei de rendição. Não foi exagero; mas se essa palavra foi bem empregue, terei que descobrir uma outra mais forte e significativa que chegue para descrever esta música. O filme de que faz parte é de qualidade francamente duvidosa, mas quando pela primeira vez a ouvi, há cerca de 9 meses, "rendi-me" por completo. Armstrong voltou a empregar o seu estilo percussivo, juntando uma orquestra de violinos, criando um tema poderoso, marcante de fácil compreensão e memorização, mas de desafiada degustação. Recomendo, obviamente que ouçam a música na sua totalidade, mas a maior e última riqueza da mesma encontra-se de 1:15 a 1:42.

I60 BPM - Hans Zimmer
Que Zimmer é um incontornável nome da composição não é segredo, muito menos o seu talento. A razão pela qual é considerado, cada vez mais como o mais influente compositar da cena internacional, prende-se com a sua versatilidade já provada, ainda que mantendo o seu estilo. Este I60BPM, é uma obra complexa, mas de atenção merecedora. A forma como os coros se misturam com a eclética percussão e o omnipresente sintetizador, numa composição irregular mas plenamente coerente, é digna de nota.

domingo, 30 de agosto de 2009

Allons-y!

É de facto curioso alguns de nós termos a inclinação, senão mesmo a tendência para puxar ao sentimento, seja por uma imagem, um som, uma vivência, uma provação ou uma transição. O que faz de nós aptos a crescer é a capacidade de olhar para trás, e realizar que tudo o que passou, nos fez crescer.
Quando devaneio, gosto pouco de falar na primeira pessoa; ainda que transcrevendo isoladamente, muito duvido que esteja sozinho no raciocínio. Se assim não fosse, não haveria empatia, muito menos química entre pessoas por mais diferentes que sejam e que se achem; aliás, é mesmo pela diferença de feitios, vivências, idades e educações que por vezes as melhores experiências surgem. Estamos a elas sujeitos durante todo o ano, mas não será o verão mais propício a que certos sentimentos se acentuem? Por menos comum que a "migração" seja, o paralelismo da mesma faz-nos reencontrar amigos e sítios de toda a vida: todos mudaram, em maior ou menor escala, contribuindo para um misto de saudosismo e construção involuntária de um novo futuro. Este misto vem, então acentuar esses mesmos sentimentos. Os dias que por mais compridos que sejam, são por vezes desperdiçados em sono fora d'horas, e as noites aproveitadas como gozo e vontade de diversão, seja ela qual for. É inevitável que se associem certas imagens ou certas músicas a um verão, por serem as formas que melhor nos fazem recordar o que aquele tempo significou. Fica como imagem o inigualável pôr do sol daquela minha praia, e som o "I Gotta Feeling". Não foram raras as vezes que tive o pressentimento que uma noite seria em grande; este ano muitas foram.

sábado, 1 de agosto de 2009

Coisas Minhas: São Martinho do Porto

Agosto começa hoje com um dia não tão radioso como se esperava, mas que em nada destoa do tempo estranho que tem estado ultimamente. O último verão que, se tudo correr bem, vou poder estar um mês inteiro na praia começa hoje, e estou disposto a aproveitar ao máximo para que arrependimentos não restem. São Martinho e o seu muito desdenhado clima e praia vão receber quem está disposto a aceitá-lo e lá tenha raizes ou afeições.



The Only Moment We Were Alone