O Dialecto está de cara lavada. Quer dizer, primeiro que tudo, não tem cara para lavar, tem uma imagem a renovar. Talvez não tenha passado tempo suficiente para justificar esta alteração, mas achei que, em todo o caso, o devia fazer. Fiel ao seu nome, e à minha missão, o dialecto continua a palrar as suas baboseiras, sujeitas e ansiosas de críticas, por crescer ser o mais importante. A linguagem é a mesma(não cedo ao acordo), os assuntos são os do costume, os leitores esperam-se ser os mesmos, e com sorte outros tantos que consiga entusiasmar.
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Tradição

Já não é a primeira, e por certo não será a última vez que abordo um assunto relacionado com o lugar de onde vim. Uma das razões pela qual gosto tanto da Chamusca é a de haver tantas tradições, que por mais que o tempo passe, todos se oferecem a manter. Talvez a mais característica seja a forma como vivemos a tradição desta Semana que passou, particularmente a Sexta-Feira Santa. A descida do Senhor à tarde e a procissão à noite aproxima todos aqueles que com esta tradição cresceram, quer na fé quer na ritualidade da abordagem. A procissão dos painéis, das velas, lanternas, pálio e imagem está-me tão presente desde miúdo como em todos aqueles que por cá cresceram ou viveram “directa ou indirectamente”.
A questão da tradição, como deve ser mantida, o que deve ser alterado e como, é um assunto complexo e alvo das mais diferentes opiniões. Este é um dos casos que acredito que nada deve ser mudado. Foi essa mesma ritualidade na abordagem que manteve tantos fiéis a esta semana tão importante na vida de qualquer cristão. A tentativa e a efectiva alteração ou inclusão de certos desnecessários protocolos não é vista com bons olhos, mas acredito que se a tradição se manteve tão inabalável e perene passados tantos anos, a esta provação também subsistirá.
Por certo, todos os que de perto conhecem esta tradição esperariam que abordasse os cânticos entoados nessa quase cerimónia maçónica e repetidos na procissão. Não irei logicamente fazê-lo, não é desrespeito, não é lacuna. É enquadramento.

The Citrine Cross

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Clássico de Spielberg


É um cliché chamar génio a Spielberg. Indiana Jones, ET, Jurassic Park, Schindler's List, Amistad, O Resgate do Soldado Ryan, Minority Report: há grandes cineastas que passam uma vida inteira sem dirigir filmes cuja qualidade e a resposta da crítica seja tão irrepreensível. Pus-me a pensar e conclui que por maior lugar-comum que seja, a reputação e a notoriedade de Spielberg é, sem dúvida, facto provado.

Tudo isto porque hoje resolvi rever e reviver o meu maior filme de infância. Nenhum filme houve que eu tivesse visto tantas vezes, nem outro que eu associe mais à minha "juventude". O Parque Jurássico apanhou todos desprevenidos. Os detractores dos efeitos digitais, os seus admiradores, a população geral que não estava à espera de algo assim. A reacção dos paleontólogos nessa já clássica cena em que pela primeira vez reagem às criaturas extintas há 65 milhões de anos é de antologia; a falta de palavras para descrever o que está a frente dos seus olhos é paralela à nossa que não obstante meros observadores, somos tão parte daquele espectáculo como as personagens. O melhor é que só passaram 30 minutos desde que Spielberg nos convidou para esta viagem. É impossível ao mais céptico dos espectadores refutar que a vontade de se deixar levar para dentro do écran é inegável. A criança dentro de nós solta-se, ri-se, emociona-se e treme ao sabor da câmara firme e precisa de Spielberg.

Se procurarem na net os momentos que revolucionaram o cinema, decerto que encontrarão este Parque Jurássico no topo de qualquer lista por os seus responsáveis terem arriscado tanto e terem conseguido dar-nos a magia a que o cinema se propõe. Ainda hoje, ao rever este filme, repetindo muitos dos diálogos, e sabendo todos os desfechos, surpreendi-me e vibrei quase como da primeira vez.

Perguntam-me porquê rever alguns filmes várias vezes. Há aqueles que a televisão nos obriga, há os chamados guilty pleasures, há os que merecem e há os que já são parte de nós. Tenho vários filme que são o exemplo de cada uma destas categorias; depois tenho este, que, à sua maneira e em diferentes medidas, é um pouco de todas.

Welcome To Jurassic Park

domingo, 5 de abril de 2009

Beauty...In an Unlikely Place


Não há nada que mais goste do que ser agradavelmente surpreendido. Bandas Sonoras instrumentais são a minha droga, uma noite ideal passada num lugar só meu, recluso por vontade própria.
Hoje descobri esta pérola no meio de uma obra-prima que serve de música ao que prevejo ser o mais comum dos filmes: Babylon A.D.
Ao começar a ouvir esta música, a influência de Henning Lohner abundava, assim como a de Zimmer, pós Da Vinci. O resultado é o prólogo a um álbum que nos surpreende e apaixona. É pesado, não é fácil, é rico. Quem quiser, peça, caso contrário, não deixem ao menos, de dar a merecida atenção a esta fusão de estilos conseguida pelo islandês Atli Örvarsson.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Vídeo que Faltava


É quase transcrever a cena inteira mas é impossível não o fazer:
"que no puedo vivir asi, que me va a explotar la cabeza"
"damela, damela.....que me des la pistola!!"
"te vas a matar!"
"you people are both crazy, how the hell am I going to explain this to my husband?"

Interpretando o Leitor

Todos os anos a Academia nomeia para as categorias principais um filme mais intimista, por via de regra com grandes actores, num baixo orçamento, em que o show-off cede perante a qualidade; ou por outra, o show-off aqui é a qualidade do material de base, a adaptação do mesmo e o interesse que nos agarra.
É facto que o Holocausto, bem como os eventos que se lhe sguiram, ainda hoje provocam em nós um magnetismo indescritível. Não é de entender como um fascínio mórbido, antes porque foi um dos momentos mais importantes da História mundial, cujas ramificações para sempre se farão notar, e que já mais poderemos contornar.
O que o Leitor faz não é redefinir a abordagem ao tema, mas antes contar uma história intemporal numa época de adversidade. A maneira como o filme é conduzido é também fora de série, pela mão de Stephen Daldry, que conseguiu a proeza de ter sido nomeado três vezes ao Óscar de Melhor Realizador pelos seus três únicos filmes. Sendo um filme bastante diferente d' As Horas, que para mim continua a ser de longe o seu melhor, notamos que a mestria de ambos tem a mesma assinatura. O Leitor é de facto um filme de excepção, contrariando aqueles que se surpreendaram aquando da sua nomeação a 5 Óscars, incluindo o de melhor filme.

The Reader Suite

terça-feira, 31 de março de 2009

Clarão na Neblina


Dead Can Dance - "Host Of The Seraphim"

Quando um filme me surpreende, não paro de pensar nele. Aconteceu-me recentemente no mais improvável dos filmes de terror. Desta última vez que fui ao Blockborla, resolvi comprar incluir na pilha The Mist. Ciente que nos últimos anos a qualidade dos filmes de terror tem vindo a decrescer de forma alarmante, achei que este poderia surpreender, talvez por ter como realizador Frank Darabont.
Stephen King é um escritor muito bem visto pela crítica, embora tendencialmente virado para o tema de terror, já escreveu sobre outros, e adaptações das suas obras são em barda, quer em cinema ou televisão. The Mist é mais uma nesse filão. O que este The Mist pretende ser é uma teorização sobre o comportamento humano, como reagimos à mais adversa das situações, e quem cede e como perante o medo e a falta de esperança. Enquanto filme, não é mesmo nada de especial, o que lhe vale é o seu final. Há muito tempo que não via um final tão cru, tão “brutal”, tão anti-hollywood. Foi condição de Darabont ao estúdio, que nem intervisse na montagem, nem vetasse o final. O que nos deixou foi uma conclusão violenta e fora do comum que nos deixa tão chocados e revoltados como a personagem sobre a qual incide.
The Mist não permanece na memória de ninguém no seu todo, mas sim pelos seus 10 últimos minutos que fazem nascer interesse e fascínio por um filme que já estávamos dispostos a esquecer.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Atmosferas

Se googlarmos atmosfera, logicamente ficamos a saber tudo ou quase tudo o que é possível sobre a "camada de gases que envolve (nem todos os casos) um corpo material com massa suficiente".
"Os gases são atraídos pela gravidade do corpo e são retidos por um longo período de tempo se a gravidade for alta e a temperatura da atmosfera for baixa. Alguns planetas consistem principalmente de vários gases e portanto têm atmosferas muito profundas." Pegando nesta explicação cientifica, vamos tentar perceber, ou eu tentar concluir o porquê da utilização deste termo quando queremos definir aquela sensação.

Há pessoas mais susceptíveis que outras a determinados ambientes, propensos a ter uma sensibilidade sui generis a determinadas coisas, que parecendo o mais comum possível, de facto não o são. Não acho que seja estranho; peculiar é, porque nem todos se predispõem à realização emergente da observação ou experiência de um pequeno grande momento que não defino por ser tão subjectivo. São pequenas coisas em que cada um se sente longe, não fisica (mas porque não?) mas mentalmente, tão longe que se "vê" num outro mundo tão seu mas tão improvável, ou outras vezes nostálgico que se abstrai de tudo o resto. Pode parecer a quem lê, que isto é dizer muito sem dizer nada, é divagar sem concretizar. Talvez não seja.

Um pôr do sol, um céu azul, uma tarde chuvosa, uma manhã, uma tarde, uma noite, uma praia, uma estrada, o vento e até um simples saco ao seu sabor cria em nós um sentimento em que nos achamos envolvidos (porém nem sempre!).É certo que a definição que acima transcrevi fala em massa suficiente, mas embora não tendo nada a ver, eu encaro esta massa suficiente como aquela categoria que atrás falei dos que têm a predisposição para se deixar mergulhar nessa atmosfera e de lá gostar estar. A forma como o a cena acaba, e que estranhamente está cortada deste vídeo, é com a aparentemente fatal mas poderosoa frase: "There is so much beauty in the world, that sometimes i feel like i just can't take it". A pujança desta frase tem o seu alcance máximo num seguimento, plenamente justificado onde está inserido, mas o que mostra também toda a sua força e veracidade (para aqueles que a queiram)é o seu inegável nexo num outro qualquer (correlacionado) contexto.

A continuação da citação fala em gases, atracção, planetas, etc. Será tão descabido assim, para mim não é, estabelecer um paralelismo entre isso e o que tenho estado a falar? Atmosfera é um conceito com vários entendimentos: além do científico, cada um, à sua maneira, lhe dá o seu. Fico feliz pelo que lhe dou, e acreditar que muitos mais por aí também lhe atribuem um seu entendimento, não à minha maneira, não no meu dialecto, mas num outro de raiz comum.

Any Other Name

sábado, 28 de março de 2009

"Benicio del Toro Se Queda Sin Respuestas"

Aí está uma entrevista que "dói" ver. Steven Soderbergh resolveu fazer um filme biográfico sobre o suposto herói revolucionário Che Guevara, em que exalta a figura e omite a realidade. Quem foi esse personagem, o que fez e aquilo que representa, é impossível não se saber, aliando ou não a isso as nossas ideologias políticas discordantes; agora quando alguém conscientemente concorda interpretar um papel verídico, há que se informar sobre ele. A prova de que del Toro não o fez, ou finge não ter feito está aqui documentada. A enrevistadora, é certo, não deveria ter entrado a matar com a espada tão desembainhada, o que faz da entrevista ainda mais desconfortável de se assistir.

quinta-feira, 26 de março de 2009

VOX POPULI, III - Gisela da Porrada (primeira parte)


Desta vez decidi publicar um vídeo no modelo da vox populi mas sem pedir comentários aos colaboradores do costume. Pelo contrário, publico o vídeo, comento-o, e quem quiser que faça o mesmo. De inovador não tem nada, enfim, é mais comum a todos os blogs por aí fora.
A Gisela Serrano dispensa apresentações. Todos se devem lembrar do programa que fez furor (que era mau mas mau) mas com uma concorrente que fez da peixarada um entertenimento ainda mais “cativante”. A sova que a Gisela deu à Sandra está no Youtube dividida em duas partes, esta que aqui ponho hoje, é a primeira, mas já na altura achava que a outra era obrigatória.
Podem revê-la aqui.
Tudo começa quando as duas concorrentes são convidadas a ir para uma noite de copos em Peniche. Descamba em mau feitio, má criação, e muita diversão. Já sabemos que a Gisela acha que o pai da Sandra é de baixo nível, mas dentro do raso, o da Gisela tem muito mais categoria.

terça-feira, 24 de março de 2009

Avatar


Pouco se sabe, por enquanto do ultra-secreto novo projecto de James Cameron (Titanic). O secretismo chega ao ponto de apenas sabermos uns traços gerais sobre a história (de ficção científica), e de que os efeitos especiais e a tecnologia utilizada para os conceber são de excepção. Na semana que passou houve a primeira exibição de um excerto do filme. É obviamente impossível aferir a qualidade do mesmo baseado num pequeno excerto, mas a reacção ao mesmo não podia ter teor diferente. A atmosfera e a qualidade técnica é de tal forma gritante que diz quem viu que só sabemos que os efeitos são digitais porque nos é dito que o são.
James Cameron está habituado a estar na vanguarda da tecnologia, visto que todos os seus filmes falam por si: Terminator 2(1991), A Verdade da Mentira(1994), Titanic (1997).

Sphere

segunda-feira, 23 de março de 2009

Já Repararam Que...Elevadores

Já repararam que... nos elevadores há sempre aquelas pessoas que estão a olhar para cima para o infinito? Não importa se o elevador vai a subir ou a descer, as pessoas olham sempre para cima, e depois, trocam sempre aquele olhar e risinho cúmplice (sim, xica).

Eu tenho um problema com elevadores; se andar neles sem alguém conhecido, não há problema, agora se vou com amigos, etc tenho ataques de riso incontroláveis. Parece justificável talvez com o facto de não haver nenhum motivo para rir, o que é razão suficiente para eu desatar nisso.

Signal Fire

sexta-feira, 20 de março de 2009

Casa


"Home is where the heart is", é o que se diz e não posso concordar mais. Antes de considerar o meu país como a minha casa, patriota extremista que sou, poucas coisas me fazem sentir melhor do que cada vez que regresso à terra que me viu crescer, em que vivi alguns dos melhores momentos da minha vida. Se bem que aqui tudo já não é o que era, a verdade é que algum do fascínio que ainda me atrai (e a outros) não desapareceu; é-me inato sentir-me cá bem, mesmo quando não há nenhuma ocasião especial que aqui me traga. Simplesmente entrar em minha casa, sentir o seu cheiro característico, lembrar momentos que as muitas fotografias não capturaram é, como calculam, inestimável.

Neste ponto, eu e os irmãos concordamos em pleno: a liberdade, os privilégios, as facilidades e a felicidade que tivemos ao crescer aqui não podem ser comprados nem descritos. Por razões óbvias, enquanto cá vivi (até aos 17) sonhava com o dia em que iria viver para Lisboa, mudar de ambiente, e estar mais com os meus amigos de lá. A seu tempo aconteceu, e foi na altura perfeita. Hoje, tenho plena conciência que a minha vida será por razões pessoais e profissionais feita em Lisboa, não cá, mas ninguém me tira os momentos que cá vivi, as pessoas que cá conheci e a identidade que cá foi crescendo comigo. As circunstâncias da vida tudo mudam, há coisas que não podem ser revividas, costumes que se perderam, pessoas que nos foram tiradas; muitas outras irão ser vividas, cimentadas, capturadas e recebidas; não qualitativamente melhores mas na sua medida diferentes e extraordinárias.

É por isso tão bom voltar a este bocado de terra tão característico e nostálgico que não nos deixando reviver muito do que queremos, nos faz sentir tão bem e tão seguros, na sua fortaleza invisível.

You Found Me

quarta-feira, 18 de março de 2009

Vigilantes, Super Heróis ou Nada?

Dizer que os super heróis já não são o que eram, é talvez um pouco extremista, o que é verdade é que a transposição para o cinema de bandas desenhadas, super-heróis ou figuras análogas está de tal forma banalizada, que poucos são icónicos. O que está em questão é reinterpretação de uma visão de outrém que não raras vezes deturpa a mensagem original, o que pode resultar em bons filmes ou em erros crassos.

Estar a enquadrar Watchmen nesta discussão é propostidado pois não obstante o trailer nos "induzir em erro" ao levar a pensar que os heróis do título têm super-poderes a la X-Men, só um é que os tem. Para eém disso, é a adaptação de uma obra com uma vasta legião de fãs.

Watchmen, é um filme pouco ortodoxo, ou pouco linear. São três horas de filme, numa estrutura (exceptuando o acto final) a que o devoto do género está desabituado, os heróis/vigilantes não primam pela rectidão ou altruísmo, o palavreado não é o comum, e até há lugar a cenas de sexo e nudez demasiado explícitas. Mesmo a banda sonora não é aquilo a que estamos acostumados, com Smashing Pumpkins e Simon and Grafunkel numa miscelânia estranha mas eficaz - Zack Snyder não podia fazer outra coisa depois de 300. O aparente anacronismo da abordagem serve para recriar uma década alternativa na perfeição, num mundo apocalíptico e sem esperança, típico ao universo dos super heróis.

Recomenda-se? A quem gosta do universo ou do género ou é capaz de fazer o tongue-in-cheek por horas, claro que sim, para todos os outros, não vai ser este, seguramente, que os vai converter.


The Beginning Is the End Is The Beginning

segunda-feira, 16 de março de 2009

O Futuro da "Noite" Americana

Hoje, ao fazer zapping, parei num antigo vício meu: o Late Night With Conan O'Brien.
Tudo o que é bom, logicamente chega ao fim; ou neste caso modifica-se. Já sabemos, desde 2004, que a NBC anunciou que Jay Leno vai sair do seu Tonight Show para ser substituído por Conan O'Brien, passando o Late Night apresentado pelo "líder" da nova geração, Jimmy Fallon.

Se tiver que os comparar, a resposta é mais que óbvia: Conan. Para começar, tem uma graça mais natural, improvisada e irreverente do que Leno, além de que o programa de Leno é uma auto-bajulação, enquanto que o de o'Brien prima pela auto-crítica. Nos EUA, e ao fim de 2,725 programas o Late Night with Conan o'Brien já chegou ao fim, e Jimmy Fallon já tomou as rédeas. Não tive ainda oportunidade de ver a nova etapa do programa, e logo não irei, de antemão, dizer que mudou para pior, pois surpresas podem acontecer; agora o que tenho pena, é que indo Conan substituir Leno no seu programa, lhe sejam impostos maior decoro, encenação e menos irreverência e espontaneidade. Se os produtores forem espertos, não o irão obrigar, pois cada um tem o seu estilo, e é isso que os destaca.

Cable Chick

quinta-feira, 12 de março de 2009

Freedom Fighters

Muitas vezes surjo com músicas nas quais digo que estou viciado. Esta é a mais recente. Ouvia-a pela primeira vez ontem, e consegui logo fazer o download. O play count no iTunes já é mais elevado do que o de muitas músicas que tenho há anos, mas acho-o plenamente justificado. É uma música intrumental (claro está), épica, e para nosso mal, demasiado curta.
Porquê chamar-lhe freedom fighters? Não faço ideia, quem a compôs, deu-lhe o título que melhor achou, mas o que gosto nas instrumentais, é que lhes podemos dar uma imagem e um título só nossos. Chamem-lhe o que acharem, eu sei como a quero lembrar e chamar.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Segurança

Na semana passada, já atrasado para uma missa cheguei à igreja, parei o carro, e lá fui 20 minutos depois da hora. Quando cá cheguei fora, dei por que tinha deixado o carro extraordinariamente bem arrumado.

Todos sabem o quão cuidadoso e picuinhas sou com o meu carro, mas esta não foi de certeza a primeira vez que o deixei num qualquer sítio, caminhando para outro, sem olhar para trás para ver como tinha ficado. Pode ter sido esta, pode eventualmente ter havido um esquecimento de trancar as portas, ou de andar a fazer ralis no meio de Lisboa. Não é falta de preocupação, é distracção. Não é razão, nem para mim, tão magra justificação que me faça sentir melhor caso algum azar grande tivesse acontecido; mas o facto de ter deixado o carro quase meio metro afastado do passeio (da zona segura, portanto) pode não ser perigo suficiente (há quem faça pior, mas como diz o velho ditado, neste caso, com o mal dos outros posso eu bem) mas ainda assim faz-me, de agora em diante, olhar 2 vezes onde o deixo e como o deixo, porque se tanto o quis ter, então tenho que o tratar o melhor que posso, porque para mim é mais que um carro.

Furious Angels

terça-feira, 3 de março de 2009

Já Repararam Que...Sapatos

Já repararam que cada vez que alguém é atropelado ou cai de um lugar alto, etc, a primeira coisa que perde é sempre um sapato? Até nos filmes se alguém se manda de um prédio, quando chegamos à zona do crime, o corpo está num sítio, e o sapato noutro.









Humpty Dumpty Sat On A Wall

segunda-feira, 2 de março de 2009

Quando um Rafeiro Vence o Sistema

Será que a Academia vive, de facto de políticas? Hoje em dia cada vez mais somos levados a acreditar que sim. Ninguém engole Crash como o melhor filme de 2005 e Uma Mente Brilhante o melhor de 2002. Forrest Gump melhor que Pulp Fiction? Estas são batalhas e conjecturas que vão ser sempre discutidas, por mais anos que a Academia subsista. Os gostos são subjectivos e filmes há que dizem mais a uns, do que a outros. Por exemplo, Lost In Translation para muitos foi uma coisa sem graça, e para outros (nos quais me incluo) um dos nossos filmes de eleição.
Slumdog Millionaire é um filme que representa uma atitude da academia (que de agora para a frente vai acontecer mais vezes) de reconhecer filmes de baixo orçamento, com caras desconhecidas, e realidades distantes das americanas. Se formos a ver friamente, Slumdog é um filme muito diferente e muito igual ao que já vimos antes. Muito diferente no sentido em que pela primeira vez um filme "indiano" é tão global, o boost do Óscar desperta curiosidade e chama público a ver um filme tão fora do comum. Mas o facto é que não o é. A mensagem é universal, a localização é que não. Não quero com isto estar a tirar primor ao filme, longe disso. É um filme tocante, cheio de amor, e na luta por o ter, reencontrar, reaver e manter. De previsibilidade não está isento, mas também não era isso que se queria. Os filmes mais simples e previsíveis podem ser os mais cativantes, se assim não o fosse, a crítica generalizada não estaria rendida ao filme de Danny Boyle. Não se pode é agradar a gregos e troianos, prova disso é frieza, senão mesmo a aversão que a Índia está a ter ao filme. Não é uma Bollywood, mas é uma Bollywood que Hollywood vendeu ao mundo.

The Sun Always Shines On Tv

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Regresso em Força

Tenho estado de jejum ao blog. Não tem calhado, nem concretizei a minha promessa de preparação aos Óscars. Assim que tiver visto mais um ou outro filme nomeado, farei uma análise mais global aos filmes e à cerimónia em si. Por agora, e tendo Penélope Cruz merecidamente ganho o Óscar de Melhor Actriz Secundária, os vídeos das suas melhores cenas em Vicky Cristina Barcelona que tanto tenho procurado, têm chovido no Youtube. Para os que viram o filme revejam, para os que não viram, aqui têm uma amostra do inesquécivel que é o seu trabalho às ordens de Woody Allen.

Broken Strings


James Morrison - Broken Strings (feat. Nelly Furtado)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Desvios Históricos

Para efeitos de dramatização e entertenimento, na maior das vezes, a transposição para a televisão ou para o cinema, comporta desvios, uns mais graves que outros a acontecimentos históricos. Os desvios à história podem, por outro lado, ocorrer por incertezas de facto: dúvidas quanto aos acontecimentos reais, mortes envoltas em mistério, teorias da conspiração, ou comunicados politicamente uniformizantes.

A Duquesa (Georgiana Cavendish, Duquesa de Devonshire)
Ao proporem-se a contar a história de Georgianna Cavendish, era impossível aos seus fazedores, não venderem o produto, espelhando-o na história de Diana Spencer, descendente de Georgianna. Para quem não está familiraizado com a história da referida duquesa, seria mais que óbvio achar que os eventos contados no filme manipulariam a realidade, por forma a criar um decalque da vida de Diana na da sua antepassada. O que é facto, é que este é dos poucos filmes recentes que se mantém fidedigno à realidade, e que o paralelismo das duas histórias, parece mesmo ser coincidência. Se o é ou não, mais uma teoria da conspiração que se forme. Analisando a obra em termos globais, não temos como a atacar, mas tema de conversa, de certo tem pano para mangas.

"Roma" Série
A série mais cara alguma vez filmada, contou em duas séries e 22 episódios, com assinaláveis desvios cronológicos e de figuras históricas, as conquistas, as vitórias, as intrigas de um império grandioso quer na sua expansão, como nos motivos iniciais da sua regressão. É inevitável até aos desconhecidos reparar na novelização da história, mas ainda assim, a qualidade da abordagem levou a melhor, fazendo-nos recordar o império que está na base da nossa identidade.






Alexandre o Grande
Oliver Stone é conhecido pela sua irreverência e pela sua veia política, presente activamente na abordagem das vidas de Nixon e George W. Bush. Mas com Alexandre o Grande foi mais longe tendo feito uma abordagem que não agradou o público, causou um prejuízo monetário titânico, e enfureceu os historiadores. Tivesse andado para a frente a adaptação que Baz Luhrman tinha planeado, ela não seria vazia de desvios também, mas seria, seguramente mais agradável que esta que nos foi dada.




Família Tudor (Elizabeth, Elizabeth - A Idade Do Ouro, Duas Irmãs e um Rei, "os Tudors")
Não nos podemos queixar de falta de abordagem do tema da família Tudor, das irmãs Bolena, do nascimento do Anglicanismo e da quebra com Roma. Do que nos podemos queixar, isso sim, é da forma como foi feita. Ninguém questiona a qualidade técnica e estilística das obras, mas a certeza histórica é violentada. Ausência de figuras históricas relevantes, eventos espaçados retratados demasiadamente próximos, preocupção estilística acima da verdade histórica. É verdade que seria extremamente complicado contar esta história de forma fiel sem alguns desvios, mas este episódio histórico é demasiado importante para ser tratado de forma tão pouco fiel.



Maria Antonieta (Marie-Antoinette, O Caso do Colar)
Quando Sofia Coppola deitou as mãos a este material, violentou-a na sua abordagem estilística, mas deu-nos uma abordagem fidedigna da vida da última rainha de frança. Já no caso do colar, Maria Antonieta tinha uma intervenção mais periférica, mas relevante, mostrando-nos os bastidores da revolução assim como um dos seus catalizadores. Por estas duas obras, temos uma ideia mais real e fiel da vida de Maria Antonieta.

Quando as obras são alvo de crítica pelos desvios históricos, os seus responsáveis saltam em sua defesa, com o pretexto de não terem nenhuma obrigatoriedade de mostrarem os eventos tais quais se passaram. É uma verdade, mas ainda assim, tendo o público a obrigatoriedade de saber o que realmente se passou, também não lhes é devido quando não sabem, que eventos manipulados sejam passados e vendidos como verdadeiros. Só isso.

Opening

DDR

Exageros são demais. Lá diz o velho ditado, tudo o que é demais cheira mal. Ora quer por nós, quer por quem nos rodeia, somos forçados a moderar tudo o que fazemos para uma dose diária recomendada, de uma conversa, de uma piada, de um encontro, de um riso, até!

Caminhando sem destino,
vai o pato abananado,
que não obstante menino,
vai corrigindo o errado

renegando a sua raça,
faz ele "de tudo um pouco"!
alheio ao que se passa
é considerado um louco

tanto as leves como as pesadas
como as penas também cais
depois de provas passadas
é às coisas pequenas que ligo mais.

Viva La Vida

O Génio de Allen


Já tinha falado de Allen a propósito das nomeações para os Óscars. Cada vez mais me apercebo que já não é cool ou politicamente correcto gostar dos filmes de Allen. Quando surgiu a contar-nos as histórias de Manhattan e Annie Hall, todos se aperceberam que estavam perante um cinesta de excepção e uma verdadeira promessa. Daí para a frente, os filmes interessantes, a adesão e o reconhecimento passaram a ser uma constante. Mas tendo em conta que o público rapidamente se farta da genialidade, os seus filmes deixaram de ser tão mainstream. Isso reflecte-se nas receitas de cada filme de Allen: com orçamentos a rondar os 10 milhões de dólares, receitas que nem sempre se transformam em lucros, perguntam-se vocês porque é que se continuam a financiar os seus projectos? A resposta é simples. Porque quem os financia, sabe o quanto nós devemos à sua obra, sabem que Allen faz falta, que devemos aproveitar o seu fim de carreira, da mesma forma e com o mesmo entusiasmo que se fez no seu início. Os seus detractores, podem nunca vir a gostar da sua obra, da sua abordagem, da sua escrita, mas quem já a seguiu, garanto que vai ter saudades do seu filmezinho anual. Até dos mais fracos.

href="http://www.imdb.com/title/tt0497465/"> Vicky Cristina Barcelona claramente não é um destes casos. Apesar de os ingredientes comuns a todos os seus filmes estarem lá, há qualquer coisa que o eleva acima dos mais recentes. A narrativa é fluída, a história é encruzilhada, os actores (vazios dos seus maneirismos, mas cheios dos de Allen) são de excepção, os diálogos precisos, e o humor como o que nos habituou, está no seu melhor. Prova disso é que Allen conseguiu transformar Penélope Cruz, que não é a mais amada das actrizes, na mais falada deste ano, por um papel irrepreensível que lhe valeu nomeação ao Óscar.

Para todos os que têm saudades da Nova Iorque de Allen, o regresso à sua cidade já está em pós produção, e os que ainda vibram com a sua obra, estão em antecipação.




Entre Dos Aguas - Paco de Lucía

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Revolutionary Road

Sam Mendes voltou. Quem estiver minimamente familiarizado com a sua curta mas significante carreira, reconhece que este é, de facto, motivo para correr para o cinema. Não sei se se torna padrão, mas tem sido comum ao autor filmar histórias trágicas, pesadas e com substância. Tendo Mendes entrado pela porta grande, com um dos melhores filmes alguma vez feitos, Beleza Americana, parece quase injusto que um filme fora do vulgar como Revolutionary Road seja considerado menor em comparação. De qualquer forma, é quase impossível não estabelecer paralelismos entre um e outro.

Em plena década de 50, Frank e April Wheeler, mudam-se para um suburbio no Connecticut encorporando, à superfície (como o é sempre) o ideal americano. A família feliz, a casa ideal, os filhos desejados, os vizinhos presentes. O ideal americano, ou o esforço para o atingir e a consequente e lógica teatralidade, sempre degenera numa podridão, num colete de forças INvisível, que não é mais que o maior medo da grande parte da sociedade em qualquer época: a banalidade, a rotina, a falta de espontaneidade e a percepção de que não querendo deixar uma marca perene exterior, a realização interior também não terá lugar. É este o centro de Revolutionary Road, dissertação (não original mas maracante) sobre a pressão posta no instituto de casamento e de relação feliz, em que o tiro sai pela culatra.

A título de curiosidade, o filme é realizado por Sam Mendes, actual marido de Kate Winslet. Este marca o primeiro reencontro na tela de Winslet e DiCaprio, como casal, e Kathy Bates como secundária 12 anos após Titanic. Há outras curiosidades, que não vou aqui revelar, porque iria estragar o elemento surpresa da história, mas que por coincidência ou não estão lá também.

Nomeações para os Óscars:
-Melhor Actor Secundário - Michael Shannon;
-Melhor Guarda-Roupa;
-Melhor Direcção Artística


Nota: Kate Winslet não foi nomeada por este seu papel (não obstante o ter sido, e ter ganho o globo de ouro) porque a Academia decidiu antes nomeá-la por The Reader- O Leitor, por não permitir que um actor seja nomeado duas vezes na mesma categoria]

End Title From Revolutionary Road

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Outra Salzburgo


Salzburgo. É compreensível a qualquer um que só dizer, escrever ou pensar nesta cidade, me dê uma alegria e uma saudade interior que por mais tente pôr em palavras, o sentimento lá não cabe. Posso considerar-me sortudo por ter sido um daqueles a quem esta aventura de viver seis meses fora correu tão bem. Deixou-me marcas para a vida. Experiências que sei que não mais posso reviver, pessoas que possívelmente posso não reencontrar, sentimentos que não voltarei a ter. Cada vez que revisito as minhas fotografias, arrependo-me de não ter tirado duas, tres, quatro vezes mais. Foi uma oportunidade que se perdeu, tendo tudo ficado gravado permanentemente na minha memória.

Para mim aqueles seis meses foram irrepetíveis. Tive tantas experiências posteriores que se igualaram na medida de felicidade e completude, mas são seis meses que não terei de volta, não posso dizer que me arrependo de algo que fiz, arrependo-me foi do que não fiz mais. Tudo o mais que tivesse feito não teria sido suficiente, porque acharia sempre algo que tinha ficado de fora. Relembrarei sim com saudade, fervor e emoção uma cidade, uma experiência e uma grande parte de mim, que não obstante eterna, fica comigo quantos anos eu durar, para revisitar fisica e mentalmente quantas vezes eu puder.

Hoppipola