O Dialecto está de cara lavada. Quer dizer, primeiro que tudo, não tem cara para lavar, tem uma imagem a renovar. Talvez não tenha passado tempo suficiente para justificar esta alteração, mas achei que, em todo o caso, o devia fazer. Fiel ao seu nome, e à minha missão, o dialecto continua a palrar as suas baboseiras, sujeitas e ansiosas de críticas, por crescer ser o mais importante. A linguagem é a mesma(não cedo ao acordo), os assuntos são os do costume, os leitores esperam-se ser os mesmos, e com sorte outros tantos que consiga entusiasmar.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

McBilly

Até recentemente, o Big Mac não era só o menu mais pedido no McDonalds, era também uma referência para comparar o poder de compra em cada país. Se este facto parece estranho, não menos é o novo herdeiro desse indicador: a estante Billy do Ikea.
Através do índice Big Mac, lançado em 1986 pela revista The Economist, Hong Kong era das cidades mais baratas, sendo Zurique, das mais caras (Oslo é a mais cara).
Rídicula achamos esta notícia quando é sugerida uma estante de que nunca ninguém ouviu falar para aferir o poder de compra em cada país, mas se o IKEA é o McDonalds da indústria do mobiliário, não será assim tão descabido. Vamos lá todos marchar para Alfragide ver quanto nos custa uma Billy, ou até à próxima esquina ver a quanto está o Big Mac!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Palavras Mágicas e Nostálgicas

"Eu hoje pareço estar com uma adversativa militante"

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Interpolanski

Roman Polanski foi preso, há 3 dias em Zurique. Para quem não está familiarizado com a história pessoal do realizador polaco, fique sabendo que dava para um filme com tantos ou mais incidentes do que aqueles que filma.

À parte da sua longa e prestigiada carreira que inclui filmes tão conceituados como Rosemary's Baby, Chinatown e mais recentemente, O Pianista, Polanski fora casado com Sharon Tate que, em Agosto de 1969, grávida de 8 meses, foi brutalmente assassinada em Beverly Hills juntamente com quatro amigos, pela "Família" de Charles Manson. 8 anos depois, Polanski viu-se envolvido num escândalo sexual envolvendo Samantha Geimer, na altura de 13 anos. O acto não foi negado pelo próprio, e após se ter dado como culpado, submeteu-se a uma avaliação psicológica que durou 42 dias. Confrontado com a continuação da pena, Polanski fugiu dos Estados Unidos para Londres e um dia depois para Paris; ora, fiel ao tratado de extradição com os Estados Unidos, França pode escusar-se a extraditar os seus cidadãos (Polanski tem dupla nacionalidade - polaca e francesa). Desde então, Polanski manteve a sua residência em França, e evitou viajar para países que pudessem facilitar a sua extradição para os Estados Unidos.
Até agora. Ao chegar a Zurique, para onde viajava para receber um prémio de carreira, Roman foi preso pelas autoridades Suíças. A detenção surgiu no seguimento da descoberta de investigadores americanos, dos planos da referida viagem, o que deu ao governo americano tempo suficiente para negociar com o suíco a apreensão. Apesar do ordem de captura existir desde 1978, e figurar na lista encarnada da Interpol há já alguns anos, só desde 2005 é que os EU requereram, mundialmente, a sua apreensão e extradição.

Pendente fica o extremamente interessante projecto que acabara de filmar na Alemanha, "The Ghost" com Pierce Brosnan, Ewan McGreggor e Kim Catrall. O que se passará daqui para a frente? Não sabemos se este projecto ficará no limbo eterno, já em fase de pós-produção. É de recordar que as "facilidades" que teve após aquele incidente foram mais que muitas. Em 77, no seguimento das acusações, foi-lhe permitido terminar o projecto que tinha em mãos; em 2002 foi-lhe atribuído o Óscar de Melhor Realizador por "O Pianista" e o Ministro da Cultura francês a vir dizer publicamente que esta detenção não faz qualquer sentido, uma vez que as acusações já são tão antigas e sem nexo que não deviam afectar alguém que fez tanto pela arte.
Opiniões formem-nas como quiserem, mas Polanski, übermensch por 30 anos, pode ver essa superioridade ameaçada.

Don't Forget The Rules

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Trabalha, que és lindo

Esteve uma semana com um tempo óptimo, a fazer-nos pensar como verão deveria ter sido e não foi. Quase parece de propósito, não trabalhei dois dias; fiz algo muito mais entusiasmante: estive em casa a curar uma gastroenterite que meteu todas aqueles episódios agradáveis que se conhecem, assim como também hospital. Hoje, já estou de volta! Não à forma física mas ao trabalho(!!).

The Arctic

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

...a giant leap for mankind

Aqui há uns tempos fiz um post dedicado a um novo compositor que tinha redescoberto. Brian Tyler mereceu-o, porque continua a ser presença indispensável nas minhas listas, mas ao ter-lhe feito um post, não poderia, porém descurar outros. Tyler está longe de ser o meu compositor preferido, John Powell, James Newton Howard e Trevor Rabin continuam a ocupar esses lugares. De qualquer forma, nos últimos tempos, cada vez mais me tenho vindo a aperceber que desse topo, senão mesmo na frente deverá estar um artista cujo talento e trabalho tem dado provas mais que provadas. Falo de Craig Armstrong. Este escocês tem a sua formação na Royal Academy of Music, e a sua experiência não se ficou somente pela composição clássica. Colaborou com diversos grupos de electronica, mais concretamente com os Massive Attack. Para o público em geral, é bem capaz de ter sido essa a área em que mais se destacou. Para mim, porém, e previsivelmente, foi na composição clássica.

Todos os compositores têm um óbvio fio condutor, um estilo a que obedecem; estilo por si definido ou em si criado pela formação músical que tiveram. Num texto que há alguns tempos li, falava-se de como cada compositor se tornava identificável por mais eclécticos e díspares que os seus trabalhos fossem, mais longe ainda ia a opinião(que subscrevo) que há um quê da etnia que se mantém. John Williams identifica-se à légua como Americano: as fanfarras que escreve, os instrumentos que usa, são apelativos mas na sua maioria pouco sumarentos. Hans Zimmer, por seu lado tenta fazer o mesmo, mas como a sua influência germânica pesa bastante, existe um cruzamento de vivências e estilos que resulta numa riqueza maior, ainda que mainstream. Armstrong transparece a sua influência britânica em cada nova partitura. Sendo todos os seus trabalhos, maioritariamente intimistas, talvez seja por isso que não estejam tanto no ouvido e no conhecimento de todos.
Armstrong compôs um inacreditável Bolero para o conhecidíssimo Moulin Rouge que passa assim que o filme termina. Em 7 minutos de música, Armstrong compõe a tragicidade que Baz Luhrman filmou. Em Elizabeth: The Golden Age, Armstrong herdou a batuta de David Hirschfelder, nomeado a um Óscar, e tendo umas altíssimas expectativas para igualar, superou-as de longe. Compondo a meias com A.R. Rahman, surgiu aquele que talvez seja o melhor e mais coerente trabalho de ambos: uma soberba obra que mistura os dois estilos, para uma história de época. Opening, Bess and Raleigh Dance, Mary's Beheading, Bess to See Throckmorton, Closing falam por si. Até para um filme de qualidade menor como The Incredible Hulk, Craig criou uma partitura de tal forma superior que convenceu o estúdio a editá-la numa edição de 2 discos e 45 faixas. Em poucas semanas, tornou-se das bandas sonoras mais vendidas da História. Já por duas ocasiões diferentes, publiquei aqui uma das minhas composições preferidas de sempre, precisamente deste filme, chamada Favela Escape. Quase tão boa é The Flower. I Can't, Bruce And Betty, Give Him Everything You Got, são igualmente muito boas.

Se realmente este for um post que lhes faça sentido, não deixem de descobrir ou redescobrir este compositor. Garanto-lhes que vale bastante a pena.

Mãe, muitos parabéns pelo dia de hoje.

domingo, 20 de setembro de 2009

Clint Mansell - The Fountain (O Último Capítulo)

O filme a que este disco serve de base é dos mais difíceis e peculiares filmes que alguma vez vi. The Fountain - O Último Capítulo, conta a história de um homem, médico, obcecado com a doença terminal da sua mulher, e que faz do seu objectivo procurar uma cura. Paralelamente é-nos contada uma história 500 anos antes, e outra 500 anos depois. Em todas três, o enredo gira à volta da busca da vida eterna, sendo as ilacções tiradas e discutidas pelo espectador.
Sendo este um filme obviamente filosófico e intimista, a banda sonora não teria como não o ser. O que Clint Mansell fez, foi criar uma partitura que além de se enquadrar de forma totalmente harmoniosa com as imagens, funciona igualmente bem, se não melhor, sem elas. Veja-se o exemplo de "Together We Will Live Forever", tema principal do filme, e que só é ouvido já nos créditos finais: é de simples execução (só há um piano), mas de pesada descoberta. Honestamente, é das melhores faixas que já ouvi, e a escolha de não a ter a passar durante o filme revelou-se acertada; a mera distracção das imagens poderia tirar força à peça, mas ainda assim, para quem viu o filme, e o perceba, faz de facto todo o sentido ouvi-la tendo a história já sido integralmente contada. Em "Holy Dread!", "Tree Of Life" e "Death Is The Road To Awe", a percussão é mais marcada, assim como os coros, não se afastanto da temática central, especialmente a última, que acompanha o climax do filme, e que tal como ele é um dos pontos altos da obra.
Esta banda sonora, composta por Clint Mansell, teve a particularidade ter sido tocada pelo Kronos Quartet, e pela banda de rock Mogwai que resultou numa simbiose de diferentes estilos. Duma colecção de cerca de 300 bandas sonoras, é complicado eleger alguma como a preferida, porque por melhores que algumas sejam, têm sempre algumas partes menos boas; com The Fountain, isso não acontece. Poderá, para alguns ser preciso mood para a ouvir, mas para os que não fôr e queira descobrir um trabalho soberbo, daqui não sai desiludido.

Track List:
1. The Last Man 2. Holy Dread! 3. Tree Of Life 4. Stay With Me 5. Death Is a Disease 6. Xibalba 7. First Snow 8. Finish It 9. Death Is The Road To Awe 10. Together We Will Live Forever

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Idade da Indecência

Já estamos todos fartinhos de saber que séries só vendem com gente bonitinha à frente. Cai um avião numa ilha deserta, cheia de desconhecidos talhados para sex symbols; uma sociedade de advogados com dramas amorosos que mais parecem backstage de um desfile; vivos, mortos, presos, livres, ricos pobres, todos estão convenientemente deslavados num arranjo pouco natural. O mesmo podemos dizer das supostas idades das personagens que alguns actores encarnam. Basta olhar para todos as séries (e filmes, claro está) onde as colegiais parecem saídas de uma fraternidade de veteranos de faculdade, e os pais parecem poucos anos mais velhos. Para isso vejamos um exemplo paradigmático: na genial série Nip/Tuck veja-se as personagens de Joely Richardson e John Hensley, que faziam de mãe e filho, quando na realidade tinham 12 anos de diferença. A explicação desta pequena curiosidade pode prender-se mesmo até com a própria mensagem da série: o conceito de beleza e perfeição em que a sociedade se afoga, faz recorrer a estériotipos que no ecran resultam, mas cá fora não. Nunca a velha suspension of disbelief fez tanto sentido.

Rock The Casbah

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O Corredor da Morte

No Corredor do Poder desta noite, quando perguntada sobre o desempenho do seu líder, Jerónimo de Sousa, no debate com Sócrates, Margarida Botelho diz, com toda a franqueza: "Lamentavelmente não assisti ao debate do líder do meu partido porque estava na festa do avante!" Brilhante! Melhor, segundos depois, a Ana Drago é-lhe perguntado o mesmo quanto a Francisco Louçã: "Pois...eh..eh.. eu também não vi o debate por estar ausente, nem tive oportunidade de o ver desde então"!

The Hand Of Fate

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Lei dos Sacanas

Tarantino fê-lo outra vez. Poucos são aqueles que se podem dar ao luxo de a cada filme novo criarem uma identidade para a sua década, independentemente do tema ou de mediatismo do mesmo. A obra do realizador, embora pouco numerosa, é suficientemente diversificada, mas coesa pelo não-abandono do estilo.

Estamos em plena Segunda Guerra Mundial quando dois núcleos separados convergem com o intuito de acabar com a vida de Hitler e os seus aliados políticos. Dividido em cinco diferentes capítulos, o filme de Tarantino não obedece à típica norma de pôr todos os intervenientes a falar inglês numa França ocupada; cada personagem fala a sua língua, e desenvolve-se com as possibilidades e limitações que isso comporta. Tarantino foi fidedigno neste ponto específico não o sendo noutros, mais concretamente nas liberdades históricas (não falando nas estilísticas) que toma. Uma vez mais as personagens principais são fortes de carácter, decididas e empenhadas em cumprir o objectivo a que se compremetem quando aparecem, não há surpresas: Tarantino, pura e simplesmente nos surpreende com reviravoltas de história, os objectivos querem-se cumpridos, os vilões punidos e redenção e perdão não devem existir.

Goste-se ou não do estilo, da narrativa e dos filmes de Tarantino, não pudemos é negar que irreverência e talento não lhe faltam por até agora, e ainda bem, não abrandou nem desiludiu. Se é preciso esperarmos 4 a 5 anos por um seu filme, que seja, antes isso e termos uma obra coesa do que vários desnexos como acontece a tantos outros. Este Sacanas Sem Lei já teve o seu devido e merecido reconhecimento no Festival de Cannes, a temporada de prémios no final do ano encarregar-se-á do resto, mas decerto que esta entrada superior não será ignorada.

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Il Tramonto

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ao Som da Estação

Depois de um mês de ausência, marquei o regresso por mostrar a imagem e o som do verão. Mas, querendo voltar a escrever regularmente no blog, e não querendo manter-me sempre na mesma área, reparo que é complicado, senão mesmo impossível. Dou por mim a ouvir uma meia dúzia de músicas repetidamente, sabendo que ficaram elas associadas a pessoas, coisas e sítios deste meu último(?) ano de soltura.

Tomb Of The Primes - Steve Jablonsky
Uma vez mais Steve Jablonsky volta a lançar um trabalho em plena época balnear, que teima em manter-se na cabeça (minha e não só). Este é um tema que ao lado de Infinite White, se destacam tanto no tom, como no estilo de um álbum bastante heterogéneo. Cada vez mais em músicas instrumentais, as vozes femeninas têm presença por forma a transmitir a ideia de calma e tranquilidade. Não fugindo esta peça à regra, nem ao pastiche da Media Ventures, vale por si só como uma entrada marcante e significativa.

Alguém Me Ouviu - Mariza e Boss AC
Se este dueto é improvável, mais ainda foi a minha reacção ao produto final. Cantarem simultâneamente, seria impossível, porque os estilos de ambos são diametralmente opostos; a solução foi a óbvia: cantarem alternadamente, num meio caminho entre estilos, palavras e sentimentos. Vejo-me claramente inclinado para as partes de Mariza, não por gostar de fado, (mas não do dela), mas porque é indiscutívelmente a parte mais forte, até a nível musical, os incontornáveis e essencias violinos e a típica e inigualável guitarra portuguesa. Foi, sem sombra de dúvida, a música mais marcante que ouvi nos últimos tempos; é uma rendição total e absoluta que não diminui, e prova que por mais detractor que possa ser da música comercial portuguesa, sei ceder e render quando a qualidade fala por si.

Favela Escape - Craig Armstrong
Quanto à música anterior falei de rendição. Não foi exagero; mas se essa palavra foi bem empregue, terei que descobrir uma outra mais forte e significativa que chegue para descrever esta música. O filme de que faz parte é de qualidade francamente duvidosa, mas quando pela primeira vez a ouvi, há cerca de 9 meses, "rendi-me" por completo. Armstrong voltou a empregar o seu estilo percussivo, juntando uma orquestra de violinos, criando um tema poderoso, marcante de fácil compreensão e memorização, mas de desafiada degustação. Recomendo, obviamente que ouçam a música na sua totalidade, mas a maior e última riqueza da mesma encontra-se de 1:15 a 1:42.

I60 BPM - Hans Zimmer
Que Zimmer é um incontornável nome da composição não é segredo, muito menos o seu talento. A razão pela qual é considerado, cada vez mais como o mais influente compositar da cena internacional, prende-se com a sua versatilidade já provada, ainda que mantendo o seu estilo. Este I60BPM, é uma obra complexa, mas de atenção merecedora. A forma como os coros se misturam com a eclética percussão e o omnipresente sintetizador, numa composição irregular mas plenamente coerente, é digna de nota.

domingo, 30 de agosto de 2009

Allons-y!

É de facto curioso alguns de nós termos a inclinação, senão mesmo a tendência para puxar ao sentimento, seja por uma imagem, um som, uma vivência, uma provação ou uma transição. O que faz de nós aptos a crescer é a capacidade de olhar para trás, e realizar que tudo o que passou, nos fez crescer.
Quando devaneio, gosto pouco de falar na primeira pessoa; ainda que transcrevendo isoladamente, muito duvido que esteja sozinho no raciocínio. Se assim não fosse, não haveria empatia, muito menos química entre pessoas por mais diferentes que sejam e que se achem; aliás, é mesmo pela diferença de feitios, vivências, idades e educações que por vezes as melhores experiências surgem. Estamos a elas sujeitos durante todo o ano, mas não será o verão mais propício a que certos sentimentos se acentuem? Por menos comum que a "migração" seja, o paralelismo da mesma faz-nos reencontrar amigos e sítios de toda a vida: todos mudaram, em maior ou menor escala, contribuindo para um misto de saudosismo e construção involuntária de um novo futuro. Este misto vem, então acentuar esses mesmos sentimentos. Os dias que por mais compridos que sejam, são por vezes desperdiçados em sono fora d'horas, e as noites aproveitadas como gozo e vontade de diversão, seja ela qual for. É inevitável que se associem certas imagens ou certas músicas a um verão, por serem as formas que melhor nos fazem recordar o que aquele tempo significou. Fica como imagem o inigualável pôr do sol daquela minha praia, e som o "I Gotta Feeling". Não foram raras as vezes que tive o pressentimento que uma noite seria em grande; este ano muitas foram.

sábado, 1 de agosto de 2009

Coisas Minhas: São Martinho do Porto

Agosto começa hoje com um dia não tão radioso como se esperava, mas que em nada destoa do tempo estranho que tem estado ultimamente. O último verão que, se tudo correr bem, vou poder estar um mês inteiro na praia começa hoje, e estou disposto a aproveitar ao máximo para que arrependimentos não restem. São Martinho e o seu muito desdenhado clima e praia vão receber quem está disposto a aceitá-lo e lá tenha raizes ou afeições.



The Only Moment We Were Alone

terça-feira, 21 de julho de 2009

Harry Potter and The Half-Blood Prince por Nicholas Hooper

Já passaram 8 anos desde que fomos pela primeira vez apresentados ao célebre tema de Harry Potter composto por aquele que continua a ser, hoje em dia, o mais conhecido e conceituado compositor, John Williams. O seu tema principal, tanto necessário como obrigatório, continua a ser um dos traços caracteristicos da saga, mas se o tom dos últimos filmes e das partituras está longe dos primeiros, é mais uma prova de que até aqui se distancia da infantilidade originária.

Herdando as funções de Williams e Patrick Doyle, Nicholas Hooper, um perfeito desconhecido enfrentou o desafio de compor para estes dois últimos filmes. Se a partitura d' A Ordem da Fénix cumpriu as espectativas, a deste Half Blood Prince superou-as e colocou a fasquia num nível difícil de igualar. O que Hooper percebeu, e bem, foi que não obstabte a matéria base, cada vez mais teria que mostrar uma abordagem adulta e sombria (Snape and The Unbreakble Vow). . Além disso, toda esta obra pauta pela contenção, fugindo das comuns percussões e sintetizadores e, assim sendo, temos dentro do mesmo disco faixas tão díspares como as dominadas por coros (In Noctem) orquestra (Ron's Victory) e viola/violino (When Ginny Kissed Harry). Estar a enumerar cada música e descrevendo-a seria tirar crédito a uma obra que deve ser ouvida na sua totalidade. A título de exemplo, e como amostra representativa da qualidade, aqui fica um tema que se eleva acima da qualidade óbvia do resto.

sábado, 18 de julho de 2009

O Mistério Morreu Renascendo

Há cerca de dois meses atrás, enumerei os mais antecipados blockbusters da época. Já não é a primeira vez que o digo, mas a falta de interesse que o cinema, de ano para ano nos provoca, é cada vez mais patente. A originalidade escasseia, a inovação é meramente técnica, mas não obstante a recessão, as receitas são milionárias, e recordes são batidos a cada semana que passa(há que ter, porém, em conta que os recordes têm em conta as receitas não ajustadas à inflacção).
No seguimento disto, e porque um Harry Potter é mesmo o paradigma do filme das massas, estreou esta semana o sexto e antepenúltimo filme da saga. A cada ano que passa, a história quer-se mais negra, os eventos mais trágicos e não obstante o tema, o público é necessariamente mais adulto. Se já a partir do Cálice de Fogo em que o choque do crescimento das personagens e dos actores foi mais óbvio, é talvez com este “Príncipe Misterioso” que realmente damos o salto. O salto porém não é só a nível dos dramas das personagens, como do filme em si. O filme já tem em si um enredo suficientemente complexo para confundir os alheios à história, e estando esta a caminhar para o derradeiro clímax a cada filme que passa, só quase os verdadeiros inteirados é que estão totalmente dentro da trama.
Não sendo este sexto capítulo propriamente o mais rico e complexo da saga, a adaptação cinematográfica é sem dúvida a mais sólida e satisfatória.
Os dois primeiros filmes eram a infantilidade necessária que apaixonou e cativou o mundo, mas foram claramente um registo que não poderia manter-se. Assim que Chris Columbus saiu da saga, e entrou o mexicano Alfonso Cuarón, a saga deu um salto e produziu, o que para muitos é considerado como o melhor filme de todos. Esse entendimento, que até ontem também defendia deve-se ao facto de Cuarón ter introduzido uma abordagem suficiente e adequadamente negra ao material que poucos esperavam. O Prisioneiro de Azkaban foi o único capítulo que realizou, e a partir do momento em que a produção se apercebeu do estrondoso feedback, concluiu que quem herdasse o posto, não podia afastar-se daquele registo. Mike Newell e David Yates assim o fizeram.
Quando pela primeira vez foi revelado o nome de Yates como realizador não de um, mas dos quatro últimos filmes, a comunidade online não reagiu da melhor maneira: Potter é uma saga demasiado complexa para ser entregue a um desconhecido, e mais ainda uma tarefa tão importante e duradoura. Se com a Ordem da Fénix Yates provou que esses medos eram infundados, com este último filme, calou definitivamente os detractores. O facto de o filme ser tão forte deve-se quase exclusivamente a si. A coesão do produto final, a direcção de actores, a mediação técnica fundem-se de uma forma tão natural, ambiciosa e completa que para muitos pode ser este o estímulo necessário para reavivar o interesse na história. Achei-me a ter uma especial empatia por este filme decorridos 10 minutos. Tinha vontade e curiosidade de ver mais uma vez como tinham sido transportas para o ecrã as descrições que lemos, mas acima de tudo, dei por mim a reparar que não obstante ser fã devoto de Harry Potter, estava realmente a adorar o filme como se não fizesse ele parte da saga. A fotografia é soberba, o direcção de arte é irrepreensível, como sempre, e a banda sonora, merecerá um post só dela.
Tenho pena que este ano quase nada se possa aproveitar desta época de verão. O Príncipe Misterioso fica por agora como a grande produção de referência do ano que, ao que parece, dado que a academia aumentou o número de nomeados para melhor filme para 10, que este figurará na lista; se assim for, nada me surpreende.

In Noctem

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Perdido

Enquanto não estão (se é que chegarão a estar) dias de praia à séria, emprestaram-me hoje a Quarta Sério do Lost - Perdidos. Significa isto que vou hibernar a vê-la. Lost é um caso curioso. Comprei a primeira série, que odiei; a segunda vi porque me emprestaram, e não estava a ver nada de especial na altura: a terceira vi porque me viciei. A série é um daqueles casos em que o enredo se vai revelando tão estúpido, tão estúpido, que acaba por ser bom. Vou guardar o resto dos comentários até acabar de ver esta quarta temporada.





Parting Words

domingo, 12 de julho de 2009

Sequelas, sim ou não?


I don't know what you people do in Costaguatamexarico, but in this country, we don't eat birds! Virgen Mojada de sangre. Ella pagara por su patria. Su corona. Su vida!
http://www.youtube.com/watch?v=azvANfe_vEk
Parabéns, Tomás!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Como Vemos o Futuro Desde o Passado?


Projecções do futuro, sempre o Homem as fez. Com o avanço da tecnologia, mais se entende que as conjecturas são certezas, e que o prazo para a sua concretização é mais preciso. A forma mais comum de explicitar essas mesmas conjecturas é através da sua transposição para o écran, que a televisão e o cinema têm feito de forma mais ou menos precisa, com ou sem dramatizações. Por razões óbvias de trama, o que vemos hoje como facilitismos trazidos pelo desenvolvimento tecnológico vão jogar contra nós, controlando-nos e dominando-nos. Tudo isto envolto num futuro que se prevê escuro, chuvoso, violento e pessimista.
Ontem vi Babylon A.D., filme que me suscitou uma curiosidade enorme por ter descoberto, há uns tempos e por acaso, a sua banda-sonora, que desde logo me cativou. Como o próprio título indica, a sociedade mundial vive numa Babilónia que espera pela vinda de um novo dia que traga esperança para a humanidade. O filme, tal como previa, é o lixo que poderia não ter sido, um retalho de estilos e um desfile de ideias mal concebidas; mais um caso em que a superior banda sonora está desperdiçada (Agnus Dei).
A evolução da História, cíclica como se tem mostrado, só no faz crer que sempre que o Homem se recompõe de uma era negra, e desenvolve uma de prosperidade, deslumbrado pelas suas capacidades, cedo será de expectar que entre em retrocesso. É esta a ideia que está na base deste filme e, se bem virmos as coisas, a de qualquer filme de ficção científica. É complicado que qualquer filme que conte uma história passada 30 anos no futuro, tenha um ponto de vista diferente, ou mesmo completamente alheio a este princípio. O Homem, enquanto ser racional que é, sabe que no cômputo final, a recessão global virá, o que o cinema e a televisão nos têm feito é sugerir cenários e prazos possíveis para isso. A inteligência artificial vai-nos dominar, a depressão vai ganhar terreno, a selvajaria e a escuridão virão a reboque. É o que nos fazem crer.

Babylon Requiem

terça-feira, 7 de julho de 2009

Alguém Me Ouviu


Um caso de fusão que resulta extremamente bem.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Já Repararam Que... Cães Nos Carros

Já repararam que sempre que um cão vai dentro de um carro, vai a arfar sem parar? Vão sempre de boca aberta, língua caída, quer seja com o carro parado ou em andamento.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

The Shard

Está projectado para 2012 o arranha-céus "The Shard" em Londres. Acho que qualquer um concorda que à primeira vista a estética do edifício do arquitecto Renzo Piano choca e não se enquadra na histórica Londres; mas também o que todos sabemos é que Londres é cada vez mais uma amálgama de estilos e visões que parece enquadrar-se de uma forma perfeitamente natural.
Mas é de se concordar com a construção de um edifício deste tipo bem no centro daquela capital? Nas mais variadas cidades, temos edifícios que a História nos legou de forma mais ou menos intacta, como símbolo de épocas passadas que deixaram o seu marco mais ou menos evidente e mais ou menos funcional. Urbanísticamente, para nós, não concebemos como aceitável uma construção que pouco ou nada tenha que ver com o estilo pré-existente, mas até que ponto é razoável que essa regra seja absoluta? Não me parece que par este problema haja uma solução líquida, já que levante discussões e opiniões que a subjectividade não deixa conduzir a uma conclusão uniforme.
Por um lado, são perfeitamente aceitáveis os argumentos dos detractores do projecto, uma vez que tal construção não só não se enquadra na zona circundante, como na cidade em geral, uma vez que estando terminado, será o edifício mais alto da União Europeia; por outro lado, não havendo marcas perenes introduzidas nas nossas gerações, então os colossos que o Homem foi capaz de erigir em cada época, esgotaram-se no passado. Não parece que a questão que levante discussão e oposição seja, propriamente, a da dimensão (altura) do projecto, mas sim a estética. O The Shard (lasca), tem realmente uma imagem pouco convencional, mas já o tinha o altamente criticado, e depois aplaudido Gherkin, também em Londres.
Haverá certamente quem esteja tão melhor qualificado do que eu para dissertar sobre este aspecto - no que a Londres diz respeito - porque o conhecimento que tenho é "empírico", já que presencial não tive ainda. Quando esse ansiado dia chegar (quem sabe, com o Shard acabado) possa dar uma opinião definitiva. Sorte de quem a possa dar com conhecimento de causa!

The Shard

Ressaca das Luzes

Há duas noites atrás resolvemos ir, já atrasados, ver o The Hangover-A Ressaca, a uma sessão que nos obrigou a sentar na primeira fila por a sala já estar cheia. Há filmes que nos marcam pela qualidade da história, da mensagem e do conteúdo; outros que nos marcam pela simplicidade e despretenciosismo com que arrancam gargalhadas vindas de dentro, sem roçar o exagero e muito menos o vulgar. Salvo raras excepções, as comédias de qualidade encontram maneira de angariar o seu culto. Este a ressaca não só o fez a nível mundial pelo sucesso que está a ter,como também por sabermos que não é apenas mais um. O filme é de tal forma contangiante, que demos por nós a, mal de lá sairmos, não querermos acabar a noite por ali.

Toca de beber um bom copo antes para iniciar, e depois, cruzar a ponte para uma beach party para acabar. O facto de o termos feito em tom de gozo, despreocupação e total improvização fez que o balanço tivesse sido tão positivo.
Numa noite que se prolongou até às 5 e meia da manhã, reparámos que o ambiente de praia que tanto nos diz e tão bem se enquadra no nosso espírito trazia qualquer coisa mais. Uma claridade a princípio indescritível, que depois se tornou numa das imagens que mais me marcou. Tenho pena de não ter levado a máquina comigo, nem de o telefone ser suficiente para captar a tal imagem. O céu misturava o breu da noite com uma luz côr de laranja indescritível. Começou por ser de pequena dimensão, mas à medida que as horas passavam ficou cada vez maior. Visão mais incrível que esta em plena praia, só foi aquela que tivemos quando cruzámos a ponte de volta porque aí já tínhamos as luzes da cidade a juntarem-se a este espectáculo. Tenho a dúvida de saber se descrevo este evento como singular, porque muitos há, singulares para nós, comuns para outros.

Aurora Borealis

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Facebook...O Filme???

É verdade. Por incrível que pareça, parece que o Facebook vai ter uma adaptação ao cinema. Confesso que já há algum tempo andava a pensar fazer um post sobre o facebook e todas as redes sociais que lhe antecederam (e com toda a probilidade, as que lhe vão suceder), mas outras coisas surgiram, e por isso, fui adiando esta entrada.
É facto que somos cada vez mais dependentes da Internet, pelas óbvias e necessárias razões, que tudo nos facilita e em muito nos distrai. Há cerca de 3 anos foi a obsessão com hi5, agora com o facebook. Não sei até que ponto é que estarei certo, mas mais ano menos ano, a febre dos quizzes, do chat interno, do facebook em geral vai desvanecer. Mas enquanto a euforia está no máximo, há que disfrutar dela, e fazer render enquanto o nome é produto que vende. É isso exactamente que Hollywood se propõe fazer já este ano: a adaptação ao cinema da maior rede social a nível mundial criada por Mark Zuckerberg na faculdade em 2004, que conta já com 200 milhões de membros. Se a notícia é já estranha por si, mais ainda são os nomes envolvidos na sua feitura: Scott Rudin e Kevin Spacey produzem, e David Fincher (?, sim ??), realizador de Se7en - Sete Pecados Mortais, Fight Club e o Estranho Caso de Benjamin Button, já em negociações avançadas para dirigir. Não sei se o que me fascina neste projecto é a estupidez do mesmo, se a curiosidade para saber o que é que vão fazer dele.

Explosive

terça-feira, 23 de junho de 2009

Marca de Servidão?

Sendo a França o país da Europa (ocidental) com maior população muçulmana, não parece de todo descabido que, mais cedo ou mais tarde, o Presidente Sarkozy viesse afirmar publicamente que a marca de servidão que a burqa islâmica representa não será bem vista.
Se o teor e o conteúdo deste discurso feito em Versalhes foi o mais oportuno e sensato, num estado democrático que é um puzzle de etnias e religiões, deixo a quem mais capaz de julgar é, de o fazer.
Por outro lado, a discussão que vem subjacente a este assunto parece ser a de encarar a burqa como o tal símbolo de marca de servidão, ou não. O que é facto, é que a burqa, como todos sabemos, tapa por inteiro o corpo da mulher e, não sendo esta tradição islâmica tão rara, também não é de espantar que as mulheres vivendo num outro país, não mantenham as tradições nas quais foram educadas. O argumento de Sarkozy de que a indumentária é um símbolo de rebaixamento e de servidão, é claramente lógico e fundado (por não nos acharmos tão discordantes desta visão) isto porque julgamo-la à luz dos nossos costumes ocidentais. Claro que enquanto familiarizados com os costumes e organização sócio-cultural destes países sabemos que de facto, é o que tal símbolo representa, mas tal discurso vem relembrar a polémica de 2004, quando o governo francês aprovou uma lei que proibia o uso de símbolos religiosos nas escolas. Esta pseudo-política de laicidade acaba por proibir que certos costumes que têm séculos de existência se mantenham, em nome de uma igualdade física, que parece suplantar a liberdade religiosa que todos têm e que universalmente se defende.
É realmente a burqa uma marca de servidão? O tal símbolo de rebaixamento da mulher que deve a todo o custo ser abolida, ou, por outro lado, um símbolo de uma religião que assenta na tradição? As muçulmanas em países ocidentais não se querem forçosamente iguais, de aspecto, às restantes. Mas não será certamente uma lei que proíba o uso de burqas que as emancipará. Esta não é uma questão para qual haja uma solução ou um argumento que seja líquido e aceitavel a todos. A subjectividade inerente à escolha religiosa e a profissão da mesma, é entendida de maneira diferente por certos grupos, e como tal, uns achar-se-hão a concordar com a efectida proibição, outros com a aceitação.

Giza Port

quinta-feira, 18 de junho de 2009

5:08

Não é Salzburgo, não há copos de chocolate, nem tem 5 minutos e 8, mas tu sabes!
Parabéns Ravaroni!